Marcegaglia substitui sistemas de gestão e implementa WMS para obter uma visão mais clara de sua manufatura
Quando começou a operar no Brasil, em outubro de 2000, a Marcegaglia, uma multinacional italiana de transformação de aço, preocupou-se em alinhar sua administração a um software integrado de gestão (ERP) de um provedor local. Na expansão dos negócios e com a inauguração de uma fábrica, a empresa identificou que a tecnologia usada não cumpria todas necessidades de gerenciamento de produção. “O sistema que tínhamos até 2002 não estava sincronizado às áreas de negócio”, recorda Celi Luciano Gonçalves, que nessa época ingressou na companhia para gerenciar o departamento de TI.
A indústria, então, sentiu a necessidade de investir em um novo ERP para dispor de um processo controlado de produção. A planta tem capacidade instalada para prover 7 milhões de condensadores aramados, 240 milhões de metros de tubos de aço para refrigeração, 250 mil toneladas de tubos de aço carbono, 6 mil toneladas de tubos de aço inoxidável, 13 mil toneladas de blancks e 45 mil toneladas de slitter.
As primeiras exigências para a escolha de uma nova fornecedora eram que ela fizesse a transição de todo o banco de dados existente e que deixasse disponíveis novos módulos, a serem implantados em menor tempo. Para chegar a este nível de detalhamento, Gonçalves assumiu o desafio de estabilizar e substituir o ERP existente e em seguida implantar o Logix, da Logocenter.
O fornecedor ajudou a formatar processos. “Queríamos uma reimplantação do sistema dentro de uma visão estruturada. Iniciamos naquela época a inserção de novos módulos, o treinamento das equipes e a adequação das funcionalidades”, detalha Gonçalves. Os trabalhos começaram na área de saída, que engloba do pedido de venda até a entrega do produto. “Focamos primeiro na parte onde entra o dinheiro”, justifica.
O passo seguinte foi atacar os pontos de entrada – da compra de produtos, recebimento e estoque. Quando essas duas frentes se estabilizaram, o time de TI começou a estender a solução para a manufatura. “Fomos fazer o gerenciamento da fábrica para gerar o custo de venda de forma integrada, online, com informações concretas e sólidas”, conta o gestor, mencionando que este processo caminhou entre 2002 e 2003. Na visão do gerente, enquanto toda parte “básica” não estivesse pronta, o projeto não entraria na segunda fase, quando os módulos seriam adicionados à espinha dorsal do produto.
A partir dessa base, Gonçalves, pouco tempo depois, pode instalar um aplicativo de business intelligence (BI) que ajuda a Marcegaglia a traçar suas estratégias de negócio com gráficos atualizados a cada 15 minutos. A estabilização do ERP ajudou, também, no processo de descentralização de vendas por meio de representantes. “Geramos uma independência de 90%. Os vendedores podem consultar o Logix para as questões de estoque, de crédito do cliente, dos pedidos colocados por ele, auxiliando sua venda”, explica. O sistema permite acompanhar todo o processo, desde as informações
Todo esse esforço culminou, em outubro de 2008, com a implantação de um módulo de gerenciamento de armazém (WMS, do inglês warehouse management system) da Totvs. O gerente classifica esse ponto como um grande desafio, devido às necessidades de personalização demandadas. “Hoje, eu consigo enxergar onde está localizado um fardo de tubo”, comemora o gerente de TI. O sistema apresenta todo o fluxo do produto, gerando um ganho de volume e velocidade de separação e busca no estoque. “Assim que abro as ordens de produção no ERP, passo para os sistemas das máquinas, onde os operadores identificam a necessidade de produção e buscam a matéria-prima correta”, detalha.
A solução de WMS disponibiliza também a administração do pátio, das agendas de recebimento e expedição por dia, hora e doca, além de definir prioridades para entrada e saída de produtos, administração da carga de trabalho, interface com o fornecedor para captura das notas fiscais, checagem dos itens recebidos e tratamento das divergências e danos, consultas e emissão de relatórios de todo a cadeia. O executivo não quantifica o investimento que ajudou a promover a revolução na companhia ao longo dos anos. Segundo Gonçalves, somente entre 2007 e 2008, a Marcegaglia aplicou R$ 2 milhões em tecnologia da informação, que visaram primordialmente à migração de sistemas para versão mais atuais.
Atualmente, 100% da produção é espelhada no software de gestão. Gonçalves lista como benefícios principais os ganhos em agilidade. “Outro ponto que consideramos ser importante é poder rastrear e a integração e confiabilidade das informações”, enumera. Justamente por tais questões, justifica o gerente, a opção de manter o máximo de sistemas possíveis originários de um fornecedor único – o que poderia ter sido um erro, caso da fusão Microsiga com a Logocenter (que originou a Totvs) desse errado. “Tivemos uma preocupação inicial”, recorda o executivo sobre o movimento. Tal sensação desfez-se quando a provedora apresentou o plano de investimento previsto na linha de produtos utilizada pela indústria.