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Pagamentos instantâneos no Brasil: entenda suas vantagens e desafios

Há dezessete anos, o Brasil deu o primeiro passo rumo à facilitação de pagamentos ao lançar o “novo SPB”. O novo sistema trouxe consigo a TED – Transferência Eletrônica Disponível – que possibilitou o repasse de recursos no mesmo dia da transação, e colocou o Brasil em destaque no que se referia a transferências rápidas […]

Publicado: 24/05/2026 às 08:25
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4 minutos
Pagamento de compras por meio de smartphones chega ao Brasil
Construção civil — Foto: Reprodução

Há dezessete anos, o Brasil deu o primeiro passo rumo à facilitação de pagamentos ao lançar o “novo SPB”. O novo sistema trouxe consigo a TED – Transferência Eletrônica Disponível – que possibilitou o repasse de recursos no mesmo dia da transação, e colocou o Brasil em destaque no que se referia a transferências rápidas no cenário mundial.

Nos últimos anos, com a revolução tecnológica, o panorama vem se transformado rapidamente e países como Suécia, Singapura e Austrália têm se aproximado da realidade cashless (economias com baixa utilização do papel moeda, fomentando o uso de pagamentos eletrônicos) dada a eficiência, praticidade e economia da mais recente modalidade de pagamento – Pagamento Instantâneo.

De acordo com o BIS – Bank for International Settlements-, pagamentos instantâneos são aqueles em que a transmissão da mensagem de pagamento e a disponibilização dos recursos para o usuário final são realizadas em tempo real (ou quase em tempo real, aproximadamente 20 segundos) e disponível 24 horas por dia e sete dias por semana (24×7).

As transferências entre contas de uma mesma instituição – os chamados arranjos fechados – pagamentos com QR code, com cartão, transferências via TED, não se referem ao ecossistema de pagamentos instantâneos no conceito estrito da modalidade. Arranjos fechados são silos verticais que não permitem a mesma usabilidade ao transferir recursos para outras instituições.

E uma vez que haja como exemplos: (i) a usabilidade de pagamentos por QR code, o mesmo é apenas um canal/meio de viabilizar pagamentos, e não uma modalidade; (ii) pagamentos com cartão, apesar de disponíveis, tem prazo dilatado que varia dependendo de sua modalidade (crédito ou débito); e (iii) transferências TED não possuem disponibilidade 24×7 e não transferem recursos em tempo real.

Cenário de pagamentos

Na Suécia, a união dos principais bancos levou à criação da Swish, que habilita cidadãos a fazerem transferências em tempo real gratuitamente. Os comércios locais pagam uma tarifa para aceitar Swish, mas o valor é bem mais em conta que os MDR dos cartões de crédito e débito.

Na China, apesar de se tratarem de arranjos fechados, a entrada do Alipay e do Wechat, instituições oriundas do comércio eletrônico, habilitou uma população com altos índices de desbancarização a ingressar no mercado de pagamentos. O resultado foi a criação de dois grandes arranjos no país mais populoso do mundo e o salto da era do pagamento em dinheiro para a era do pagamento instantâneo.

No Brasil, em maio do ano passado o Banco Central iniciou o ambicioso projeto de trazer pagamentos instantâneos para o País não apenas entre pessoas, mas também empresas e governos. O objetivo é que se possa, inclusive, pagar impostos ou receber benefícios sociais por meio da plataforma de pagamentos instantâneos, por exemplo.

Mais do que uma nova modalidade, a introdução de pagamentos instantâneos no mercado brasileiro demanda uma atenção especial, na formulação da estratégia. A experiência do usuário final passa a ser fator determinante na diferenciação e fidelização.

Outro fator relevante é o cenário de competitividade no qual o ecossistema se desenvolverá. De acordo com dados do Fintechlab, em agosto/18 havia 105 fintechs de pagamentos, 8 bancos digitais e 9 fintechs multisserviços, que somados aos outros 154 bancos autorizados na mesma época, totalizam 276 potenciais provedores de serviço de pagamentos instantâneos.

Nesta fase de definição de regras e transição, deve ser encarada como uma etapa de preparação para as empresas que pretendem atuar com pagamentos instantâneos. Pensar a estratégia de entrada, muito além da simples disponibilização de forma de aceitação, dar a devida atenção às necessidades do usuário final, estar pronta para desenvolver e integrar APIs, navegar com segurança no universo digital e se antecipar a temas paralelos, como open banking e LGPD podem ajudar as instituições a iniciar sua jornada muitos passos à frente da concorrência.

Mesmo que haja diversas vantagens na inserção do pagamento instantâneo, sua implementação deve ser considerada como ponto de atenção, pois envolve uma drástica modificação de costumes. A infraestrutura de pagamentos precisa estar centralizada em uma instituição e todas empresas devem considerar como uma demanda de adaptação à nova tecnologia, que somente funcionará se todos os players do ecossistema de pagamento instantâneo “falarem a mesma língua”.

*Débora Figueredo é gerente de Sinqia Consulting

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