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Oportunidades com Energia Solar

Não é de agora que o mundo passa por uma crise energética. Lembro-me que a primeira vez que se falou seriamente sobre energias alternativas no Brasil foi em 1973, quando eclodiu a primeira crise do petróleo. Não foi uma reação típica em momentos de crise, foi algo pensado e estudado pelo regime militar, pois pela […]

Publicado: 19/05/2026 às 06:39
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Oportunidades com Energia Solar
Construção civil — Foto: Reprodução

Não é de agora que o mundo passa por uma crise energética. Lembro-me que a primeira vez que se falou seriamente sobre energias alternativas no Brasil foi em 1973, quando eclodiu a primeira crise do petróleo. Não foi uma reação típica em momentos de crise, foi algo pensado e estudado pelo regime militar, pois pela primeira vez falou-se claramente sobre o fim do petróleo, a principal fonte de energia do mundo. É preciso lembrar que o petróleo não é importante só por causa dos combustíveis, mas especialmente importante por causa dos seus derivados sólidos, como plásticos e inúmeros outros polímeros. Se um mundo sem o combustível derivado do petróleo já é difícil de imaginar, imagine um mundo sem plásticos e similares.

Como conseqüência da crise de 1973, o Brasil avançou no estudo de fontes energéticas alternativas e quando a segunda crise eclodiu, em 1979, nós já tínhamos um plano pronto, o popular Pró Álcool , e com ele nos tornamos o primeiro caso real de implementação em massa de uma frota automotiva movida a combustíveis alternativos. Palmas para nós, para as pesquisas da Embrapa, para os engenheiros que otimizaram o processo de extração do álcool, e palmas também para os usineiros e políticos (em um dado momento eram os mesmos indivíduos) que ao sabor do preço internacional do açúcar abandonaram a produção do álcool combustível no final dos anos 80 até o início dos 90, e batalharam muito por uma anistia geral e irrestrita de suas dívidas junto aos bancos oficiais. Álcool dava prejuízo, e com a gasolina barata de novo (leiam sobre o contra-choque do petróleo) não fazia sentido subsidiar essas plantações. Em 1995 o carro a álcool praticamente desapareceu das revendas, junto com a credibilidade do Pró Álcool.

O mundo dá voltas, e agora estamos novamente na era do álcool, agora chamado de ethanol, dos carros “Flex” que funcionam (mal) com ambos os combustíveis, e sonhamos em liderar a corrida mundial dos combustíveis alternativos. Esse papo é longo, polêmico, e não tem nada a ver com tecnologia e sim com políticas internacionais e agrícolas, então vou parar por aqui. O fato é que quando falamos em energia alternativa não estamos falando só em combustíveis líquidos para usar em automóveis e motores, mas sim de energia que possa ser produzida, armazenada, distribuída e cobrada de seus usuários em um sistema economicamente viável. E nessa hora a energia elétrica aparece com um sistema econômico praticamente pronto, permitindo a produção distribuída e a retro alimentação da rede nesses pontos (situação onde produtores privados de energia recebem pelo excedente que despejam na rede elétrica, pode-se fazer uma analogia dizendo que o relógio de marcação gira ao contrário, creditando o produtor). Faltam os carros elétricos, mas isso é uma questão de tempo, e de vontade política internacional.

Qualquer coisa que se move tem energia, e essa energia pode ser extraída. É assim que é feito com as hidroelétricas, que armazenam água em grandes reservatórios para colocá-la em movimento sob as turbinas, que transformarão essa energia cinética (em movimento) em energia elétrica para ser distribuída pela rede brasileira. O problema é que as fontes hidroelétricas estão muito distantes dos centros consumidores, e há perdas imensas na transmissão dessa energia por grandes distâncias, isso sem falar nos problemas ambientais que esses imensos lagos artificiais causam ao eco-sistema. Outra energia em movimento bem aproveitável é a energia dos ventos, eólica, muito comum no nordeste, mas longe de atingir a escala industrial necessária. Aqui se usa também energia termoelétrica, mas essas queimam combustíveis poluentes e perigosos, sejam movidas a gás boliviano ou óleos derivados do petróleo, ou seja movida à energia atômica com todas as suas implicações políticas e ecológicas.

Há uma fonte inesgotável de energia que pode ser convertida em energia elétrica, consequentemente pode ser armazenada e/ou distribuída em grandes redes: o Sol e sua enorme energia solar!

O problema está em converter essa energia em algo usável. Convenhamos que um belo bronzeado de praia fosse até algo desejável, mas não seria propriamente uma energia armazenável. Há no Brasil três usos bem populares da energia solar, e uma delas consiste basicamente em converter essa energia em calor, mais especificamente em água quente, para atender residências. A outra é a fotossíntese realizada pela cana de açúcar, que se transformará depois em álcool. Sim, meus caros, o Álcool é conceitualmente um derivado da energia solar, pois sem ela não temos a cana, que é o agente biológico responsável pela transformação. Não há como plantar cana no escuro, e a energia total produzida pela cana não é suficiente para iluminar artificialmente os canaviais com sobras para comercialização, portanto, o álcool é energia solar em forma líquida, pelo menos parcialmente.

A forma de conversão solar que se acredita irá produzir melhores resultados no futuro é a conversão direta para energia elétrica, usandoque transformam luz em energia elétrica diretamente, sem conversões intermediárias. Segundo a Wikipedia, em 2004 a capacidade instalada mundial de energia solar era de 2,6 GW, cerca de 18% da capacidade instalada de Itaipu. Os principais países produtores, curiosamente, estão situados em latitudes médias e altas, distantes da área de maior irradiação solar. O maior produtor mundial era o Japão (com 1,13 GW instalados), seguido da Alemanha (com 794 MW) e Estados Unidos (365 MW). O Brasil está “no caminho do sol” e tem condições de produzir energia elétrica por conversão direta em alta escala, desde imensas “plantações” de painéis solares até a adoção em massa de telhados solares (no lugar das telhas) ou painéis solares nos telhados já existentes nas cidades. A adoção de “telhados solares” nas casas e apartamentos têm dupla finalidade, pois não só reduz o consumo elétrico da rede pública como também permite o armazenamento da água de chuva, através de calhas, reduzindo o problema da distribuição da água urbana.

O problema, e sempre há um problema, é que o desenvolvimento dessas células fotovoltaicas hoje, como acontece com toda tecnologia de ponta, está nas mãos dos países ricos do hemisfério norte e consiste basicamente no uso de semi-condutores em películas ou na forma de silício compacto, cujo os melhores rendimentos estão na ordem de 18% (total de energia elétrica convertida pelo total de energia solar recebida). Há alternativas mais caras, como o uso de Arsenato de Gálio que permite rendimento de até 28%, mas seu custo é proibitivo comercialmente e suas aplicações por enquanto estão restritas aos satélites espaciais. Falei em semi-condutores? Exato. Isso é tecnologia de ponta, usada na fabricação de chips, processadores e demais componentes. Algo muito distante da realidade brasileira.

Toda essa explicação serviu apenas para chegar até essa conclusão: no final de 2006, muito provavelmente em função do documentário “Uma verdade inconveniente”, de Al Gore (ex-futuro Presidente dos Estados Unidos da América, aquele que ganhou e não levou quando concorreu com George W. Bush) o mundo finalmente se deu conta que o problema energético é sério, e que precisamos rapidamente desenvolver formas limpas de produzir energia. Assim sendo, algumas empresas do setor viram suas cotações em bolsa avançarem consideravelmente e, embora ainda pequenas, vão ser determinantes no desenvolvimento dessa tecnologia. Alguns exemplos:

Ascent Solar Technologies Inc. fundada em 2005 no estado do Colorado, comercializa células fotovoltaicas em laminas flexíveis, mais especificamente para uso espacial. Suas ações valorizaram 404% desde setembro de 2006. É ainda uma empresa pequena, vale pouco mais de 77 milhões de dólares.

First Solar, Inc. sediada em Phoenix, Arizona, abriu seu capital em bolsa em 2006 e é uma empresa de médio para grande porte, valendo coisa de 8 bilhões de dólares. Seu ponto forte está na comercialização da solução completa, o “solar eletric power module” como é chamado o conjunto de células e todo o sistema de captação, armazenamento, transformação e distribuição dessa energia. Suas ações valorizaram 376% desde que abriu seu capital em novembro de 2006.

Hoku Scientific, Inc. com sede no Havaí atua em vários segmentos de energia limpa, desde a comercialização de componentes para captação de energia solar até células de combustível de hidrogênio, algumas dessas aplicações com foco predominantemente doméstico. A empresa vale hoje cerca de 221 milhões de dólares e suas ações valorizaram 432% desde setembro de 2006.

SunPower Corporation sediada na Califórnia vale pouco mais de 5 bilhões de dólares e atua na fabricação de componentes e na implementação de soluções baseadas em energia solar, inclusive aplicações médicas (detectores infravermelho e processamento de imagens). De setembro pra cá suas ações valorizaram 168%, o que é muito ao levar em conta o tamanho da empresa. Nem a Apple com seu iPhone subiu tanto assim nesse período (foi coisa de 84% só…)

Suntech Power Holdings Co. Ltd tem sede na China mas negocia ações na bolsa americana. Produz, desenvolve e comercializa componentes e soluções para captura e conversão de energia solar, inclusive soluções domésticas. Vale pouco mais de 6.4 bilhões de dólares na bolsa americana, e suas ações valorizaram 75% desde setembro de 2006, mas poderia ter sido bem mais se a bolsa da China não tivesse desvalorizado tanto nesse mesmo período.

MEMC Electronic Materials, Inc. com sede no Missouri não está diretamente relacionada com a energia solar mas é uma grande fornecedora dos processos de manufatura (wafers) utilizados na fabricação de células fotovoltaicas. Vale mais de 14 bilhões de dólares e suas ações valorizaram 80% desde setembro de 2006. Nada mal para uma empresa fornecedora de processos de fabricação para semi-condutores.

Yingli Green Energy Holding Co. Ltd é outra empresa chinesa que comercializa seus ADR (recibo de ações) nas bolsas americanas desde junho desse ano, ou seja, não tem nem três meses de mercado mas já se valorizou mais de 70% transformando seu valor na bolsa (só dos recibos) em algo superior a um bilhão de dólares. Atua em todos os segmentos do setor de energia solar, desde a fabricação e desenvolvimento das células até a comercialização das soluções completas. A China, como era de se esperar, será um grande competidor nesse setor.

Esses são apenas alguns exemplos de empresas do setor de energia solar que estão, infelizmente, muito distante de nós brasileiros. Com nossa tradição em não investir em pesquisa de ponta, nem planejar nosso futuro (vide os apagões do passado, o recente caos aéreo e a notícia da provável falência do nosso sistema de transportes dentro alguns anos, devido à falta de investimentos em estradas, portos, ferrovias e aeroportos), podemos ao menos agradecer a Deus por estarmos na rota do Sol. Pelo menos isso!

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