Americana recupera a primeira posição em agosto, atingindo participação de mercado de 29,7%
A Motorola recuperou, em agosto, da rival finlandesa Nokia a posição de primeira colocada em vendas no mercado brasileiro, depois de ter liderado do fim de 2004 a 2005, segundo acompanhamento do segmento de aparelhos celulares da Nielsen. As duas empresas disputam há anos com força a liderança do setor brasileiro, sem que nenhuma delas conseguisse se distanciar. A Nokia passou de 30,9% em julho para 29% em agosto, enquanto a Motorola subiu de 27,5% para 29,7% no mesmo período.
O resultado foi uma vitória pessoal para o novo diretor geral de produtos móveis, Sergio Buniac, que assumiu o comando no Brasil há pouco mais de três meses. O resultado é em especial relevante por ser oposto ao que a Motorola passa no exterior. A empresa viu a Nokia se distanciar na liderança de vendas mundiais, enquanto não lançava nenhuma linha com a mesma força da Motorazr, que deu à empresa seus melhores resultados. Por fim, no segundo trimestre deste ano, teve um prejuízo operacional de US$ 38 milhões e perdeu a segunda posição para a Samsung. A Nokia vendeu no período 100 milhões de aparelhos, a sul-coreana Samsung, 37,4 milhões e a Motorola, 35,5 milhões.
No mercado brasileiro, a Samsung ocupa uma posição muito defasada em relação ao mercado mundial. O diretor da empresa no Brasil, Oswaldo Mello, justifica este fato dizendo que o grau de maturação do mercado doméstico é muito diferente do europeu e asiático, e por isso a Samsung não vende tanto aqui. Ou seja, os usuários brasileiros de telefonia celular são, em grande parte, usuários de voz e chegaram recentemente à base de assinantes. Foram atraídos por preços de aparelhos subsidiados pelas operadoras e ainda não fazem exigências maiores de aplicativos sofisticados nos aparelhos. “Nossos telefones sempre oferecem um diferencial e este portfólio tem mais sinergia com os mercados europeu e asiático, por isso nossa posição naqueles mercados é bem superior à brasileira”, diz Mello.
Mesmo assim, a Samsung tem crescido no País e sua fábrica de telefones celulares, em Campinas (SP), está ampliando sua produção para 6 milhões de unidades este ano. “Pretendemos chegar bem perto desse limite”, disse o executivo. Logo após o Dia das Mães, a empresa reviu o índice de crescimento das vendas deste ano para 30%, o que leva a um total aproximado de 32 milhões de aparelhos. A Samsung investe também em pesquisa e desenvolvimento de softwares de customização de aparelhos em conjunto com operadoras celulares.
Buniac credita o sucesso da Motorola no Brasil a uma série de iniciativas, em especial um investimento de ampliação de sua fábrica nacional, localizada em Jaguariúna (SP). A empresa não divulga o valor do investimento, nem de quanto foi o aumento de produção. Mas os bons resultados já trouxeram uma mudança representativa de expectativas para o fechamento de 2007. “Tínhamos expectativa de crescer 15% no País e agora estamos esperando entre 20% e 25%”, afirma.
Com 11 anos de atuação na Motorola, Buniac chegou ao comando no Brasil após passar 15 meses como diretor de vendas para a América Latina, no escritório mexicano da empresa americana.
Para o Natal, as apostas maiores continuam na linha Motorazr, com o lançamento brasileiro do V8, mais fino e com acabamento mais sofisticado. Mas por melhor que seja o resultado, dificilmente a empresa conseguirá em médio prazo repetir o sucesso do V3, que vendeu 100 milhões de aparelhos no mundo, uma média de 100 mil por dia desde seu lançamento.
A outra aposta está em tentar conseguir finalmente entrar com força, por meio da linha Rokr, no mercado de aparelhos com música digital, onde a Sony Ericsson e outras rivais já estão bem posicionadas.
“Estamos falando de música desde 2003, quando passamos a fazer o Motomix (evento de música com shows internacionais)”, diz. Mas, no caso dos aparelhos, a empresa fechou parceria com a Apple, para levar os recursos da loja virtual iTunes, que acabou dando poucos resultados. Para a Apple o acordo serviu mais como teste para seu iPhone, lançado este ano. “Depois disso, saímos por um tempo deste segmento e agora temos uma oferta realmente bem posicionada”, afirma.
A expectativa de crescimento do mercado para os próximos anos ainda é boa. “Hoje o Brasil tem uma penetração de 58% na população, similar ao da América Latina, com exceção da Argentina e Chile, que tem melhor resultado”, diz.
*Os jornalistas viajaram a convite do FutureCom