As novidades no mundo da tecnologia da informação devem complicar ainda mais a forma como o CIO define aquilo que vai compor sua arquitetura e serviços, sem falar em infra-estrutura. Siglas como SaaS (software como serviço), SOA (arquitetura orientada a serviços) e cloud computing tornam mais complexo o cenário e exigem uma nova gestão de […]
As novidades no mundo da tecnologia da informação devem complicar ainda mais a forma como o CIO define aquilo que vai compor sua arquitetura e serviços, sem falar em infra-estrutura. Siglas como SaaS (software como serviço), SOA (arquitetura orientada a serviços) e cloud computing tornam mais complexo o cenário e exigem uma nova gestão de contratos de serviços terceirizados, afirma Ronei Silva, ex-CIO de companhias como Pepsi e Unilever, atualmente consultor da TGT Consult.
“Isso tudo é muito diferente do que estamos habituados no dia-a-dia”, garante ele, “e a maioria dos CIOs não está atenta às mudanças necessárias para trabalhar nesse novo cenário”, avalia.
Para Silva, as novidades implicam necessariamente em uma mudança na forma como a área de TI deve lidar com os fornecedores. Não se trata mais de apenas um grande contrato com alguns fornecedores, mas sim uma série de fornecedores que terão relações entre eles. “É a componentização de provedores, algo que foge do controle centralizado”, defende o consultor.
Isso significa, para Silva, que o relacionamento entre cliente e fornecedor vai ser muito mais recorrente e a importância de uma gestão extremamente eficaz aumentará à medida que os compromissos entre vários fornecedores somados atenderão a um determinado processo de negócio.
O problema é que mesmo nos padrões já ultrapassados, há grande deficiência de gestão de provedores, salienta Silva. O que significa que ainda há grande deficiência de gestão.
Adaptação
“O grande desafio é entender e aceitar que as áreas de TI não podem mais existir sem ter uma área de gestão de contratos de terceiros. Uma área que precisa trabalhar não só com gestão de contratos, mas na gestão de relacionamento de fornecedores”, afirma ele.
Segundo o ex-CIO, atualmente os gerentes de TI delegam para alguém que não tem experiência essa tarefa, gente que não entende do serviço. “E esse é um primeiro passo para começar a ter grandes insatisfações”.
“Gestão de contratos não é o suficiente. É preciso gerenciar serviços. Avaliar como adaptar a estrutura, caso o cenário mude. Se o atual contrato permite mudar o grupo de serviços, diante de um contexto novo”, defende o consultor. Para ele, isso é cada vez mais necessário já que os negócios estão mais dinâmicos e SOA trará a flexibilidade de opções de troca de serviços, componentes ou mesmo provedores.
Para ele, CIOs precisam compreender que o gerente que cuida de determinado serviço dentro de casa, não necessariamente – e provavelmente não – tem as habilidades necessárias para gerenciar o serviço de um fornecedor. “Pessoas técnicas têm dificuldade em gerenciar relacionamento sem a formação adequada”.
“Não sou contra que o departamento de suprimentos assuma esse papel, desde que as pessoas sejam treinadas”, complementa, o que aponta para uma nova necessidade, que é um centro de competência de gestão de contratos.
O papel do CIO
Na opinião do consultor da TGT, essa mudança de paradigma só vai ocorrer se houver a conscientização dos próprios CIOs. Daqui a pouco ele vai começar sofrer uma pressão maior, porque – como muitos gurus vêm dizendo – somente as empresas colaborativas serão bem sucedidas. “Os CEOs estão começando a trabalhar com essa perspectiva e o CIO terá que acompanhar o foco”, afirma.
Para ele, esse novo ambiente – onde SaaS, SOA e cloud computing estão presentes – dará combustível para maior dinamismo e para o modelo colaborativo e, para gerir tudo isso, movimentos isolados de uma ou outra área da TI não serão o bastante. “O sucesso depende da conscientização da área de TI”. Por isso, é preciso começar a trabalhar e mudar o status quo.
“Não tem treinamento que funcione se as pessoas não se deram conta dessa avalanche”, defende Silva. Para ele, se os líderes de TI não se conscientizarem do que está acontecendo, ficarão na mão de provedores que apresentarão mais um ciclo de novidades e os departamentos de TI poderão cair nas armadilhas de contratação e terceirização de forma commoditizada.
“É preciso uma ruptura”, prega Silva. Haverá uma espécie de lego de fornecedores, muitas coisas fora de casa e fornecedores ainda trabalhando na sua arquitetura. “Vai ter fornecedor na nuvem, hora compartilhada por outros fornecedores e será um grande desafio definir os SLAs”.