Técnicos acreditam que roteador periférico dificilmente poderia afetar toda a rede e suspeitam de falha no sistema de gerência da operadora
A pane que derrubou a rede de banda larga (MPLS) da Telefônica ainda não foi esclarecida. O laudo técnico encomendado pela companhia telefônica ao CPqD não foi concluído até o momento, e continua fechado a sete chaves no centro de pesquisa tecnológica sediado em Campinas.
Sabe-se que 2,2 milhões de clientes Speedy terão desconto de 120 horas em suas contas de agosto, como forma de ressarcimento das 36 horas em que o sistema ficou em pane e que retirou a Secretaria de Segurança P´ública do ar.
Enquanto não surge o veredicto, as especulações no setor de telecomunicações continuam. Até o momento a opinião de consenso das fontes ouvidas pela Gazeta Mercantil indica que o real problema ocorreu no sistema de gerência da própria Telefônica, sediado em São Paulo e totalmente automatizado.
Foi divulgado nos primeiros dias que um roteador situado em Sorocaba teria sido a causa da suspensão dos serviços e que este seria de fabricação da chinesa Huawei.
Conforme os técnicos ouvidos pela Gazeta Mercantil, um roteador periférico e localizado fora do coração da rede dificilmente teria alcance para derrubar toda a rede da operadora paulista como aconteceu, a não ser que o problema inicial diagnosticado no equipamento tenha sido ignorado pelo sistema de gestão da rede, que é composto de um conjunto de equipamentos que tomam conta dos outros, este sim situado no centro nervoso da companhia em São Paulo.
Trata-se de uma análise elaborada e complexa e que foge do que costuma ocorrer quando um equipamento, ao entrar em pane, é imediatamente substituído pelo seu back-up. “Se o problema foi decorrente de um defeito de conceito do equipamento, não adiantou haver a duplicação, porque o segundo também faliu no minuto subseqüente”.
Se o laudo preparado pelo CPqD indicar que houve sabotagem, é provável que a Telefônica opte por não esclarecer as verdadeiras causas à população. Até ontem, os responsáveis pela gestão da rede estavam envolvidos em reuniões com consultores de tecnologia e de imagem para identificar a melhor forma de gerenciar a crise que tirou São Paulo da internet por 36 horas.