Para Augusto César Gadelha, do MCT, estimativa de preço dos fabricantes reflete insegurança quanto ao mercado brasileiro e ao middleware
As estimativas de fabricantes de que o set-top box para a TV digital brasileira custará entre R$ 600 e R$ 800 estão fora da realidade. “É absurdamente alto. Não faz sentido. Vão chegar a valor mais baixo até dezembro”, afirmou Augusto César Gadelha, secretário de política de informática do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Segundo ele, estas estimativas refletem uma insegurança quanto ao potencial do mercado brasileiro e ao middleware que estará disponível no equipamento, o Ginga, sistema que está sendo desenvolvido no Brasil. “Pode ser também uma questão de competição entre eles (fabricantes) ou tentativa de fazer o governo chegar mais forte nos subsídios”, completou.
Na semana passada, o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou mais uma vez que os set-top boxes chegarão ao mercado brasileiro em dezembro custando R$ 200, com possibilidade de redução de preço de 40% a 50% no período de seis a oito meses.
O grande problema destacado pelos fabricantes tem sido o alto custo dos componentes de suporte à tecnologia de compressão MPEG-4. De acordo com Herberto Macoto Yamamuro, diretor da área de operadoras e telecomunicações da Nec do Brasil, para cada equipamento com suporte a MPEG-4 produzidos hoje, são produzidos 10 de MPEG-2. Mas o quadro começa a mudar no ano que vem. “O padrão começa a entrar em escala comercial no ano que vem, com a adoção por parte dos japoneses”, destaca.
Segundo previsões da Nec, a implantação da TV digital no Brasil deve movimentar R$ 20 bilhões nos próximos 10 anos e gerar pelo menos 25 mil empregos diretos no Brasil. “Para 2007, nossa expectativa inicial era ter três transmissores instalados no Pais. Já temos entre 15 e 20 em instalação”, comentou. Ainda segundo previsões da fabricante, até 2013, 33 mil de seus transmissores devem estar instalados nas emissoras brasileiras.