A Intel apresentou em sua fábrica no Arizona, nos Estados Unidos, uma crítica direta ao modelo de negócios que domina a inteligência artificial (IA) atualmente. Segundo a companhia, os sistemas proprietários e verticalmente integrados limitam a escolha dos clientes e tornam a expansão da tecnologia mais cara. Como alternativa, a empresa propõe uma nova forma […]
A Intel apresentou em sua fábrica no Arizona, nos Estados Unidos, uma crítica direta ao modelo de negócios que domina a inteligência artificial (IA) atualmente. Segundo a companhia, os sistemas proprietários e verticalmente integrados limitam a escolha dos clientes e tornam a expansão da tecnologia mais cara. Como alternativa, a empresa propõe uma nova forma de construir infraestrutura de IA, baseada em arquitetura aberta e heterogênea.
“Estamos construindo uma nova Intel centrada em engenharia, inovação e execução”, afirmou Sachin Katti, diretor de tecnologia e líder da estratégia de IA da empresa, durante a abertura do Intel Technology Tour 2025*. “Enfrentamos os desafios de escalabilidade e de custo dos sistemas atuais, que utilizam redes e software proprietários e não oferecem opções aos clientes.”
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A empresa definiu seu foco em dois campos: inferência e IA agêntica, segmentos que crescem com mais velocidade entre as aplicações de inteligência artificial. A Intel estima que cerca de 80% dos ciclos de computação de IA estarão dedicados à inferência até 2028.
Os dados apresentados por Katti ilustram o avanço desse cenário. O Google, por exemplo, registrou aumento de 140 vezes no número de tokens processados, alcançando 1,4 quatrilhão por mês.
Segundo a Intel, há um problema estrutural nesse modelo. As soluções homogêneas, centralizadas em um único tipo de hardware e software, são difíceis de escalar com bom custo-benefício. Na era da IA agêntica, que exige recursos variados, o custo por desempenho cresce de forma exponencial. O objetivo da companhia é atuar no ponto de equilíbrio entre desempenho e investimento.
Para Katti, o futuro da inteligência artificial será construído sobre arquiteturas heterogêneas. Os sistemas de IA agêntica combinam diferentes modelos — linguísticos, de difusão e multimodais — e cada um deles requer configurações específicas de hardware. Até mesmo dentro de um único modelo de linguagem, as etapas de predição e decodificação exigem otimizações distintas.
A estratégia da Intel consiste em simplificar a complexidade da infraestrutura heterogênea e criar uma camada de software unificada, capaz de integrar sistemas de múltiplos fornecedores e arquiteturas.
Essa camada, chamada Open AI Software Stack, foi desenvolvida para coordenar diversos agentes de IA em diferentes tipos de hardware. O software, de código aberto, oferece programabilidade, compatibilidade com múltiplos modelos e frameworks, além de infraestrutura de rede escalável baseada em padrões abertos de Ethernet. A proposta é reduzir a dificuldade de implantação e ampliar a capacidade de escala das soluções de IA.
Katti afirmou que a estratégia já gera resultados concretos. Em testes com os modelos Llama 8B FP16 e Llama 70B FP16, sistemas heterogêneos compostos por Gaudi3 e B200 apresentaram ganho de 1,7 vez em desempenho por custo total de propriedade em comparação a sistemas homogêneos.
A empresa também delineou seu roteiro de produtos, que prevê uma cadência anual de novas GPUs. A próxima geração, chamada linha Shores, será otimizada para inferência e treinamento de modelos voltados à IA agêntica, com maior capacidade de memória e desempenho empresarial.
A parceria com a Nvidia ganha novo significado nessa estratégia. A Intel busca garantir que cada elemento de seu portfólio — incluindo os processadores Xeon — esteja presente nos sistemas de inteligência artificial. A cooperação técnica entre as duas empresas permite que seus componentes sejam integrados em plataformas conjuntas, aumentando a interoperabilidade e a oferta de opções abertas ao mercado.
O plano da Intel é aproveitar sua vantagem de integração de ponta a ponta, expressão usada internamente para descrever sua capacidade de controlar todas as etapas de produção, “dos átomos aos racks”. A companhia aposta em avanços em fotônica, empilhamento de memória e lógica, apoiados em sua experiência em manufatura.
A estratégia inclui ainda o fortalecimento de um ecossistema aberto, com iniciativas como o Open Compute Project (OCP), voltado ao design de racks, e o Ultra Ethernet Consortium, que desenvolve conectividade escalável baseada em padrões abertos.
Se conseguir executar essa visão, a Intel poderá oferecer uma alternativa concreta ao modelo que domina hoje a indústria de inteligência artificial.
*A jornalista viajou a convite da Intel
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