Ao mudar de empresa, o CIO precisa ficar atento a uma série de questões para que a transição não tenha impacto negativo
Raio x
O primeiro passo do executivo no iG foi dedicar-se ao plano de TI ? ou
road map, como prefere chamá-lo. Nesta decisão, evidencia-se a
influência de sua experiência passada em consultorias, área na qual
atuou por quase 14 anos, especificamente na Accenture e everis. ?A vida
em consultoria me deu a capacidade de gestão, organização e visão clara
de processos?, ressalta. A iniciativa começou com um diagnóstico
completo, no qual o CIO avaliou as pessoas, os processos e as
metodologias (sistemas, arquitetura e infra-estrutura).
Para cada um destes quatro pilares, Lorena definiu ações estruturais
visando a atingir os objetivos colocados pelas áreas de negócios. ?Esse
diagnóstico teve como objetivo entender a situação atual. A partir daí,
foi definido um modelo e identificada a diferença entre o estado atual
e o desejado. Uma vez que os gaps foram encontrados, estruturamos um
plano de ação pra saná-los?, relata. Ao cabo de dois meses, o executivo
apresentou um road map completo para a TI do iG. Assim, firmou um pacto
com a organização e as áreas de negócios. ?Foi um alívio para os 350
funcionários que comando. A TI passou a ter um norte. Todos sabem o que
fazer, quando e onde queremos chegar?, conclui.
Os profissionais que compõem a equipe da área são uns dos mais afetados
pela alteração gerencial. Isto porque a mudança em si causa desconforto
e gera expectativas com relação ao próximo chefe. Ao colocar no papel
um plano para TI, Lorena conseguiu abrandar a ansiedade causada pela
troca de comando. ?Sempre que um executivo novo aparece, é comum que as
pessoas fiquem com receio?, comenta Ilana, da Search Consultoria. A
especialista recomenda que o novo CIO procure entender bem o que sua
equipe já vem fazendo, em termos de atitudes e desempenho. ?Por trás de
um comportamento indesejado pode haver falta de reconhecimento de seu
valor como profissional, por exemplo?, observa.
Carlos Pulici, CIO da Simpress, considera a aceitação da equipe mais
como um ponto de atenção que um problema. Em suas experiências
anteriores em consultorias, ele conta que passou por muitos processos
deste tipo, quando assumia projetos de outsourcing, que, de repente,
acrescentavam 30 pessoas à sua estrutura. Um de seus objetivos na
Simpress está relacionado à equipe. ?Precisamos de profissionais ?top?
de mercado, entendemos que isto é um diferencial necessário para nosso
sucesso?, explica. Para conseguir esta equipe, Pulici recorre à
formação de pessoas internas e também ao recrutamento.