De acordo com a consultoria, é esperado que as ‘incumbents’ consigam manter suas posições de liderança em seus mercados no médio prazo
As operadoras telefônicas fixas Telefônica, Brasil Telecom e Oi enfrentam a dualidade de possuírem fortes posições de mercado e ao mesmo tempo serem as mais vulneráveis à competição de serviços de voz prestados por operadoras celulares ou de TV por assinatura, como Vivo, Claro, TIM, e Net.
A Oi e a Brasil Telecom vivem um mundo um pouco diferente por atuarem duplamente nos segmentos de telefonia fixa e celular, acabam compensando a redução progressiva das receitas de voz fixa com a concomitante ampliação igualmente progressiva de suas receitas de voz móvel. “Apesar da pressão competitiva, é esperado que as ‘incumbents’ consigam manter suas posições de liderança em seus mercados no médio prazo”, afirmou o analista senior da Moody’s, Richard Sippli.
O especialista prevê que as teles celulares enfrentem desaceleração no aumento das receitas, fruto do amadurecimento do mercado. A título de reação, Sippli acredita que as operadoras vão focar fortemente em novos clientes com menor poder aquisitivo.
Esse caminho tem prós e contras. Ao mesmo tempo que expandir a base eleva a receita, atrair clientes de baixo poder aquisitivo gerará aumento dos minutos de uso e pressionará as margens operacionais das teles para baixo, diz o analista. Nesse caso, um alívio para as margens poderá ser a redução dos subsídios para aquisição dos aparelhos celulares. A estratégia da Oi, que promete desembarcar em São Paulo em meados deste ano, está centrada justamente no não-subsídio aos aparelhos e na competição acirrada com as outras provedoras de voz, tanto fixas quanto celulares.
Em relatório publicado há poucos dias, a Moody’s procura prever os principais passos da indústria de telecomunicações para os próximos 12 a 18 meses.
Introdução à 3G
Para Sippli, a introdução da terceira geração celular constitui-se no principal foco dos investimentos dos próximos trimestres. No entanto, por acarretarem retorno de longo prazo, esses desembolsos tendem a pesar na estrutura financeira das operadoras móveis.
Outro fator de pressão nos custos das teles, lembrado por Sippli, é decorrente do formato do leilão de 3G, realizado em dezembro e responsável pela vendas das licenças a todas as teles. O leilão pressupõe investimentos também em segunda geração, dotando cerca de 2 mil municípios mais distantes da telefonia celular que não possuíam.
Consolidação à vista
Para o analista, a fase de consolidação que se aproxima será benéfica à indústria da telefonia brasileira, pois os grupos ficarão financeiramente fortalecidos e, com maior escala operacional, deverão gerar importantes ganhos de sinergia e portanto melhores margens operacionais nos próximos trimestres. Sippli referiu-se à compra da Telemig pela Vivo e da Amazônia e Brasil Telecom pela Oi.