Nos últimos três anos, as empresas foram bombardeadas com as discussões sobre cloud computing, conceito que chegou empunhando a bandeira da revolução na área de tecnologia da informação (TI) e que já começa a ameaçar a viabilidade de alguns serviços tradicionais de hospedagem, como o colocation. “Essa modalidade, na qual o cliente disponibiliza os ativos e […]
Nos últimos três anos, as empresas foram bombardeadas com as discussões sobre cloud computing, conceito que chegou empunhando a bandeira da revolução na área de tecnologia da informação (TI) e que já começa a ameaçar a viabilidade de alguns serviços tradicionais de hospedagem, como o colocation.
“Essa modalidade, na qual o cliente disponibiliza os ativos e aluga espaço no data center, há algum tempo tem sido evitada pelos grandes fornecedores, que buscam aumentar o valor da oferta ou a margem de lucro dos serviços”, afirma Reinaldo Roveri, gerente de pesquisas da IDC. No entanto, de acordo com ele, isso não significa que colocation irá morrer. “Acredito que deverá migrar para um serviço com valor agregado.”
A afirmação está baseada na pesquisa Brazil Semiannual IT Service Tracker, da própria IDC, que analisa o mercado de serviços profissionais de TI no País. O levantamento identificou que a categoria hosting infrastructure service, incluindo hospedagem e gerenciamento básico de servidores, storage e rede em um data center de terceiros, somou, aproximadamente, 780 milhões de reais em 2009.
“Esse mercado apresenta crescimento elevado de cerca de 15% ao ano. O colocation é promissor e deve registrar aumento neste e nos próximos anos”, afirma. Na opinião de Roveri, se por um lado algumas empresas vão investir em colocation para ter sob controle o próprio hardware, por outro, muitos data centers vão evoluir rapidamente para um desenho de oferta de cloud, tanto pública como privada.
“Os clientes poderão se beneficiar dessa situação, já que os fornecedores vão empacotar um modelo sob demanda, liberando o profissional de TI de trabalhos operacionais, aumentando a disponibilidade”, diz.
De olho no futuro
A Locaweb, que oferece hosting para o Brasil e América Latina, se antecipou ao novo cenário e desde o final de 2010 tirou do portfólio o item colocation. “Chegamos à conclusão de que o custo operacional do metro quadrado do data center nessa modalidade não gerava a rentabilidade esperada”, afirma Fernando Zangrande, gerente de Produtos da Locaweb. O executivo explica que essa intenção ganhou força quando a empresa começou a investir em um novo data center, que ocupa 55 mil metros quadrados e está localizado em São Paulo.
No momento, a empresa migra os antigos clientes de colocation para cloud computing, forte aposta da Locaweb para os próximos anos. “A maioria dos clientes estava com o parque desatualizado e entendeu que era o momento adequado para deixar de ter ativos próprios e passar a pagar pelo uso. Com essa mudança, passaram a demandar mais performance e confiabilidade”, diz Zangrande. “O que o colocation se comprometia em relação à disponibilidade era muito simplório para a necessidade do cliente”, avalia.
Segundo o executivo, mais de 80% dos clientes da Locaweb que queriam colocation caíram nas graças da nuvem. “É uma evolução natural do ponto de vista financeiro e tecnológico e o mercado está percebendo isso”, diz. Ele diz que quem decidiu permanecer com o modelo têm um perfil mais voltado para Capital Expenditure (Capex).“Esses, deixamos de atender, infelizmente.”
Quem também decidiu seguir a trilha da oferta de cloud computing foi o Uol Host. “Estamos bastante avançados em relação à transição do modelo de negócio”, afirma Vinícius Pessin, diretor do Uol Host. A estratégia da empresa, prossegue o executivo, é oferecer cloud computing, com o objetivo de tirar do cliente a preocupação de gerenciar hardware, software, manutenção, refrigeração etc.
A própria operação do portal Uol trabalha há cinco anos nesse modelo. “O portal conta com quase 5 mil servidores físicos, que crescem de forma rápida. Não é possível administrar essa infraestrutura com picos de gargalos. Por isso, inserimos uma camada de cloud, que nos ajudou a conquistar gerenciamento transparente e eficaz”, avalia.
“Quando identificamos que estávamos maduros no uso da nuvem, passamos a oferecer ao mercado. Não faz sentido ter estruturas estanques. Esses problemas foram eliminados com a chegada da computação em nuvem”, diz o executivo.
“Não se faz mais negócios de colocation? Sim. Até porque, muitas empresas realizaram altos investimentos em parques tecnológicos, em um passado não muito distante. Elas não podem jogar isso fora”, diz, completando que em sua visão, colocation é porta de entrada para a oferta de contratação de serviços.
A companhia conta hoje com 350 clientes de colocation, mas o cenário deverá mudar. “A nossa expectativa é que nos próximos três anos, cerca de 80% migrem para a nuvem”, aposta. “Para empresas que não investiram em colocation, mostramos que a melhor saída é comprar serviço e obter ganho em escala”, diz Pessin.
Nem o céu, nem a terra
A Alog, especializada em hosting gerenciado, optou pela oferta de um modelo híbrido de serviços. “É possível escolher colocation, cloud ou hosting”, explica Victor Arnaud, diretor de Marketing, Processos e Produtos da empresa. Para ele, o mercado de hosting brasileiro não se comporta como o norte-americano e o europeu, em que há players muito claros e segmentados. “No Brasil, estamos acostumados a entender e atender a demanda do cliente e, por isso, buscamos manter nosso portfólio flexível”, afirma. Segundo Arnaud, as organizações, especialmente as grandes, ainda buscam colocation. Por isso, ele não acredita que a modalidade vá acabar tão cedo.
Tanto é que, de acordo com ele, a construção do terceiro data center da Alog, que terá 8 mil metros quadrados, prevê lugar para colocation.
Em tempos de acelerados avanços tecnológicos, a adoção de novas modalidades cresce também de forma rápida. Basta saber se cloud computing vai fisgar de vez as empresas, uma vez que ainda prosseguem discussões sobre vários aspectos por trás da nuvem.