Fábrica brasileira exporta mesmo volume que no ano passado
A baixa do dólar frente ao real atrapalhou, mas não impediu que a Motorola exportasse este ano o mesmo ou mais do que no passado. De janeiro a junho deste ano, a americana registrou embarques 3,59% superiores em dólar aos do mesmo período do ano passado, ou seja, US$ 654,5 milhões.
“A tendência é aumentar a quantidade de aparelhos celulares para ampliar o montante”, afirmou o presidente da unidade brasileira, Enrique Ussher. “A tecnologia sempre barateia, então a empresa procura lançar produtos novos, que incentivem a compra”, disse.
Em 2008, a Motorola deverá lançar de 30 a 35 novos telefones – 14 foram anunciados até junho. O dólar baixo reduz os ganhos dos embarques mas tem o efeito também de reduzir custos de importações de componentes. Os telefones produzidos em Jaguariúna (SP) têm mais de 80% de seu valor total em componentes importados. Ussher afirma que a empresa busca o equilíbrio entre os mercados externo e interno e se o dólar atingisse R$ 1,80 seria preferível.
No Brasil, a mão-de-obra é mais cara que a chinesa, por isso é necessário haver uma busca incessante por economia com processos, para não perder a competitividade. “A China, ao contrário, agrega mais o fator mão-de-obra quando busca competição”, afirmou. Embora o mercado internacional seja muito vigoroso, o ambiente doméstico também mantém seu vigor e estimula as exportações, uma vez que a escala resultante da soma dos dois segmentos amplia a escala e barateia o custo final.
Depois de vender entre 40 milhões e 45 milhões de aparelhos em 2007, o País deve ampliar ainda mais as vendas internas pois as trocas são cada vez mais numerosas e crescem na mesma proporção que o mercado propriamente dito. Este ano, a Motorola continua suprindo os mercados de exportação e local. “Já faz parte do nosso DNA suprir a demanda doméstica e a dos países vizinhos, especialmente Argentina e Colômbia”, disse Ussher.
As duas líderes, Motorola e Nokia, permanecem à frente do mercado interno por 18 meses, oscilando entre o primeiro e segundo lugares por pequena diferença de pontos, entre 25% e 30%, conforme auditoria da Nielsen.
Em termos de exportações, porém, a Nokia tomou outra orientação e reduziu seus embarques há alguns anos. No primeiro semestre, a finlandesa instalada em Manaus embarcou US$ 205 milhões, menos que a metade da concorrente, mas ainda assim representou o primeiro lugar do Pólo Industrial de Manaus. Como a redução havia sido mais drástica no ano passado, os embarques deste ano chegaram a representar um avanço de 116% na comparação entre 2008 e 2007.
No cômputo geral, a Motorola figura na 18ª posição entre os exportadores brasileiros, sendo o primeiro da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) há muito tempo.
As exportações são uma vocação para a fabricante de origem americana, mas o mercado interno continua desafiador. Embora se esperasse uma queda de novas vendas (para pessoas que não eram clientes), o mercado continua surpreendendo. Há expectativas da indústria de que os 20% de expansão dos últimos anos se mantenham em 2008, com vendas de 45 milhões a 50 milhões de aparelhos no total. A proporção de trocas em relação aos novos entrantes é que muda, passando a 60% o que até bem pouco tempo era 40%.