Os cenários futuros da atuação dos bancos no Brasil: como eles planejam suas ações e estão se preparando para os próximos anos
Túnel do tempo
As informações oferecidas pelos executivos de TI ainda consideram um
horizonte bastante mais próximo do que daqui a 15 anos. Talvez parte
disto seja devido à dificuldade natural de se estabelecer planos em um
período tão longo ? ainda mais em um País e em uma região em constante
ebulição. A dificuldade de hoje fica mais clara quando olhamos para o
passado. Em 1993, imaginar o Brasil como um destaque na economia entre
os países emergentes seria uma visão bastante otimista. Também era
difícil prever que o número de celulares no País chegaria a 127 milhões
de unidades.
Fatores externos, como a própria evolução da informática, afetam
diretamente o planejamento das instituições financeiras. Há 15 anos, o
computador deixava de ser um gadget restrito aos aficionadas por
eletrônica e entrava na lista de compras de pessoas que ainda tinham
pouca ou nenhuma afinidade com o mundo digital. Era visto como um item
de status e um diferenciador. De lá para cá, muita coisa mudou. Os
computadores são vendidos quase antes mesmo de outros eletrônicos, como
a televisão, até pela questão da redução de custos.
Em 1993, um 486, o equipamento mais avançado da época, custava o
equivalente a cerca de R$ 10 mil. Hoje, compra-se uma máquina completa
por R$ 699. Com isso, as vendas explodiram ? em 2007, foram vendidos
cerca de 10 milhões de máquinas, 22 vezes mais do que o volume de 1993.
Neste período, os bancos se consolidaram, cresceram e se
diversificaram. Em 1996, o Brasil possuía pouco mais de 2,4 mil
instituições autorizadas. Hoje, o patamar é mais ou menos o mesmo ?
reduziram-se o número de alguns tipos de instituições, como bancos
múltiplos, comerciais, de investimento, e outras ingressaram no
mercado, caso das agências de fomento e de sociedades de crédito ao
microempreendedor.
Os bancos de varejo, que estavam restritos às classes A e B, hoje vêm
conquistando as classes C e D, um público que antes estava restrito por
uma série de questões burocráticas.
Além disso, em 1993 a inflação ainda era um dragão que tentava ser
domado e as organizações do setor financeiro se lembram muito bem,
afinal eram as que mais corriam para obter eficiência e sistemas
seguros e não ser prejudicados com as taxas, que ultrapassaram os 700%
anuais. ?Enquanto um banco da Europa ou dos Estados Unidos podia
compensar um cheque em 35 a 40 dias, nós tínhamos que processar tudo no
mesmo dia, o quanto antes?, recorda-se Cezar, que está no Bradesco
desde a década de 1960.
Muita coisa mudou nos últimos quinze anos, mas a História mostra que
compreender o passado é o passo inicial para antever o futuro. Afinal,
ao se analisar quais serão os mais prováveis cenários, criando o
planejamento estratégico, esboçamos uma análise dos caminhos possíveis.
Resta, então, identificar quais ferramentas permitirão mudar a rota,
quando e se necessário.