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Mandic 20 anos de histórias e sucesso – parte 1

Não tenho certeza se era final de 89 ou começo de 90. Trabalhava na Proceda (empresa que foi adquirida algum tempo atrás pela Tivit) e recebia uma visita de Paulo César Breim (também conhecido por PCB) e Ronaldo Amorim (conhecido como Jaguar). Eu tinha criado uma solução para integrar PCs e Mainframes que chamou a […]

Publicado: 20/05/2026 às 02:27
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12 minutos
Mandic 20 anos de histórias e sucesso – parte 1
Construção civil — Foto: Reprodução

Não tenho certeza se era final de 89 ou começo de 90. Trabalhava na Proceda (empresa que foi adquirida algum tempo atrás pela Tivit) e recebia uma visita de Paulo César Breim (também conhecido por PCB) e Ronaldo Amorim (conhecido como Jaguar). Eu tinha criado uma solução para integrar PCs e Mainframes que chamou a atenção deles e por isso vieram conhecer. O Ronaldo trabalhava no Unibanco e criara uma BBS experimental, a UNO BBS nos laboratórios do banco. Fiquei fascinado com aquilo tudo, era um mundo novo que se abria para mim. E ambos eram “fera”!! O PCB pelo que me lembro criou soluções de segurança para bancos e mais tarde participou dos processos de criação de “home banking” (acesso via modem ? alguém se lembra disso?) e depois também via Internet.

O Ronaldo, ou melhor o Jaguar me convidara para ser usuário do UNO BBS. Ele era SYSOP (operador do sistema). Um belo dia ele me deu um toque sobre um novo BBS que estava por se formar, um tal MANDIC BBS. O UNO BBS não tinha como crescer mais pois era um projeto experimental no Unibanco. Dando uma pausa apenas para refrescar conceitos. BBSs eram redes privadas acessadas via modem, inicialmente a incríveis 2400 bps (e depois até 56 Kbps), que guardavam semelhanças com a Internet. Havia grupos de discussão, correio eletrônico, downloads, uploads… Era uma “mini-mini Internet” de caráter regional com dezenas, depois centenas e por fim milhares de usuários.

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Não me lembro bem como fiz a inscrição para MANDIC BBS, mas me lembro que o próprio Aleksandar Mandic me ligou para confirmar meus dados e me contou que eu era o usuário número 8 do sistema (acho que fui o primeiro “desconhecido” a se inscrever). Já nesta época Mandic fazia isso, ligava um por um e fazia o primeiro contato. Atualmente Mandic é uma figura folclórica e conhecidíssima e tudo teve origem nestes dias.

“A cana só dá açúcar após passar por grandes apertos”. Tempos depois soube de uma história incrível. Mandic imbuído que estava em montar seu sistema ficou montando PC, linhas de telefone, configurando o software PCBoard até o minuto final, até a hora que sua esposa grávida teve que ser levada à maternidade para dar a luz. Chegando à maternidade descobriu que ainda demoraria várias horas para seu filho nascer. Voltou para casa e continuou seu esforço de configuração de seu sistema retornando depois para acompanhar a chegada de seu filho Axel Mandic no dia xx de abril de 1990.

Mandic também criara um BBS experimental na SIEMENS, empresa na qual fez sua carreira trabalhando por mais de 17 anos. Foi seu primeiro emprego. Começou ganhando salário mínimo e quando saiu liderava equipe com mais de 50 pessoas. Ele pensava em usar BBS na empresa para agilizar a comunicação e troca de arquivos entre o corpo técnico que atendia clientes em campo, muito frequentemente em outras cidades ou estados. Ele foi parabenizado por sua iniciativa. Ganhou até um bônus, mas foi orientado a interromper o projeto, pois “não teria futuro”.

“Não sabendo que era impossível ele foi lá e fez”. Esta frase explica quem é Aleksandar Mandic, hoje autor de livro MANDICAS, publicado pela Editora Saraiva com sua coleção de frases célebres e espirituosas, que estão sendo citadas ao longo deste texto. Algumas são de sua autoria e várias outras capturadas ao longo de sua vida. Lembro-me de sua sala coberta com estas frases emolduradas que o faziam lembrar diariamente destas “políticas de vida”.

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Há artigos na mídia que contam em detalhe a trajetória do Mandic, inclusive um “case study” de Harvard (que pode ser obtido aqui). Por isso não vou contar de novo o que já se falou tanto por aí. Como tive o privilégio de conviver com o Mandic desde o início de sua vitoriosa empreitada. Presenciei momentos únicos e históricos nessa trajetória que quero destacar, dar minha visão pessoal deste que é hoje personalidade da Internet do Brasil.

“Nada pode ser de graça”. Com ele tudo aconteceu primeiro, afinal foi pioneiro nesta área. Quando BBSs se popularizaram ele quebrou o paradigma criando o serviço pago. Sim BBSs eram todos gratuitos até então e viviam lotados, poucas pessoas conseguiam acesso aos seus 30 ou 60 minutos concedidos por dia. Falou-se à época que seria um fracasso, todos abandonariam seu sistema. Não foi o que aconteceu. O serviço e o sistema MANDIC BBS eram bons e a receita que começou a entrar permitiu investimentos e o crescimento do BBS. Convém lembrar que no começo dos anos 90 telefone era ativo de alto valor. Uma linha poderia custar mil, dois mil, até cinco mil DÓLARES no mercado paralelo ou se inscrever em um plano de expansão da TELESP e aguardar dois ou mais anos por uma linha. Incrível, né? Mas isso acontecia assim.

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Com a receita a MANDIC comprou linhas de telefone, e ampliou o sistema além de quatro “nós” (ou nodes como eram chamados os pontos de entrada do sistema). Enquanto teve 4 linhas ele usava um sistema multitarefa chamado DESQview que rodava em DOS e era competente para a tarefa. Mas não dava para ter mais que 4 nós em uma máquina. Foi aí que ele montou uma rede NOVELL com um belo servidor e diversos PCs “pelados” (sem HD, sem disquete, sem monitor, apenas boot via placa de rede) . Chegou um ponto que o BBS não cabia mais no escritório de sua casa. Como o Mandic (ou o pai dele que morava no mesmo prédio ? não tenho certeza) era síndico do edifício foi feito um acordo com o condomínio e ele mudou todo o sistema para uma sala no teto do prédio que estava vazia (era usada para guardar material de manutenção). Do quarto para o teto, sempre para cima!!!

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Nesta época, com o crescimento do sistema fui espectador do primeiro caso que tive notícias de PHISHING!!!! Um usuário muito esperto e que era “viciado” no BBS não conseguia se satisfazer com seus 60 minutos de acesso. Como no começo a demanda quase sempre era acima da capacidade de atendimento, ele teve a “feliz idéia”. Este usuário montou em sua casa um BBS falso, usando a mesma versão do software usado pela MANDIC e reproduziu a tela de abertura do sistema, um “clone” do BBS. Na área de mensagens da MANDIC BBS ele divulgou que havia um número novo de acesso em regime experimental (sim você tinha que saber nesta época os telefones de acesso ? só mais tarde que foi contratado um número “sequencial automático”). Qual era o plano? O incauto que caía no golpe se conectava, digitava usuário e senha e obtinha uma tela de erro dizendo que este “node” não estava disponível no momento. Mas já era tarde. O … (quase escrevo o nome dele) já tinha guardado usuários e senhas as quais ele usava para ampliar seu acesso de uma hora para quase o dia todo!!! Engraçado, folclórico, mas não deixou de ser “phishing” (como conhecemos hoje esta prática feita principalmente com sites de bancos para roubar dados de acesso).

“Pedir é mais caro que comprar”. Nada de ficar devendo favor, para que quer que seja. Relacionamentos profissionais e de qualidade, Mandic sempre pensou assim. Isso me faz lembrar uma passagem curiosa. A MANDIC já era uma empresa formalmente estabelecida pois o Mandic já se demitira da SIEMENS para cuidar apenas do BBS. Certa vez fui visitá-lo em sua casa. A sala de estar tinha virado um grande escritório (os computadores já estavam no teto do edifício). Ele e sua mulher estavam incansavelmente emitindo dezenas, talvez centenas de notas fiscais. Logo perguntei para ele o que era aquilo. Apesar dos clientes do BBS serem pessoas físicas, que pagavam via depósito bancário ou boletos, o BBS era a única fonte de receita que ele tinha. Assim ele precisava ter origem, receita, para declarar em seu imposto de renda. Assim mesmo sem que as pessoas pedissem, ele emitia TODAS as notas em nome dos usuários e as guardava por algum tempo. Quem pedisse ele tinha a nota pronta. Assim ele não devia favor, nem impostos para ninguém!! Seria fácil ele “embolsar” todo o valor dos impostos, mas a visão dele era: “empresa para ser grande precisa crescer e para isso precisa ter dinheiro em caixa!”. De fato, como justificar a compra de linhas telefônicas caríssimas se ele atuasse na informalidade? Sem chance. Correção e visão de empresário.

Na palavras do próprio Mandic um depoimento relativo a esta época: Logo no começo de tudo, em 1992 a Telesp (empresa de telefonia da época) veio me visitar em casa porque eu, na verdade meus usuários, tinham derrubado a central de telefonia de Pinheiros. Imagine, todas aquelas pessoas ligando para um número só! Então eles desenvolveram um projeto para não sobrecarregar o sistema e eu percebi a magnitude do que estava lidando, que estava fazendo algo revolucionário.

Outro fato notório que aconteceu nesta época foi a história já contada aqui no ForumPCs ? Derrubem a porta a machadadas! Nesta ocasião fui chamado como “perito” para ajudar a desmascarar um fulano que usava cartões de créditos falsos para acessar o BBS, mas no final não era bem isso (fica o convite à leitura para quem ainda não leu).

“Um grama de ação vale mais que uma tonelada de teoria”. O Mandic não parava quieto!! Tudo era motivo para tentar divulgar seu serviço. Com frequência arrumava palestras para dar para associações, faculdades, etc. Quando ninguém falava de Internet, nem mesmo comércio eletrônico, não havia nada a respeito o Mandic se aventurou nesta área. O BBS já tinha milhares de usuários (estimo que 15000 à época). Ele sabia que o software do BBS tinha uma linguagem de programação chamada PPL (que tinha semelhanças com o Basic). Ele me contratou para desenvolver o TELE VENDAS!! Era um “portal” no qual vários parceiros abriram negócios virtuais, muitos anos antes de existir Internet. As diversas lojas eram de visionários que perceberam que comunidades virtuais viabilizavam negócios. LIVRARIA CULTURA, TEMPO REAL, GATE ONE TURISMO, BRASOFTWARE,… eram cerca de 10 lojas. Tinha mais algumas livrarias (que se revelou muito apropriado para comércio eletrônico), tinha até uma SEX SHOP chamada LOVELAND. Era o B2C (“business to consumer”) dando os seus primeiros passos. Mas isso foi mais longe. O Mandic vendeu para a SIEMENS (sua antiga empresa) e eu o ajudei a implementar o TELE COMPRAS que era um sistema de B2B (“business to business”) usado para fornecedores da SIEMENS ofertarem produtos e a empresa automatizar o processo de compras corporativas. Com a chegada da Internet todas estas empresas se mudaram para a nova mídia, a WEB, mas garanto que o TELE VENDAS e TELE COMPRAS foram pioneiros em comércio eletrônico, visão deste empresário que prefere fazer que estudar mil teorias!!

“Pense grande, já ouviu falar de Alexandro o Médio?”. Uma das vezes que estávamos indo para uma palestra em uma faculdade no centro de São Paulo, estávamos passando ali na avenida 23 de Maio (corredor importantíssimo da cidade). De repente o Mandic vira para mim e fala um dia quero mudar o meu escritório para aquele prédio ali, qual prédio Mandic” (eu perguntei). Aquele todo ali, o prédio da IBM!! Era brincadeira? Não sei não, afinal a história mostra todas as coisas que aconteceram. Ele não está naquele prédio mas…Falando em grandeza, ousadia, Mandic tinha um sonho “de infância” que era possuir um automóvel BMW (sua admiração pela precisa engenharia alemã veio da época que morou na Alemanha fazendo cursos pela SIEMENS). Em certo momento tendo, já algum dinheiro em caixa (mas sequer a metade do necessário para comprar o BMW) ele tomou a decisão. Endividou-se até o último fio de cabelo e comprou seu primeiro BMW (entre outros que veio a ter depois). Ele pensava que se ele chegasse às reuniões de trabalho, possíveis patrocinadores do seu BBS, até mesmo bancos (para solicitar financiamento) seria melhor chegar de BMW, pois impunha respeito. Anos depois ele contou que foi bem difícil pagar pelo carro, mas valeu cada centavo, pois de fato o carro ajudou a abrir muitas portas!! Acho que era o modelo 320i, não tenho certeza, mas era de cor escura, talvez azul marinho.

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Foi neste carro que estávamos a passar na Avenida 23 de Maio, quando ele citou o imenso prédio da IBM. Também foi neste carro que estávamos quando fomos dar uma palestra em um hotel perto de Atibaia (interior de São Paulo) e aconteceu algo hilário. Mandic era “pé pesado”, gosta de andar rápido, tanto que depois que conquistou sua independência financeira comprou um Porsche que anda eventualmente em Interlagos para se divertir. Também me lembro de uma viagem para São José do Rio Preto que fomos para implantar um BBS, na qual voamos!! Mas íamos para o tal hotel pela Rodovia Dom Pedro, bem rááápido, quando ele viu que o combustível estava acabando (acendeu a luz de alerta). Como não sabíamos se tinha posto de gasolina por perto ele foi diminuindo, diminuindo, diminuindo… Andamos 30 minutos a 30 Km/h (uma mera fração da velocidade anterior) até encontrarmos um posto de gasolina. E mesmo assim não chegamos atrasados na palestra, tudo deu certo!!

O texto ficou grande. Na próxima coluna continuo esta história, que ainda tem muito a ser contado!! Até a próxima!!

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