Incumbido em outubro da tarefa de preparar a telco para a venda, Thompson afirma ter recebido três propostas, todas com valores aumentados
Tomar o avião em Belo Horizonte para o fim de semana em São Paulo era uma rotina de toda sexta-feira, mas na última o presidente das holdings Telemig e Amazônia Participações, Oscar Thompson, chegou ao aeroporto de Confins com uma sensação forte de missão cumprida. A assinatura dos acordos de venda das duas companhias para a Vivo na noite anterior, no Rio, por R$ 1,2 bilhão, pairava como um coroamento, um cumprimento divino.
Incumbido em outubro da tarefa de preparar as teles para a venda, Thompson selecionou o banco de investimento Merrill Lynch dia 2 de dezembro e de lá para cá uma rotina de trabalho árduo não deu pausa para nenhum outro assunto. “Foram exatos oito meses, cada processo é como um filho, com desafios e dificuldades”, comentou o executivo de 41 anos, egresso da sede nova-iorquina do banco suíço UBS, onde lidava com finanças corporativas de empresas latinas de telecomunicações.
“Foi sorte as teles serem desejadas”, ponderou referindo-se à atração de três interessadas firmes: Claro, Oi e Vivo.
Depois de encaminhar mundo afora mais de dez cartas-convite a operadoras, bancos, fundos de pensão e potenciais interessados, o Merrill Lynch pediu propostas concretas não-vinculantes, com sugestão de valor. “Recebemos três e as três foram reafirmadas e tiveram valores aumentados”, afirmou Thompson sem revelar valores nem condições do contrato.
No escritório do Machado, Meyer, Sendacz e Opice, na sede paulistana da Faria Lima, um grupo de vinte pessoas ficou internado de 16 de julho a 2 de agosto, sem sair para almoçar nem jantar, avançando na madrugada e recomeçando cedo para construir as minúcias da redação dos contratos de mais de 50 páginas, fora os anexos. É praxe, nesses casos, os advogados de ambas as partes não conhecerem os valores do negócio, disse Adriana Pallis, da área de fusões e aquisições. “A gente faz o texto e deixa espaços para os interessados preencherem.”
A missão está cumprida mas ainda não acabou, disse Thompson lembrando que ainda há muitas etapas a vencer, como a aprovação pela Anatel e Cade, realização de assembléias em todas as envolvidas, oferta de compra de ordinárias e preferenciais, e muito mais, inclusive o pagamento de R$ 1,2 bilhão. Mas agora Telemig e Amazônia já pertencem à Vivo, e isso faz toda a diferença.