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6 mitos e verdades sobre o uso de IA no setor jurídico

A capacidade de lidar de forma eficiente com grandes volumes de dados e informações é um dos diferenciais prometidos pela inteligência artificial. Ela pode, segundo as empresas que comercializam soluções do tipo, automatizar tarefas repetitivas e liberar especialistas para atividades de maior valor. Não é diferente no setor jurídico, em que equipes precisam lidar não […]

Publicado: 12/03/2026 às 04:51
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5 minutos
setor juridico, Heitor Miranda., docusign
Construção civil — Foto: Reprodução

A capacidade de lidar de forma eficiente com grandes volumes de dados e informações é um dos diferenciais prometidos pela inteligência artificial. Ela pode, segundo as empresas que comercializam soluções do tipo, automatizar tarefas repetitivas e liberar especialistas para atividades de maior valor. Não é diferente no setor jurídico, em que equipes precisam lidar não só com grandes volumes de documentos e processos, mas também ritos e regras.

“O uso da IA no setor jurídico contribui para o aumento da precisão e a redução de erros, aspectos fundamentais na área jurídica. A capacidade de processar e analisar rapidamente grandes volumes de dados resulta em uma melhor tomada de decisão”, defende em comunicado Heitor Miranda, líder de jurídico da Docusign na América Latina. “Ela não substitui o papel humano no Direito, mas amplia sua capacidade de atuação.”

O especialista compartilha a seguir alguns mitos e verdades que envolvem o tema.

  1. A IA representa um risco para o emprego dos advogados

Mito: A perspectiva predominante é que a IA não substitui o advogado, mas potencializa a capacidade de entrega. Profissionais que saírem na frente e aliarem a tecnologia ao trabalho serão ainda mais bem-sucedidos. A IA permite que o profissional deixe de fazer a revisão de contratos ‘na unha’, oferecendo sugestões de redação e apontando riscos.

  1. A IA é uma ótima tecnologia para gerenciar acordos

Verdade: Atualmente, muitos contratos ainda são arquivos estáticos, com dados que, devido a processos desatualizados, permanecem ocultos. Sem dados estruturados ou a capacidade de extrair insights, o profissional corre pelo menos dois riscos: o de ficar bloqueado por uma pilha de trabalho, sendo menos eficiente, e o de tomar decisões não embasadas em dados e, portanto, menos estratégicas.

Leia também: Justiça alemã condena OpenAI por violação de direitos autorais

A IA também se torna valiosa ao automatizar tarefas repetitivas, liberando o profissional para atividades de maior impacto. Com mais tempo disponível, o profissional pode se tornar um negociador mais eficaz, aprimorar a base de dados de contratos para decisões mais impactantes, gerar inteligência para a organização e posicionar-se como um parceiro estratégico de negócios qualificado.

  1. IA no segmento jurídico precisa ser treinada

Verdade: A eficácia da IA depende da qualidade dos dados que recebe. Se os dados forem incompletos, tendenciosos, desatualizados ou incorretos, as análises da IA serão comprometidas. Além disso, a IA pode cometer erros devido a modelos limitados que não compreendem nuances contextuais ou ambiguidades linguísticas, ou por vieses algorítmicos.

Por isso, é crucial que as equipes jurídicas sejam criteriosas na escolha de soluções de IA. Em outras palavras, a expertise em tecnologia desenvolvida especialmente para a gestão de acordos é um diferencial fundamental. Para que a IA realmente revele valor dos contratos, a tecnologia deve ir além da análise básica. Ela precisa ser treinada em conjuntos de dados ricos, diversos e consentidos, integrar-se perfeitamente com sistemas de trabalho e oferecer segurança, escalabilidade e confiança de nível empresarial.

  1. Pequenos departamentos jurídicos e escritórios não conseguem aproveitar a IA

Mito: Os pequenos departamentos jurídicos e escritórios também podem se beneficiar desse tipo de tecnologia. O ganho de produtividade é um dos resultados mais relevantes para esse tipo de organização, pois a IA ajuda equipes enxutas a automatizar tarefas repetitivas, como elaboração de minutas, triagem de documentos e acompanhamento de prazos. Além disso, a IA proporciona um posicionamento estratégico, permitindo que esses times ofereçam serviços com a mesma agilidade dos grandes, equilibrando a competitividade.

  1. Gestão de acordos com uso da IA é benéfica para o setor jurídico

Verdade: Processos tradicionais baseiam-se em atividades repetitivas, com alto foco em detalhes dos contratos e das regulações – e que estão sujeitas a erros humanos. Isso causa perda de tempo, de insights e de dinheiro, sobrecarregando as operações cotidianas das equipes jurídicas. Hoje, a IA pode ser aproveitada para criar, formalizar e gerenciar os acordos e, assim, aumentar a eficiência, reduzir riscos e obter mais valor dos contratos.

  1. Apenas IA irá solucionar os meus problemas de produtividade

Mito: Mais importante do que investir em IA é entender o seu problema. A IA é excelente para otimização, mas a tecnologia não resolve, por si só, um problema de estratégia ou de processo. Investir nas pessoas tem igual importância, pois o verdadeiro diferencial competitivo depende menos de ferramentas e mais de um time que atue de forma inteligente.

É preciso focar no uso – a conveniência de um software pode ser atraente, mas a verdadeira eficiência só é alcançada quando a ferramenta é realmente útil para a sua rotina.

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