Executivos falam sobre obstáculos existentes nessa mudança e comentam interoperabilidade de plataformas
A evolução de padrões tecnológicos é algo natural, situação da qual não se consegue fugir. Na telefonia padrão, por exemplo, o GSM chegou, ganhou espaço e tomou conta do mercado brasileiro. É verdade que, em alguns países, o CDMA tem força, mas a mudança era inevitável. No caso de protocolo IP, a indústria passa por situação similar. Aos poucos, o IPv4 dá lugar ao IPv6, mas muitos obstáculos ainda estão no caminho para que essa troca aconteça.
De acordo com o presidente da Alog, Sidney Breyer, o IPv4 está acabando e se tornando restrito. Ele lembrou que, no início, era algo de baixo custo e ofertado até gratuitamente, mas, agora, que está ficando escasso, as empresas que utilizam precisam pagar. “O processo de migração é lento. Tem muita gente que não está investindo, muito equipamento não suporta IPv6, será complicado e faltará IP”, alerta.
A posição de Breyer é compartilhada por Gil Torquato, presidente do UOL. Ele afirma que apenas os grandes players estão mobilizados e investindo para que essa migração seja uma realidade. “Essa nova versão resolverá muita coisa. É um desafio para todo mundo, não só para o Brasil”, compara.
No caso da Embratel, além de discutir essa migração de versões do protocolo IP, a companhia vive outro dilema, só que este em relação à tecnologia X.25, utilizada para aplicações de cartão de crédito. “Continuamos com a solução, mas será migrada para IP. Já temos clientes utilizando MPLS para cartão, mas o mercado ainda demanda essa tecnologia”, afirma o diretor-comercial da empresa, Fausto Mello.
Mello comenta também um ponto fundamental para clientes IP: a interoperabilidade de redes. De acordo com o executivo, há um grande caminho a ser percorrido. “Está próximo de convergir, mas ainda há um espaço para isso.” Ele afirma ainda que do lado dos consumidores a tarefa é ensinar como a tecnologia pode ser usada e o que agregará à companhia, citando como exemplos a possibilidade de home office, sem perda de eficácia e dispensa de reuniões presenciais. “Tem que sair da discussão infraestrutura e custo para debater aplicações.”
Os executivos debateram o tema durante o Business Over IP, evento que aconteceu nesta terça-feira (11/08), em São Paulo.
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