O Brasil acaba de dar um passo significativo rumo à autonomia tecnológica. A Meetkai Brasil, empresa criada a partir de parceria estratégica entre investidores brasileiros e a norte-americana Meetkai Inc., anuncia o lançamento da primeira inteligência artificial soberana do país, capaz de raciocinar inteiramente em português e com infraestrutura de dados localizada em território nacional. […]
O Brasil acaba de dar um passo significativo rumo à autonomia tecnológica. A Meetkai Brasil, empresa criada a partir de parceria estratégica entre investidores brasileiros e a norte-americana Meetkai Inc., anuncia o lançamento da primeira inteligência artificial soberana do país, capaz de raciocinar inteiramente em português e com infraestrutura de dados localizada em território nacional.
A iniciativa surge como resposta direta ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado em julho de 2024 pelo governo federal, que estabeleceu como prioridades o desenvolvimento de uma IA que processasse informações em português e garantisse soberania digital à população brasileira.
“Quando o presidente Lula lançou o PBIA, ele incutiu dois enormes desafios para a indústria: uma IA que raciocinasse em português e uma IA que fosse soberana para a população brasileira”, explica Alessandro Quattrini, CEO da Meetkai Brasil.
Segundo a empresa, o grande diferencial da plataforma está em sua capacidade de processar informações diretamente em português, sem necessidade de tradução. Enquanto outras IAs disponíveis no mercado recebem consultas em português, traduzem para inglês ou mandarim, acessam bases de dados nesses idiomas e depois retraduzem as respostas, a solução da Meetkai Brasil eliminaria essas etapas intermediárias.
“Nosso modelo dispensa a tradução. Ele é capaz de receber a consulta em português, consultar uma base de dados construída para o Brasil e já apresentar a resposta”, afirma Quattrini.
Questionado sobre dados que comprovem o pioneirismo da solução, o executivo reconhece que a avaliação depende de benchmarks realizados por operadoras independentes. “No nosso entendimento, nenhuma outra plataforma raciocina em português. Agora, eu não quero parecer ser parcial, quem tem mais qualificação técnica para responder isso é quem tem acesso às outras plataformas e pode comparar a nossa com as demais que existem no mercado”, pondera.
A plataforma foi treinada com uma base de dados que conta atualmente com 32 bilhões de parâmetros em português do Brasil, incluindo variações regionais, sotaques e até dialetos. A empresa planeja, ainda, incorporar idiomas de povos originários brasileiros.
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Para validar a eficácia do sistema, a Meetkai Brasil conduziu testes utilizando exames de referência nacional. Nos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) dos últimos cinco anos, a IA alcançou percentual de acerto entre 85% e 90%. No Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a precisão ficou entre 93% e 95%. A plataforma também foi testada tendo como base o Diário Oficial da União.
O conceito de “IA soberana” vai além do idioma. Quattrini explica que implica garantir que o fluxo de informações de cidadãos e empresas brasileiras permaneça em servidores localizados em território nacional, inacessíveis a outros estados ou entidades estrangeiras.
“O risco que existe em uma IA que não seja soberana é que o fluxo de informações de cidadãos brasileiros, de empresas brasileiras, vai parar em servidores fora do território brasileiro e, portanto, acessíveis a outros estados soberanos”, alerta o executivo.
A solução opera na nuvem brasileira, sendo implementada diretamente na infraestrutura dos clientes. “O que essas empresas, sejam elas públicas ou privadas, precisam nos disponibilizar é a nuvem delas, para que aí nós incluamos a nossa plataforma”, explica Quattrini.
Essa arquitetura atende a marcos regulatórios nacionais como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Marco Civil da Internet.
Embora a plataforma possa ser aplicada em diversos segmentos, alguns setores despontam como prioritários devido à criticidade dos dados que processam. O setor público, que lida com informações de cidadãos, e o setor de saúde, que envolve questões éticas relacionadas a dados médicos individuais, estão entre os principais alvos.
Instituições financeiras também representam mercado estratégico. “Bancos lidam com dados como imposto de renda das pessoas, ou então até banco público, como a Caixa, que ao decidir conceder crédito para aquisição de uma casa própria, também acessa base de dados muito sensíveis”, exemplifica o CEO.
A empresa já disponibiliza a plataforma para testes por empresas públicas e privadas interessadas em avaliar a solução.
A Meetkai Brasil é fruto de parceria entre investidores brasileiros, que detêm a maioria das ações, e a Meetkai Inc., empresa californiana sediada em Los Angeles que atua como acionista minoritária e fornecedora de tecnologia.
A escolha da parceira norte-americana levou em consideração seu modelo de negócios independente, sem vínculos com o governo dos Estados Unidos. Entre seus principais clientes estão empresas privadas chinesas e indianas, segundo Quattrini.
Essa independência foi considerada fundamental para viabilizar o projeto de uma IA verdadeiramente soberana, alinhada aos interesses nacionais e não sujeita a pressões geopolíticas.
Com o lançamento oficial, a Meetkai Brasil trabalha para expandir sua base de dados e aprimorar continuamente o modelo, que se retroalimenta à medida que opera. A empresa espera, nos próximos meses, divulgar resultados concretos dos testes realizados por clientes, respeitadas as condições de confidencialidade.
“Para nós é muito claro que é muito importante para o Brasil que a nossa inteligência artificial seja soberana, até como uma questão de Estado, mais do que como uma questão de governo”, conclui o executivo.
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