ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250
grow mobility
patinete

O que a queda das empresas de patinete ensina sobre negócios inovadores?

A Grow Mobility, empresa de aluguel de bicicletas e patinetes elétricos resultado da fusão entre a Yellow e a Grin, anunciou o encerramento de suas operações em 14 cidades brasileiras. Capitais como Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis, Goiânia, Porto Alegre e Vitória, além de grandes cidades, como Guarapari e Vila Velha, no Espírito Santo, e Campinas, […]

Publicado: 10/05/2026 às 20:59
Leitura
4 minutos
Construção civil — Foto: Reprodução

A Grow Mobility, empresa de aluguel de bicicletas e patinetes elétricos resultado da fusão entre a Yellow e a Grin, anunciou o encerramento de suas operações em 14 cidades brasileiras. Capitais como Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis, Goiânia, Porto Alegre e Vitória, além de grandes cidades, como Guarapari e Vila Velha, no Espírito Santo, e Campinas, São Vicente, Santos e São José dos Campos, em São Paulo, não terão mais esses meios de transporte espalhados por suas ruas.

O anúncio aconteceu apenas duas semanas após a concorrente Lime declarar que deixaria de atuar na América Latina, interrompendo a operação em 12 cidades que não davam lucro. Entre as brasileiras, estão São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o site Tecnoblog, empresas como Bird, Scoot e Lyft, que não atuam no Brasil, também deixaram de operar em alguns mercados pelo mundo e demitiram funcionários.

Na Grow, a justificativa é a de um processo de reestruturação e ajuste operacional. A meta para 2020 é aperfeiçoar a oferta de seus serviços nas cidades em que atua e expandir suas operações com responsabilidade. De acordo com informações da empresa ao Mobile Time, “a eficiência econômica é um dos desafios da empresa”, que tem atuação em sete países na América Latina e chegou a 20 milhões de corridas em novembro de 2019.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a empresa – que queria se tornar um unicórnio – sofreu nos últimos meses com falta de capital, disputas de poder, questões regulatórias e o alto custo das viagens em patinetes, de R$ 8 para cada dez minutos. Ainda segundo o jornal, havia expectativa de uma nova rodada de aportes. Em abril, a startup negociava investimentos de US$ 150 milhões liderados pelo grupo japonês SoftBank, mas a negociação não foi adiante e a Grow teria ficado com o caixa prejudicado.

O caso nos leva a refletir sobre o sucesso repentino e apoteótico de alguns modelos de negócios inovadores. Embora o movimento de startups milionárias ainda seja um feito novo, casos como o da Grow, Uber e WeWork demonstram que a farra de empresas baseadas em uma única ideia, pautada em tecnologia e financiada quase que exclusivamente por aportes financeiros, pode já estar chegando ao fim. De boas ideias o mundo está cheio. O que precisamos de verdade é de ideias que causem impacto dentro de modelos de negócios auto sustentáveis.

Já prevendo a euforia exacerbada em torno das startups, a ISO – Organização Internacional de Normalização, instituição sem fins lucrativos sediada na Suíça, vem estudando os rumos da inovação desde 2008. Após 11 anos de uma verdadeira imersão nesse universo de profundas e rápidas transformações advindas das tecnologias exponenciais, a instituição lançou uma norma de gestão da inovação, a ISO 56.002, que foi publicada no exterior em julho de 2019 e tem previsão de publicação no Brasil para março de 2020.

A norma é de diretrizes e não de requisitos, ou seja, ela aponta caminhos, mas entende que não há uma receita única para todas as empresas. Baseada em oito pilares – abordagem por processos, liderança com foco no futuro, gestão de insights, direção estratégica, resiliência e adaptabilidade, geração de valor, cultura adaptativa e gestão das incertezas – a ISO 56.002 defende que uma inovação pode ser um produto, serviço, processo, modelo, método ou a combinação de qualquer uma delas. Contudo, o conceito de inovação é caracterizado por novidade e valor. Em suma, isso significa que “idéias sem a manifestação de valor não são inovações e sim invenções”.

Olhando para os aspectos da norma, a Grow falhou ao lançar um novo modelo de negócio, disruptivo, mas com baixa capacidade de crescimento sustentado e viabilidade econômica. E, ela não é a única. Vários casos de empresas que ocuparam boa parte das capas de revistas começam a dar sinais de problemas operacionais e processuais. É preciso inovar sempre, mas levando em consideração que uma empresa de sucesso demanda um casamento perfeito entre propósito e lucro. Afinal, investidores não vão sustentar empresas ineficientes por muito tempo. Inovação nada mais é do que a criatividade emitindo nota fiscal!

*Por Marília Cardoso

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas