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Nova cara da convergência: desafios para os CIOs

Ofertas integradas de UC, ferramentas de colaboração e vídeo emergem como o futuro ambiente com que o CIO terá de lidar

Publicado: 10/05/2026 às 08:56
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Nova cara da convergência: desafios para os CIOs
Construção civil — Foto: Reprodução

Esqueça definitivamente os mundos segregados de tecnologia da informação e telecomunicações. Com os ambientes baseados em protocolo de internet, a velha e amplamente discutida convergência mostra-se um caminho sem volta. A novidade agora se chama complexidade, pois administrar este novo mundo integrado ultrapassa a fronteira do trio voz-dados-imagem. “O desafio fica ainda maior quando se comanda tudo remotamente por meio das redes IP, com sistemas inteligentes criando workloads”, destaca a diretora de comunicações da IBM para América Latina, Manzar Feres. Como exemplo, ela cita a indústria de energia elétrica, cujos benefícios vão além da leitura automatizada. “O futuro é dar acessos e comandos remotos para mudar regras de negócio e proporcionar mais serviços aos clientes, como ofertas personalizadas.” É o que o vice-presidente para mercados emergentes da Cisco América Latina, Jaime Valles, denomina de rede IP como plataforma, com todas as funcionalidades e soluções passando por ela.  

Neste cenário futurista, as ferramentas de comunicação unificadas, que levam a um único ponto de contato, estarão disseminadas. E, mais do que nunca, estar sempre conectado (da expressão em inglês always on) será uma realidade e uma necessidade. À mobilidade para comunicação vai se somar o acesso aos aplicativos empresariais desde qualquer localidade, nos já propagados (mas não tão difundidos) modelos de computação em nuvem e ofertas de hardware e software como serviço.

Com a “unificação” dos mundos de TI e telecom sobre as redes IP, a responsabilidade dos CIOs aumenta. Na medida em que estar fisicamente no escritório perde o sentido, os líderes de TI sofrerão mais pressão por mobilidade, conectividade, automação, integração de soluções, respostas em tempo real, entre tantas outras novas obrigações. Isto sem esquecer que a propagação de tecnologias para consumo com interfaces amigáveis faz a exigência dos funcionários aumentar. E a chegada da geração Y na força de trabalho torna inevitável para os CIOs pensar em ferramentas que permitam executar múltiplas tarefas simultaneamente.

No entanto, levar a cabo esse panorama requer (muitos) investimentos em infraestrutura de telecomunicações. Ou seja, é preciso banda mais larga, altas disponibilidade e capilaridade, maior velocidade de internet e melhor qualidade da rede. Um desafio que cabe às operadoras. Na outra ponta, os fabricantes de dispositivos móveis terão de se atentar para aparelhos que primem pela inteligência e pela facilidade de uso. “Quanto mais eles abrirem suas plataformas, mais terão gente desenvolvendo aplicativos para seus handsets e serão populares, a exemplo do que ocorreu com o Android, do Google”, sinaliza Manzar.

A grande questão ao observar como o mercado se desenha é de quem partirão as ofertas, já que é praticamente consenso que conectividade será commodity. Assim, o movimento se dá na direção de algumas telcos firmando parcerias para oferecer soluções completas e não apenas acesso. Contudo, não é tão simples assim. Nesta disputa, entram também empresas como a Cisco, IBM e Microsoft, que possuem os softwares e hardwares para soluções de comunicação unificada, telepresença, colaboração, entre outras, mas, por sua vez, precisam das redes das operadoras. O modelo de “coopetição” deve prevalecer.

Evolução

Quando a IBM percebeu que telecom migraria para IP, conta a diretora de comunicações, partiu para aquisições de empresas com objetivo de completar seu portfólio. Assim, a Big Blue, que, no passado, tinha sua imagem ligada aos mainframes, quer se mostrar como provedora de soluções de mobilidade e telecomunicações. O mesmo ocorre com a Cisco, que foca suas estratégias de desenvolvimento de arquiteturas tecnológicas em quatro pilares: vídeo, colaboração, virtualização e segurança. “Há uma mudança em direção a uma arquitetura voltada para a colaboração, que passa pela forma como nos comunicamos. Vamos trabalhar muito mais virtualmente e isto vai mexer, inclusive, no modelo de hierarquia das empresas”, assinala Valles, da Cisco.

A evolução ainda é grande, deixando evidente que existe (muito) espaço para crescer. O uso de ferramentas de colaboração nas organizações mal começou e a utilização de vídeos, ainda que tenha ficado em evidência por conta de sites de distribuição como YouTube, está longe de ser uma realidade corporativa. E é este mercado que Cisco, IBM, Microsoft e tantos outros fornecedores querem trabalhar. O maior argumento para venderem soluções desta natureza é que vivemos na sociedade do conhecimento, mas dentro de um modelo de gestão tradicional e arcaico, sendo necessários mecanismos modernos para fazer a gestão do conteúdo.

Tendo uma adoção inquestionável entre os fornecedores, dentro de um período de cerca de cinco anos, a comunicação unificada (UC, na sigla em inglês) emerge praticamente como um caminho sem volta e o símbolo máximo da evolução e integração de ferramentas corporativas. Com aplicações de e-mail, telefonia, áudio e videoconferência, mensagens instantâneas e aplicativos de negócio sob um mesmo guarda-chuva e gerenciados em um ponto único, ela seria a resposta para esta nova proposta de comunicação empresarial, mais colaborativa. No entanto, até hoje, são raros os casos de sucessos. “Se fala nisto há dez anos, existem alguns testes, mas ainda são poucos os projetos de grande porte. O grande impulsionador será a economia de ter um aparelho só na mesa do usuário”, defende o diretor para grandes contas da TIM, Renato Ciuchini. 

Já o gerente-geral de produtividade e colaboração da Microsoft, Eduardo Campos de Oliveira, acredita que ainda falta conhecimento por parte dos líderes de TI. “Muitas empresas não conhecem a tecnologia e julgam que não teriam infraestrutura para implantá-la”, sinaliza, salientando que a realização dos benefícios é muito rápida. Além da facilmente compreendida redução de custos com viagens, a comunicação unificada promete menos gastos com telefonia e mais flexibilidade e acessibilidade para os usuários para realizar o trabalho de qualquer lugar.

O estágio seguinte seria a eliminação do legado, tirando o telefone fixo tradicional e levando o ramal para o computador. “Mas entre estes dois patamares há um passo enorme. Falar por mensagens instantâneas é uma barreira nas companhias”, diz Campos. A terceira etapa é migrar para a nuvem. “A infra que existe hoje dentro das empresas pode – não que vá – migrar para fora dela. Hoje, temos oferta de UC na nuvem e sob demanda.” Para Francisco Molnar Neto, gerente de consultoria para a América Latina da Frost & Sullivan, as empresas não visualizaram todos os benefícios da comunicação unificada,  em parte, devido ao posicionamento dos fabricantes, que, até então, focaram em apresentá-la como apenas redução de custos. Entretanto, esta estratégia mudou, no sentido de promover a UC como mecanismo de eficiência operacional. A adoção mais massiva – completa o consultor – virá das pequenas e médias empresas (PMEs).

Novos modelos de negócio

Dentro das ofertas de vídeo, o carro-chefe da Cisco é a telepresença, mas a fornecedora vem lutando há anos para que o mercado compre a ideia. Em maio de 2007, quando fez uma apresentação para a imprensa em San José (EUA), da qual InformationWeek Brasil participou, para reforçar a estratégia para a América Latina, a empresa divulgou um case próprio para promover a solução. “Até hoje, a experiência com videoconferências era pobre, não somente pela conectividade, mas também pela própria tecnologia de vídeo, que não estava sofisticada o suficiente. Mas isto evoluiu”, pontua o presidente da Cisco para o Brasil, Rodrigo Abreu. A corporação segue otimista na oferta, acreditando que até 2015 a maioria das empresas de médio porte fará uso de soluções de telepresença no modelo como serviço.

Contratar sob demanda, inclusive, deve representar uma das maiores transformações, que afetará diversos elos da cadeia – passando, novamente, pela necessidade de melhorias na infraestrutura de telecom. A dependência pela disponibilidade da internet em altas velocidades impõe para as operadoras a continuidade de investimentos para expansão e atualização.

A Claro, por exemplo, vislumbra a possibilidade de ter rede LTE (Long Term Evolution) dentro de cinco anos, o que faria a telco operar com três redes: 2G, 3G e LTE. O diretor de vendas corporativas, Sérgio Pelegrino, acredita que a 2G fique destinada para voz, em ofertas voltadas à massa e às operadoras móveis virtuais (MVNO). Com mais capacidade, a terceira geração será reservada para dados, mercado residencial e PME; e a LTE, para aplicações empresariais e para quem necessita de mais banda.

Somente com a estabilização das redes, o modelo como serviço despontará como alternativa de redução de custo total de propriedade (TCO, na sigla em inglês). “Todo CIO sabe que tem de migrar telecomunicações para IP, mas não sabe como e teme o alto valor”, justifica o diretor de marketing e produtos da GVT, Ricardo Sanfelice.

O boom do momento, na visão de Zuchini, da TIM, é a conectividade móvel, pois representa o “próximo grande salto de eficiência e produtividade” . Ele acredita que a integração fixo-móvel será uma realidade em 2015. Algo que também foi apontado por Manzar, da IBM, e Pelegrino, da Claro. “À medida que caem as tarifas, há uma aceleração da migração do móvel em detrimento do fixo, pois o acesso móvel é mais abrangente e atende a todo tipo de necessidade. Antes existia a crença de que o fixo seria para dados e o móvel para voz, mas não foi isto o que aconteceu”, reforça o diretor de vendas corporativas da Claro.

Sem papéis definidos

No novo desenho de ofertas que surge, o papel de cada atuante se confunde. Por exemplo, a Cisco quer vender telepresença como serviço para pequenas e médias empresas. Para isto, firmará parcerias com telcos ou empresas de nicho. “Hoje, existe no mercado demanda por vídeo e colaboração. Estamos conversando com operadoras”, adianta Valles, mostrando que, além da conectividade, as operadoras devem mirar na oferta de serviços gerenciados, como telepresença, UC como serviço, soluções de colaboração etc. O VP não está equivocado, mas estariam as telcos em um processo que as transformariam em integradores de TI e telecom?

Do lado de quem compra, as companhias, de uma forma geral, já demonstraram que preferem concentrar suas aquisições em um único fornecedor. Assim, não pode se estranhar que os provedores extrapolem sua área de atuação e expandam seu portfólio. Isto se dará, contudo, por meio de acordos com empresas especializadas. “Nossa visão estratégica é não ser apenas fornecedor de telecom; vamos evoluir fazendo parcerias e integrando aplicações. Queremos subir na cadeia de valor”, reforça Ciuchini, da TIM. A porta de entrada é uma oferta integrada de mobilidade, combinando aplicação, aparelho e conectividade de voz e dados. “O diferencial para o mercado corporativo está nas soluções.” Para ser vista assim pelas corporações, a TIM definiu quatro áreas como prioridade: aplicações em mobilidade, comunicação máquina-máquina, soluções fixo-móvel e vídeo. 

Nesta mesma linha, a Vivo criou uma área chamada de parcerias e soluções. “Não queremos nos posicionar como meros fornecedores de acesso, mas, sim, participar das discussões com os clientes sobre quais são as melhores plataformas, tecnologias e soluções para eles”, explica o diretor da Vivo Empresas, Silvio Antunes. Longe de se tornar uma desenvolvedora, a telco pretende fechar parcerias e ser inserida nos projetos corporativos desde o nascimento. Para as PMEs, tem uma oferta de aplicações de prateleira e para as grandes companhias volta-se para um papel de consultoria.  

Este caminho não é percebido nas estratégias da Claro. “Nosso negócio é rede de telecom. Não sei se em cinco anos estaremos preparados para oferecer serviços completos, não vejo entrando em outras soluções. Sempre vamos ter parceiros para atuar. Teremos mais banda e com maior velocidade. Tudo passa por investimentos e, nos últimos anos, temos feito uma nova Claro por ano”, afirma Pelegrino. Entre as aplicações corporativas, ele fala em propagação de chips para localização e transmissão de carros e ônibus e para leitura de redes para medir consumo de energia elétrica.

Mudar o foco de negócio, contudo, pode ser bem complexo. “Antes, as empresas tinham áreas de TI e telecom, uma diferenciação que cada vez menos vai continuar. Por isto, as telcos estão querendo migrar para ofertas de tecnologia da informação e é um movimento mais difícil que o encontrado pelas empresas de TI em ir para telecom”, aponta Molnar Neto, da Frost & Sullivan. Mas o movimento deve ser inevitável, porque, como adiantam as operadoras, conectividade passará a ser commodity. Assim, a receita virá dos aplicativos e serviços. “Aquelas que focarem apenas em conectividade terão mais dificuldade, porque cairão na guerra por preço”, aponta. E, apesar de ser batida, a expressão “agregar valor” direcionará o planejamento das operadoras.

É o que a GVT espera depois da oferta de compra pela Vivendi [ainda não concretizada até o fechamento desta edição]. “Nosso plano de negócio não muda. Eles trazem expertise em TV por assinatura e telefonia móvel, que não temos”, afirma Sanfelice, da GVT. Ele dá como certa a guinada das telcos em direção à atuação como integrador, por meio de parceiros. “Não é ‘se”, mas ‘quando” isto vai ocorrer. Acho mais fácil uma operadora entrar no mundo da TI do que o inverso”, enfatiza, contrariando a posição de Molnar Neto.

Acabou a era das fronteiras bem-definidas entre provedores de telecomunicações, integradores e fornecedores de hardware e software. A linha também é tênue entre parceiros e concorrentes. Nesta imensa área cinzenta que se forma, as empresas de diversos DNAs lutam por uma fatia do mercado. Contudo, para esta realidade de multisserviços e soluções integradas baseadas numa rede IP acontecer serão inevitáveis  investimentos pesados em infraestrutura de telecom. E, assim, o ciclo volta-se para a base da pirâmide: as operadoras de telefonia.

O presidente da Signals Consulting, Jose F. Otero, respondeu algumas perguntas de InformationWeek Brasil. Confira: 

InformationWeek Brasil – Quais soluções vão dominar a infraestrutura de TI e telecom das empresas latino-americanas dentro de cinco anos?

Jose F. Otero – As soluções IP. As diferentes tecnologias de acesso à banda larga se transformarão em simples dutos de dados que permitirão a transmissão dos pacotes de dados que carregarão as informações das aplicações específicas de software, telefonia ou serviços de vídeo. Neste sentido, observaremos investimentos em fibra ótica (FTTx ou DOCSIS 3.0) para viabilizar as transmissões para o segmento residencial superiores a 50 Mbps ou 100 Mbps, enquanto no mercado empresarial haverá maior demanda por linhas dedicadas e redundância de acesso.

IWB – Como vocês avaliam a adoção de UC e colaboração?

Otero – Os elementos de comunicação unificada, colaboração virtual e telepresença, entre outros, já estão mudando a maneira de fazer negócios de muitas empresas, no entanto, como todo padrão de adoção de novas tecnologias, vemos que se dá de forma top to button e muitas vezes influenciado por decisões tomadas em outra região do mundo.

IWB O que as companhias podem esperar das operadoras de telecom?

Otero – As operadoras estão investindo muito dinheiro para melhorar suas plataformas de transmissão de dados para oferecer ofertas integradas na rede IP. Assim, o objetivo é ter uma solução fim a fim que inclua todas as formas de acesso e, em certos casos, também de aplicações de software dirigidas a melhorar a produtividade dos clientes.

IWB – Quais redes vão prevalecer?

Otero – Em dez anos, estaríamos observando a gradual eliminação das redes 3G, enquanto se consolidam as de 4G, que não existem comercialmente. O WiMAX haverá perdido muito o furor presente para dar espaço às redes LTE.

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