Existem usuários e usuários de computadores. Prova disso é que para alguns basta um smartphone e para outros… A HP lançou sua nova série de Workstations de alto desempenho. São PCs (se é que se pode chamá-los de PCs) bem especiais e para usuários especiais. Esta linha tem seu design inspirado nas linhas dos BMW […]
Existem usuários e usuários de computadores. Prova disso é que para alguns basta um smartphone e para outros… A HP lançou sua nova série de Workstations de alto desempenho. São PCs (se é que se pode chamá-los de PCs) bem especiais e para usuários especiais. Esta linha tem seu design inspirado nas linhas dos BMW série Z (por isso o mesmo nome), e traz soluções inovadoras de engenharia É modular e toda acessível e desmontável sem ferramentas. Seu exterior em aço escovado nos remetem à empresa da Baviera. Vejam a foto abaixo. Uma Workstation Z800 com o “capô” aberto (sem a tampa lateral). Não parece um destes potentes motores carenados das próprias BMWs que as inspiraram?

São máquinas especiais. A começar pelo processador XEON da geração Nehalem, incontestavelmente de última geração que trazem, por exemplo, Intel Quick Path e Intel Turbo Boost e controlador de memória integrada no processador com acesso “triple channel”. Têm formidáveis possibilidades de expansão. O modelo mais simples, a Z400, tem capacidade para até 16 Gb de RAM, a Z600 até 24 Gb de RAM e a Z800, inacreditáveis 192 Gb de RAM (12 módulos de 16 Gb DDR3-disponíveis no segundo semestre). Entre as opções possíveis há discos SSD ou HDs “comuns” que podem chegar de 6 Tb até 7.5 Tb (sim, TERA BYTES).
Mas quem são os usuários destas máquinas incríveis? Dificilmente veremos uma dessas na casa de alguém como PC doméstico, mas encontraremos em locais de alta demanda computacional. Com exceção da Z400, as outras (Z600 e Z800) têm capacidade para até dois processadores Xeon quadcore, que com a tecnologia HT permitem o processamento de 16 processos (threads) simultâneos. Este nível de “poder de fogo” é requerido por aplicações de altíssimo desempenho como CAD, simulações financeiras, aplicações geológicas, medicina, animação gráfica, etc.
Para quem tem como referência de alto desempenho gráfico as conhecidas GeForce RADEON, esqueçam tudo. Estamos falando de outro nível e outro tipo de aplicação. As placas gráficas oferecidas são da série Quadro (Nvidia) e FirePro (ATI/AMD). E as referidas placas têm um cuidado especial por parte da HP. Têm fornecedor único, que permite a HP controlar bastante a qualidade e as especificações das placas. As placas têm especializações em função do uso. Por exemplo, as Quadro NVS 295 ou 450 são indicadas para uso “multi-display”, em mesas de operação financeira, gerenciando até 8 monitores. As placas de altíssimo desempenho como Nvidia Quadro FX 5800 ou ATI FirePro V7750 são as mais indicadas para CAD, projetos muito complexos. Na apresentação da HP pude conferir em um vídeo a imensa diferença entre uma placa gráfica GAMER e uma destas placas profissionais. Um desenho complexo em CAD era rotacionado na tela menos de um frame por segundo com a NVIDIA GeForcemais sofisticada a mais de cinqüenta frames por segundo usando uma Quadro. Isso tem explicação. As placas gráficas “gamer” são otimizadas para DiretcX enquanto as placas profissionais (para Workstations) são otimizadas para OpenGL, a interface gráfica usadas nas aplicações profissionais. Assim ficou muito claro para mim que pegar um PC com um ótimo processador e plugar a mais sofisticada GeForceou Radeon que encontrar, não faz desta máquina uma WORKTATION, no sentido puro e exato da palavra.
A apresentação que participei era na verdade uma sessão “mãos na massa” (“press clinic”), ou seja, pudemos manipular e até desmontar as máquinas. E confirmo que não foi necessário usar uma ferramenta sequer. Até conseguimos montá-las de novo!!!!

Ao desmontá-las que se vê o cuidado do projeto. A fonte de alimentação atende a norma 80 plus, que garante eficiência energética de 85% sendo que a fonte da Z800 excede esta especificação com 89% de eficiência. As memórias da Z800, por exemplo, têm um cooler duplo para resfriá-las. A propósito, há 12 ou mais coolers na Z800 e não se ouve barulho algum de todas estas ventoinhas em operação, fiquei espantado com isso. Há condição de encomendar a máquina com refrigeração líquida para que a mesma possa ser estressada com um competente overclock. Segundo a HP cada uma das Workstations da série Z tem cerca de cinco configurações disponíveis com diferentes opcionais. Mas ao contrário da política da HP para computadores pessoais, o cliente pode solicitar uma máquina customizada, conforme suas necessidades (CTO-Configure To Order).
As máquinas podem ser compradas com Windows Vista 64 bits, XP 64 bits (Windows 32 bits se comprada com menos de 4 Gb de memória) ou RedHat/Novell SUSE Linux, discos SATA, SAS ou SSD, RAID 0, 1, 5 ou 10, DVD, DVD RW ou Blu-ray writer, placas de rede Gigabit dual e placas de rede adicionais como opcional. A gama de opções é distinta entre Z400, Z600 e Z800.
A família traz algumas soluções de software interessantes. A começar pela proximidade que a HP tem com os fornecedores de softwares para este ambiente de alto desempenho como Autodesk, Adobe, ATI e Nvidia (drivers), etc. Além disso, a ferramenta HP Performance Tuning Framework, que acompanha o equipamento, permite analisar com bastante detalhe o comportamento da máquina e realizar ajustes finos para melhorar o desempenho. O HP SkyRoom é um software opcional (comprado a parte) que permite colaboração em aplicações por até 4 participantes, com mensagens, áudio e vídeo entre eles.

Outra solução de software que pode ser usada nas Workstations é virtualização, principalmente para casos nos quais são necessárias aplicações de alto desempenho que rodem em Windows e também em Linux. A empresa PARALLELS lançou no começo de junho um sistema que permite ter acesso físico (direto) à placa de vídeo em uma Workstation. Assim um sistema com duas placas de vídeo, baseado em Windows (por exemplo), pode rodar um Linux virtualizado que acessa a diretamente outra placa de vídeo. Desta forma as aplicações gráficas que rodam virtualizadas rodam igualmente bem quando comparadas a uma máquina física. É um imenso salto, uma nova possibilidade que acelera centenas de vezes o desempenho quando comparado com a placa de vídeo virtualizada e uma placa física dedicada à máquina virtual. Uma Workstation da série Z pode sair de fábrica com o software da Parallels instalado (licença paga à parte).
Durante a apresentação, na qual pudemos por nossas próprias mãos, mas máquinas, nosso amigo e colega do site ZUMO, Mário Nagano, estava prevenido e sacou seu pendrive e mais que prontamente fez questão de rodar o teste SUPERPI na Z800, a mais sofisticada da família que contava com um processador Xeon 5500 de 3.2 Ghz. Decerto que este teste (o SUPERPI) quase ofende a Z800 por sua simplicidade e baixa adequação para tirar proveito desta super máquina, mas não deixa de ser um parâmetro. E assim foi feito: SUPERPI com 1 milhão de casas em 12 segundos e com 32 milhões de casas em 11 minutos e 33 segundos. E olha que o SUPERPI é um teste monocore, pois se fosse multicore estes tempos seriam completamente esmagados!
Este mundo das Workstations é fascinante e de usos bem especializados, mas é importante saber que temos tecnologia disponível para toda esta grande gama de aplicações sofisticadas. No Brasil empresas como GM são grandes usuárias deste tipo de equipamento com algumas centenas de máquinas. É um mercado que cresce, apesar do preço das máquinas. A mais barata delas começa em R$ 4.500,00 e podendo chegar a valores muito altos nas configurações mais sofisticadas. Portanto quem precisar “mastigar números” e usar programas gráficos de alta complexidade, simulações, etc. tem nas Workstations sua melhor alternativa.

