A pressão sobre o setor de tecnologia para conter o avanço de data centers ganhou nova dimensão nesta semana. De acordo com reportagem do TechCrunch, mais de 230 organizações ambientais entregaram ao Congresso dos Estados Unidos uma carta pedindo uma moratória nacional para novos centros de dados. O documento alerta que a expansão desregulada dessas […]
A pressão sobre o setor de tecnologia para conter o avanço de data centers ganhou nova dimensão nesta semana. De acordo com reportagem do TechCrunch, mais de 230 organizações ambientais entregaram ao Congresso dos Estados Unidos uma carta pedindo uma moratória nacional para novos centros de dados.
O documento alerta que a expansão desregulada dessas instalações, impulsionada pela IA generativa e pelo mercado de criptoativos, estaria elevando o consumo de eletricidade e água a níveis insustentáveis para diversas comunidades.
Assinam a carta grupos como Food & Water Watch, Friends of the Earth e Greenpeace, que descrevem um cenário no qual cidades e estados enfrentam pressões crescentes em infraestrutura, recursos naturais e custos de energia. As organizações argumentam que o ritmo atual de licenciamento e construção não acompanha análises de impacto e pode comprometer a segurança energética e hídrica de milhões de pessoas.
A preocupação é reforçada por estudos que correlacionam a chegada de data centers ao aumento nas tarifas de energia das regiões onde se instalam. O TechCrunch destaca ainda uma pesquisa encomendada pela Sunrun, empresa do setor solar, segundo a qual 80% dos consumidores temem que novos data centers elevem suas contas de luz. O salto recente de 13% no preço da eletricidade foi o maior em uma década, alimentando o debate sobre o papel dessas infraestruturas no orçamento das famílias.
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Os maiores impactos devem ocorrer em estados que concentram grande parte dos projetos em andamento, entre eles Virgínia, Pensilvânia, Ohio, Illinois e Nova Jersey. Segundo projeções citadas pela reportagem, a demanda de energia atribuída aos data centers deve quase triplicar até 2035, passando de 40 gigawatts para 106 gigawatts. Como boa parte dessa expansão acontece em áreas rurais, há receio de que sistemas públicos de água e redes elétricas locais não acompanhem o ritmo.
Grupos ambientais também associam o avanço acelerado dos data centers a questões sociais mais amplas. A carta enviada ao Congresso aponta que a rápida adoção de IA tem contribuído para mudanças estruturais no mercado de trabalho, concentrando riqueza e reforçando desigualdades regionais. Nesse contexto, novas instalações seriam mais um vetor de tensão econômica e política.
A reportagem do TechCrunch destaca que as discussões deixaram o campo técnico e passaram às ruas. Em Detroit, manifestantes protestaram na semana passada em frente à concessionária DTE, que busca autorização para fornecer energia a um complexo de 1,4 gigawatt que atenderá OpenAI e Oracle. Moradores afirmam que o empreendimento pode elevar tarifas, aumentar o consumo de água potável e intensificar problemas de tráfego.
Em Wisconsin, três pessoas foram detidas durante uma sessão do conselho municipal que debatia um data center de 902 megawatts, também ligado ao projeto Stargate, de OpenAI e Oracle.
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