Conheça a lição que a companhia ainda não aprendeu
A citação “nenhum novo recurso” faz muito sentido quando o software é difícil de entregar. Apenas o custo de queimar CDs já justifica a falta de mudanças e qualquer coisa que não é absolutamente necessária é um risco que não vale a pena correr. Além do mais, quando é esperado que usuários gastem mais dinheiro com uma nova versão, não há muito incentivo para se adicionar recursos à antiga. Toda essa equação muda quando o software é gratuito ou é pago por inscrição. Usuários querem melhorias, mas não desejam mudanças radicais que compliquem atualizações.
Adicionar recursos complexos ou radicais também dificulta as atualizações. Seria difícil imaginar a atualização do Office 2003 para o Office 2007 em uma organização de porte médio e grande. A aplicação se transformou de muitas maneiras – formato de arquivos, interface do usuários, menus, recursos de desenvolvimento – para pensar em tal mudança. Em situações como essa, faz sentido planejar com cuidado. Mas a resistência que os clientes tiveram com o Office 2007 mostrou que uma abordagem incrementada sem novos recursos radicais, pode ter uma boa recepção.
Os dias de recursos levando a novos lançamentos, destinados a seduzir clientes a pagar por uma atualização, estão acabando. Software como um serviço (Software as a service) não é apenas “executar coisas no servidor” ou “escrever aplicativos em HTMS e Javascript” ou “pagar por uma inscrição”. Um bom serviço tem que ser como água, eletricidade ou conectividade na internet. Tem que ser confiável, disponível, previsível e compatível com o que está conectado a ele. Ninguém aceitaria um novo serviço de distribuição de água para sua casa ou empresas que exigisse retirar os canos existentes. Esse é o tipo de motim causado por uma nova versão de software com mudanças de recurso em formato de big-bang.
O navegador fornece uma oportunidade para a Microsoft mudar sua abordagem de controle de versão. Com a versão 9, o Internet Explorer alcançou um patamar que é sólido e compatível com os padrões suficientes para implementar o tipo de liberação rápida de ciclo que o Google Chrome já está usando e o o Mozilla Firefox pretende adotar ainda esse ano. A frase “navegação é um recurso” tem sido utilizada nas salas de Redmond por anos. Com os dois principais concorrentes do Internet Explorer navegando em um nível alucinante, vai ser uma desvantagem competitiva se ele aguardar anos para grandes adições.
Para fazer esse tipo de abordagem funcionar, usuários e empresas precisam se sentir confiantes que atualizações fluídas não vão derrubar aplicativos existentes e Web sites. Essas atualizações também não podem fazer mudanças na interface do usuário que cause confusão ou reduza a produtividade. Minha experiência com o Chrome e com a maioria dos serviços com base de rede mostra que isso é possível. O principal é fazer mudanças incrementais e se focar em pequenas melhorias. Com o passar do tempo, as pequenas coisas se somam.
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