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Saúde 5.0
transformação digital

Pandemia pressiona ecossistema de tecnologias e serviços para entregar a Saúde 5.0

Por que Saúde 5.0? O termo Quarta Revolução Industrial foi cunhado no Fórum Econômico Mundial em 2011, fazendo referência à iminente consolidação, em nosso dia a dia, de tecnologias como Inteligência Artificial e Robótica. Em 2016, admitindo que estávamos já próximos a essa realidade, surgiu no Japão o conceito de uma sociedade 5.0 – mais […]

Publicado: 27/04/2026 às 14:59
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Construção civil — Foto: Reprodução

Por que Saúde 5.0? O termo Quarta Revolução Industrial foi cunhado no Fórum Econômico Mundial em 2011, fazendo referência à iminente consolidação, em nosso dia a dia, de tecnologias como Inteligência Artificial e Robótica. Em 2016, admitindo que estávamos já próximos a essa realidade, surgiu no Japão o conceito de uma sociedade 5.0 – mais ecossustentável, mais empática, mais voltada para o trabalho em equipe, entre outras características, considerando que estaríamos convivendo com esses recursos.

Em termos de saúde, o foco, em uma sociedade 5.0 ultrapassa a ideia de tratar doenças, passando a significar cuidado integrado e com o bem-estar das pessoas.

No nosso cotidiano, a prática da Telemedicina mostrou-se irreversível, e, de um modo ainda em consolidação, tem sido essencial no quadro da pandemia, ocasionando inclusive uma regulamentação legal (Lei 13.989 de 15/04/2020) pela qual já se lutava há 18 anos. Na minha visão, estamos evoluindo da Telemedicina como Serviço para um Ecossistema de Medicina Conectada, ou Saúde Conectada.

Porque a conectividade, hoje tão presente em nossas vidas – e mais presente ainda neste momento de Covid-19, em que passamos a depender totalmente dela para trabalho e educação – também está se tornando um elemento-chave no setor da saúde. Aprendemos, com a Covid, uma lição importante: é fundamental promover saúde e prevenir doenças para reduzir riscos e/ou promover melhores condições orgânicas caso se venha a adoecer.

É interessante lembrar o fator envelhecimento na sociedade 5.0. Estima-se que até 2025 seja de 8 bilhões a população mundial, contando aí com 1,2 bilhões de idosos. Teremos, portanto, uma Índia de pessoas idosas. E vamos ter que aprender a lidar com doenças crônicas não transmissíveis, uma ideia que não é nova. Thomas Edison, no início do século 20, já dizia: “o médico do futuro não irá prescrever remédios, mas instruirá seu paciente no cuidado do corpo humano, na dieta, e na causa e prevenção da doença”.

Nesse contexto será necessário evoluir para o cuidado domiciliar e cuidados pessoais. E aqui eu gostaria de enfatizar que Telemedicina não é apenas a interação por uma videochamada. Ela é muito mais do que isso. Envolve a conexão com aparelhos de monitoramento de saúde capazes de transmissão de sinais do paciente para o médico, contribuindo, com essa interação, para o raciocínio médico, que então pode se expandir com a utilização de aparelhos e conexão de dados (IoMT).

A Telemedicina também não é ferramenta. É um método de investigação e cuidados não presenciais, usando Tele Tecnologias Assistenciais. Para isso, nós temos que começar a criar outros conceitos. O que importa para nós não é a Telemedicina serviço, que pode ocorrer de forma isolada, sem interconexão com uma cadeia de cuidados. Devemos neste momento reforçar o conceito de Telemedicina de logística e cuidados integrais. Trata-se de criar uma cadeia de encaminhamento para que as pessoas se cuidem, para que não fiquem doentes; trata-se de aumentar o acesso a serviços médicos e agilizar a resolução de problemas de saúde – o que envolve a formação de pessoas integrada à robustez digital, inclusive em temos de segurança da informação.

Um outro aspecto é a Telemedicina organizacional, em que hospitais e instituições médicas precisam ter acreditação digital e certificação atestando a qualidade de suas infraestruturas para essa finalidade, da mesma forma que a construção física de um centro médico deve seguir determinados padrões, que são bastante rígidos.

Talvez possamos pensar que os hospitais serão hubs de saúde: ponto focal para distribuição de serviços domiciliares, com qualidade hospitalar. Possivelmente essa década será a década em que assistiremos a esse novo modelo de distribuição, com tecnologias eficientes, ampliando o surgimento de hospitais dígito-híbridos que contarão com o aumento da sua eficiência interna aliada à agilidade para o telemonitoramento domiciliar.

Esses hospitais se inserem na ideia do ecossistema de Saúde Conectada, em que a Telemedicina serve como recurso de integração de centros de referências, por meio de uma nuvem cognitiva da saúde incluindo, por exemplo, salas-cofres digitais, centro de convenção digital, educação, sistemas de diagnóstico, sistema de TeleMulticare domiciliar e farmácias conectadas com os hospitais para a entrega imediata do medicamento em domicílio.

A construção de uma rede como essa, criando a verdadeira Saúde Conectada, é o nosso grande desafio para a década em que vivemos. E a chave para isso é o pensamento socrático: “O segredo da mudança está em concentrar toda a nossa energia, não em lutar com o antigo, mas em construir o novo”.

*Prof. Dr. Chao Lung Wen é Professor Associado da FMUSP, onde chefia a disciplina de Telemedicina; líder do grupo de pesquisa USP em Telemedicina, Tecnologias Educacionais e eHealth no CNPq/MCTI; orientador em nível mestrado e doutorado na FMUSP; membro da Câmara Técnica de Informática em Saúde do CFM e Membro do Comitê de Bioética do CREMESP.

Este artigo se baseia em palestra proferida no ShowCase Saúde: Telemedicina e Telessaúde como potencializadoras para a Saúde Conectada 5.0, promovido pela SYNNEX Comstor em parceria com a Cisco em 22 de julho.

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