Projeto de governança de TI em andamento na Nossa Caixa utiliza ferramenta da Compuware para o aperfeiçoamento contínuo e melhores práticas
Um projeto de governança não acontece do dia para a noite e consiste em um procedimento perene de melhorias contínuas, inovação e busca por melhores práticas. Na Nossa Caixa, o projeto de governança de TI nasceu em 2004, a partir de um plano mais amplo de governança corporativa, que pressupõe o alinhamento estratégico com os interesses da corporação.
O processo foi iniciado com base no Cobit (Control Objectives for Information and related Technology), um guia de gestão de TI para fazer o panorama da área, incluindo todo o ciclo de planejamento, entrega e monitoramento. A partir do mapeamento dos 34 processos do Cobit, a Nossa Caixa fez a análise do que estava faltando para, então, formular os projetos. ?Costumo dizer que o Cobit é o grande guarda-chuva, sob o qual estão todos os projetos e metodologias. Temos CMMi para desenvolvimento de software, Itil para serviços e PMBOK para projetos; mas quem faz a regência de tudo é o Cobit?, conta o gerente de divisão de planejamento de tecnologia do banco, Carlos Eduardo Pereira Lago. Para isto, a empresa adotou a ferramenta de automação e integração de processos de negócios ChangePoint, da Compuware.
Na Nossa Caixa, a governança de TI incorpora toda a parte de infra-estrutura e arquitetura, visão sistêmica e capital humano, contemplando grandes eixos de alinhamento estratégico, valor agregado, gerenciamento de risco, avaliação de desempenho e gestão dos recursos disponíveis. ?Para cada eixo temos projetos em andamento?, explica Lago. Entre eles, a adoção das disciplinas de gestão de demanda, de projetos, de indicadores, incluindo Balanced Scorecard (BSC), de negócios e de tecnologia e também gestão de custos.
?Ainda temos outras disciplinas em processo de implementação, como análise da capacidade ? o quanto há de recursos, pessoas, para atender determinada demanda, projetada para dois anos; gestão de mudanças, uma disciplina grande e complexa; integração com help desk ? todo o service desk está sendo migrado para dentro da ferramenta; e a quarta, gestão do conhecimento ? desde a criação das idéias, seu repositório e acesso?, detalha Lago. Por último, a Nossa Caixa implantará a gestão de todos os produtos do banco, que inclui desde o nascedouro das idéias de produtos e serviços, seu desenvolvimento e resultados, cujas informações ficam todas registradas no repositório da ferramenta.
A partir do planejamento, contemplado pela governança, a Nossa Caixa trabalha, em 2007, com orçamento de TI de cerca de R$ 330 milhões. Os investimentos consomem R$ 130 milhões e as despesas, como roll-out de projetos e contratos, os outros R$ 200 milhões. ?Seguimos os indicadores da Fundação Getúlio Vargas, que estimam os gastos em TI entre 18% e 20% do patrimônio líquido para empresas financeiras?, diz Lago.
A previsão é terminar o primeiro ciclo de gestão de TI em julho de 2008. ?A partir daí, todas as ações serão para aumentar o grau de maturidade?, acrescenta o executivo. Para avaliar o nível de governança são utilizados indicadores fornecidos pelo BSC. ?Ainda não chegamos onde queríamos, estamos em processo de transferência de conhecimento. É um processo comportamental, para que as pessoas tomem consciência do que significa governança de TI?, analisa Lago.
No entanto, o gerente adianta que a TI da Nossa Caixa já pode observar ganhos em eficiência. ?Encurtamos alguns processos, eliminando o que não agrega valor. Tudo mensurado pelo BSC?, afirma Lago. A dimensão financeira em telecom, por exemplo, mostra redução de custo de 50%, e diminuição no tempo de entrega. ?Todas as informações são apresentadas ao comitê de tecnologia, que presta contas para a diretoria executiva, em reuniões mensais sistematizadas?, salienta Lago. ?O projeto nunca tem fim. Eu diria que o alvo é móvel: à medida que você mira, ele se desloca?, brinca.
A ferramenta ChangePoint, que rege toda a governança de TI da Nossa Caixa, também é utilizada em tais reuniões. Atualmente, o banco dispõe de cerca de mil licenças, que abrangem todo o contingente de tecnologia e os principais executivos das áreas de negócios. O software está integrado com os grandes sistemas da corporação, como o service desk e o produto de controle de custo, da Hyperion. ?Já percebemos que todas as soluções devem migrar para o ChangePoint, seja de alta ou baixa plataforma. Avaliamos que ele tem escala para conduzir a gestão do banco e não só da tecnologia?, destaca. Esta observação indica que a governança, hoje em pleno vapor em TI, deve se estender para toda a corporação, projeto que deve ter início em 2009, segundo o executivo.
A questão cultural, uma das principais dificuldades da governança, é enfrentada com base em um projeto de comunicação das mudanças, que também tem caráter perene. ?Fazemos parcerias com instituições como Ibmec, FGV e USP, em busca de cursos, para formar e reter capital intelectual, estendendo este caráter inclusive a terceiros, por meio de multiplicadores?, ilustra Lago.