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Os novos desafios de liderar empresas multinacionais

Ultimamente tenho discutido dois efeitos a longo prazo dessa crise financeira. O primeiro é que o crédito continuará escasso e caro. O segundo é o fato de que o governo aumentará suas regulamentações, deixando-as ainda mais rigorosas. Enquanto as nações se esforçam para se organizar, as empresas multinacionais enfrentam outras questões preocupantes, como a do […]

Publicado: 08/05/2026 às 19:13
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6 minutos
Os novos desafios de liderar empresas multinacionais
Construção civil — Foto: Reprodução

Ultimamente tenho discutido dois efeitos a longo prazo dessa crise financeira. O primeiro é que o crédito continuará escasso e caro. O segundo é o fato de que o governo aumentará suas regulamentações, deixando-as ainda mais rigorosas. Enquanto as nações se esforçam para se organizar, as empresas multinacionais enfrentam outras questões preocupantes, como a do protecionismo, por exemplo. Em uma tentativa de manter o câmbio estável e de criar empregos, os governos estão erguendo barreiras que dificultam o livre comércio, assim como ações protecionistas que restringem o fluxo de capital e de trabalho.

Essas correções não são de longo prazo e é fato que os governos (principalmente os democráticos) trabalham em curto prazo, pois são eleitoreiros. Mas as multinacionais terão de aprender a lidar com essa realidade política.

Outra tendência para as empresa é a crescente importância do desempenho social e ambiental, além do econômico. Como os Estados Unidos estão demonstrando a intenção em assinar o Tratado de Kyoto, a questão do meio ambiente ganha novo ímpeto. A ascendente disparidade entre os ricos e os pobres serve como aviso para desenvolvermos o crescimento inclusivo.  Almejando melhor desempenho social e ambiental, ao mesmo tempo em que luta para sustentar o desempenho econômico,  os líderes corporativos terão de enfrentar um interessante dilema.

As empresas vêm tentando incorporar essas tendências ao atual cenário. Emplacam medidas otimistas, nas quais os líderes mais centrados (públicos ou privados) restabeleceriam a ordem mundial por meio de um processo justo de “pegar e dar”, e pessimistas, em que o comportamento e o pensamento limitado dos líderes afundariam o mundo em um abismo econômica e social. O desafio para esses líderes é estar preparado para resolver qualquer situação e tentar, quando possível, influenciar o surgimento de uma estrutura favorável.

Esse admirável mundo novo requer quatro contribuições fundamentais de liderança.

1. Diplomacia silenciosa
Como o governo é uma força intrusa nos negócios, os líderes corporativos não são capazes de enfrentá-lo sozinhos. Têm de aprender a fazer parcerias com o governo e direcioná-lo para trabalhar em favor de um mercado livre. Isso não será fácil devido à desconfiança entre o governo e as grandes empresas, originada pela atual crise.

Os governos não têm gostado de serem forçados a salvar as grandes empresas “demasiadamente importantes para se deixar falir”. O povo também não poupa negatividade aos empresários que têm recebido grandes bônus, enquanto funcionários de cargos inferiores foram simplesmente mandados embora.

Os líderes corporativos com certeza estão em desvantagem, mas vêem que não há muito o que se fazer ao negociar parcerias com o governo e outros players quando as novas regulamentações entrarem em vigor. Seja em comercialização global, vistos de trabalho, mudança climática ou uma rede de funcionários, os líderes corporativos têm de tomar a frente. Porém, esta habilidade nem sempre é inerente a esses empresários.

O mundo ainda se lembra das imagens patéticas dos chefes das três maiores empresas de automóveis sendo repreendidos pelo senado americano quando chegaram em seus jatos particulares para pedir subsídios governamentais. Mas há também exemplos promissores. Líderes corporativos são bem-sucedidos quando ficam longe dos holofotes. O momento pede uma diplomacia silenciosa.  

2. Um fluxo coordenado
Fundamentalmente, a estratégia para o futuro terá de ser flexível, adaptando-se ao ambiente que se altera constantemente. Essa estratégia necessitará de experiências condizentes e avaliações objetivas dos resultados, assim como uma rápida adequação de ampliação ou redução, dependendo do que for avaliado. Assim, a estratégia será mais focada no aprendizado do que no planejamento. Ela será mais participativa, conectando geografias distantes aos negócios principais e globais da empresa.

Liderar uma organização assim demandará uma mistura paradoxal de mais delegação e mais coordenação. Líderes corporativos terão de se tornar arquitetos organizacionais exemplares, garantindo à empresa a flexibilidade e, ao mesmo tempo, auferindo eficiência global por meio de crescente padronização e de eliminação das atividades redundantes. A habilidade de criar um contexto, um palco compartilhado, em que pessoas de diferentes áreas da empresa possam trabalhar de modo coordenado, será fundamental.

3. Estendendo os limites da empresa
A definição tradicional da empresa também será analisada. Ela terá de deslocar partes de sua cadeia de valor para áreas em que serão melhor aproveitadas. Porque a produção tem de ser na Europa ou nos Estados Unidos quando ela pode ser feita melhor na China? Todos os centros de Pesquisa e Desenvolvimento precisam estar na Europa ou na América, ou podem ficar em alguma cidade da Índia?

Nesse aspecto, toda a atenção estará focada nos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), que detêm grandes talentos para os negócios. Mas essas pessoas ou empresas promissoras estarão na mira não somente da comunidade internacional, mas também dos players do próprio país de origem.

Knowledge workers (funcionários que usam a criatividade e o conhecimento em áreas específicas para resolver situações) não precisam pertencer a nenhuma organização específica, mas fazer parte de uma cultura de inovação, ajudando a criar novos conhecimentos que serão disponibilizados para muitos e não com posse de uma só empresa. Administrar novos tipos de parcerias também será um desafio de liderança.

4. Uma mentalidade geocêntrica
O desmembramento da cadeia de valor pode significar que as empresas terão múltiplas sedes. A empresa terá de ser política e socialmente legítima nestes variados locais, e não somente viáveis economicamente. Isso se chama ‘geocentricidade’.

Construir uma mentalidade geocêntrica demandará dos líderes uma visão transnacional de suas empresas, incorporando diferentes normas e valores de todos os seus países sede. Esse será o maior desafio, principalmente em um ambiente político onde os governos insistem em manter identidades nacionais unifacetadas.      

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