Projetos nas esferas municipal, estadual, federal e internacional delineiam o destino das regiões envolvidas
O Acre lançou no
início do mês passado (4 de fevereiro) o primeiro estágio da chamada Floresta Digital. Com um investimento de R$ 30 milhões,
feito pelo governo estadual, o projeto pretende levar internet
banda larga sem fio gratuitamente aos 22 municípios até o fim deste ano. O
desafio é combinar tecnologia Wi-Fi com área florestal, permitindo o acesso à
internet numa região de mais de 150 mil quilômetros quadrados, em sua quase
totalidade cobertos por mata virgem.
Por enquanto, a iniciativa é realidade apenas no perímetro urbano, numa
área de 80% da cidade de Rio Branco. Na avaliação do secretário da Fazenda Mâncio Cordeiro, durante o lançamento do projeto, a
estrutura permitirá a economia de R$ 1 milhão por mês no
custo de comunicação do Estado.
Até dezembro, está prevista a distribuição de 9 mil netbooks para a
população. Os beneficiados seriam os estudantes do terceiro ano do ensino médio.
Eles terão de devolver os equipamentos no final do curso.
Impactos
Floresta Digital é um dos muitos programas de digitalização que prometem
revolucionar a região em que serão aplicados nos próximos cinco anos. Ações desse
tipo envolvem a participação do governo, iniciativa privada, universidades, organizações não-governamentais
e outras comunidades organizadas, tornando a era dos provedores pagos coisa do
passado.
Deve-se avaliar com
bom senso cada uma das iniciativas, considerando sempre o universo onde ela
será aplicada. “Não se pode esperar o mesmo tipo de ação em um município com um
milhão de habitantes e em outro com cinco mil”, alerta Fabio Josgrilberg,
pesquisador de cidades digitais pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo (FAPESP). “A sociedade civil organizada deve ter participação em
possíveis comitês gestores ou conselhos de comunicação locais que possam
orientar as ações”. Segundo ele, cabe ao governo, especialmente no início,
servir de articulador e catalisador dessas iniciativas.
Olhando para o futuro,
observa-se que esses programas terão impacto até no turismo. A consultoria americana
DeviceScape mostra que a decisão dos turistas para escolher suas viagens começa
a levar a conta o acesso gratuito. Numa pesquisa realizada recentemente, 90%
das pessoas consideram a oferta de conexão sem fio na hora de decidir em que
hotel vão se hospedar e qual local visitar.
Os turistas mostram-se
exigentes: 93% querem gratuidade de acesso. Apenas 6% cogitam pagar pelo
acesso. Mesmo não pagando, a qualidade do serviço é considerada: 75% dos
pesquisados afirmam que não retornariam a um lugar com conexão ruim.
O impacto das redes
sem fio gratuitas será percebido até no mercado imobiliário. Na mesma pesquisa,
cerca de 72% das pessoas afirmam que teriam mais interesse em comprar um imóvel
ou abrir um negócio em regiões com acesso gratuito à internet.
O certo é que nenhum
governo (em âmbito municipal, estadual, federal ou internacional) pode ignorar
as demandas por conexões. Por essa razão, os países da União Europeia estabeleceram,
em novembro do ano passado, metas de governo eletrônico para 2015,
comprometendo-se a oferecer mais serviços eletrônicos para cidadãos e empresas.
A reunião da quinta
Cúpula Ministerial sobre Governo Eletrônico da União Européia, ocorrida em
Malmo (Suécia), tomou decisões que apontam para “serviços públicos mais
interativos”, na opinião de Siim Kallas, vice-presidente de Assuntos
Administrativos, Auditorias e Antifraude da Comissão Européia. Em meados deste
ano, deverá estar pronto documento para estabelecer metas para o uso de TIC na
região.
No Brasil, o governo
federal define o Plano Nacional de Banda Larga, em meio a críticas, por causa
da reativação da Telebrás. Há ainda divergência no investimento a ser feito.
A estimativa de custos
da Presidência é de até R$ 14 bilhões. Por outro lado, o Ministério das
Comunicações joga com o número de R$ 79 bilhões.
As consequências para
a economia e a sociedade serão decisivas, a partir das medidas que estão para
ser divulgadas. Em qualquer panorama, a Tecnologia da Informação precisa ser
usada para promover a cidadania, a transparência pública e eficiência dos
governos locais.
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