Analista mostra erros e acertos nos projetos desenvolvidos até agora
As iniciativas de pagamentos móveis não estão tendo sucesso até agora. E isso pensando em base global. Esta é a conclusão de Victor Koss, especialista em instituições financeiras da consultoria Booz & Company (ligada à Booz Allen Hamilton) baseada em Londres. Koss analisou diferentes projetos lançados principalmente na Europa, e observou que as empresas não estão conseguindo extrair receita das ofertas de pagamentos por celular. Koss participou do painel Mobile payment, nesta quarta-feira, 11 de junho, durante o Ciab 2008.
Em apenas três países as soluções de pagamentos móveis conseguiram sair do estágio inicial: Japão, Quênia e Filipinas. “Mas estes casos de sucesso são restritos a condições específicas destes mercados”, explica Koss. No caso do Japão, a economia forte e tendência do consumidor a aderir a novas tecnologias; e no Quênia, a parca infra-estrutura bancária levou o cliente direto para a base móvel. Diante do quadro, Koss chega a questionar se as tecnologias de pagamentos por celular são apenas um “hot topic” ou se vão mesmo chegar a ter um grande sucesso global.
Para o analista, as iniciativas tenderão a ter sucesso quando sejam consideradas todas as partes envolvidas: empresas financeiras, companhias de telecom, prestadores de serviços (lojas, comerciantes, cias. aéreas, por exemplo) e o usuário final. Ele aconselha que as empresas busquem nestas iniciativas novas fontes de valor, e não apenas de receita. Além disso, a estratégia precisa ser definida em conjunto pelas organizações envolvidas.
A análise de Koss levantou também a necessidade de se criar uma massa crítica de usuários como fundamental para que as soluções de pagamentos móveis ganhem força no mercado. Este é um aspecto que resultará da ação conjunto de bancos, operadoras de celulares e redes de varejo. Outras questões importantes, em sua opinião são o apoio de governos, para impulsionar investimentos e ajudar na padronização e regulamentação, além do foco na facilidade de uso e custo para os usuários.
Acompanhe a cobertura completa do Ciab Febraban 2008.