Concorrente do Street View, do Google, nem bem chegou ao mercado e já é questionado quanto à privacidade
A Microsoft está se preparando para introduzir seu serviço de imagens de rua, o Streetside, na Europa, mesmo com os problemas de privacidade nos Estados Unidos ameaçando os prestadores de serviços e publicitários com as regras de limitação de coleta de dados. No dia 12 de abril, os senadores propuseram uma legislação de privacidade que – se for aprovada – requererá que as companhias online forneçam mais detalhes sobre como eles usam os dados dos clientes e como obtém consentimento para a coleta dessas informações pessoais.
Lançado no final de 2009 nos Estados Unidos como o recurso Bing Maps Beta, o Streetside tem evitado a polêmica suscitada pelo Google Street View, que foi lançado em meados de 2007.
O Google demorou a perceber a extensão que os interesses de privacidade teriam em brecar sua capacidade de inovar. A empresa teve que lidar com incidentes em que um motorista do Street View invadiu uma base militar no Texas e outro encontrou sua rota bloqueada por moradores suspeitos no Reino Unido. Teve que camuflar placas de carros e rostos para convencer os governos a não banir o Street View. Teve que refazer imagens, quando autoridades no Japão se opuseram ao posicionamento das câmeras por estarem altas o suficiente para enxergar por cima de muros de propriedades privadas.
E, assim que a oposição à empresa estava começando a ganhar força, o Google revelou que tinha inadvertidamente coletado dados desprotegidos de Wi-Fi por meio de seus carros do Street View. Multas e processos se seguiram a isso.
Somente no ano passado, com a nomeação de Alma Whitten para diretoria de privacidade para produtos e engenharia, pareceu que a empresa havia acordado para o impacto das gafes de privacidade.
A Microsoft, ainda cheia de cicatrizes de suas batalhas de regulamentação de décadas atrás, sabiamente evitou contato com essa questão e vem trabalhando para tornar a privacidade um ponto de diferenciação competitiva. Tem consistentemente se apresentado com defensora da privacidade e vem sendo rápida em apoiar conceitos como a proposta para navegadores de rede “do-not-track”.
A empresa vem mantendo sua postura pró-privacidade com o Streetside.
“A privacidade está incorporada em tudo o que fazemos”, afirmou à BBC, David Coplin, diretor de pesquisa da Microsoft do Reino Unido.
A companhia insiste que suas imagens de rua e o Bing Maps “foram concebidos tendo em mente preocupações de segurança e privacidade”. Disse que seu software irá automaticamente detectar e desfocar rostos e placas de identificação e que a empresa aceita pedidos para camuflar ou remover imagens de pessoas, casas, carros, atos de violência, nudez e material ilegal.
Isto não é significativamente diferente do que o Google faz agora, mas a empresa pode fazer tais declarações liberada pelo passado que assombrou a sua competidora. Ou quase: a Microsoft terá que fornecer aos alemães o direito de optar por não ter o Streetside, um direito estabelecido como resultado às objeções ao Street View do Google. Mas além disso, a empresa tem consultado os reguladores Europeus para facilitar sua passagem através do emaranhado de regulamentos de privacidade europeia.
Segundo um porta-voz da empresa por e-mail: “Vamos cumprir integralmente as leis que se aplicam em cada país. Isso vai inevitavelmente levar a pequenas variações de como e quais informações coletaremos em alguns mercados, mas o princípio sobre a que o serviço se destina será o mesmo em cada um desses países”.
Os motoristas da Microsoft estão atravessando o Reino Unido e espera-se que atinjam as estradas continentais no próximo mês.
Estimando que consiga realizar essa empreitada com sucesso, a empresa pode pensar além e monetizar suas imagens do Streetside e mapas na Europa, por meio de serviços baseados em localização e publicidade – particularmente em dispositivos móveis – isso se e quando os dispositivos Windows Phone 7 decolarem.
(Tradução: Alba Milena | Revisão: Adriele Marchesini)
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