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Papo aberto sobre Intel, AMD, Windows 7, WARP, Netbooks, etc

A coluna de hoje é um pouco diferente. Ao invés de comentar sobre um único tema, vou falar de vários temas relacionados e convidar, você leitor, a uma reflexão. Intel com marca própria ? Algo que me surpreendeu esse ano foi a iniciativa da Intel em lançar produtos de consumo com marca própria. A Intel […]

Publicado: 14/05/2026 às 16:04
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11 minutos
Papo aberto sobre Intel, AMD, Windows 7, WARP, Netbooks, etc
Construção civil — Foto: Reprodução

A coluna de hoje é um pouco diferente. Ao invés de comentar sobre um único tema, vou falar de vários temas relacionados e convidar, você leitor, a uma reflexão.

Intel com marca própria ?

Algo que me surpreendeu esse ano foi a iniciativa da Intel em lançar produtos de consumo com marca própria. A Intel é uma grande fabricante de componentes para OEM e, exceto pelos processadores, placas mãe e algumas placas dedicadas para uso em servidores, não atua diretamente junto ao consumidor final. Isso mudou com os discos SSD baseados em memória flash e para minha surpresa, a Intel está entrando no segmento de dispositivos NAS com marca própria, como no produto avaliado pelo Tom’s Hardware .

O que há de mal nisso? Para os leigos nada de mais, mas para quem conhece essa indústria está ficando claro que certos produtos não estão recebendo o devido interesse por parte dos OEMs e precisam de “incentivos” da Intel para amadurecerem e se tornarem atraentes para a HP, DELL, e tantos outros. Isso é até compreensível para o SSD, um produto caro e que precisa ter ganho de escala para se tornar competitivo, mas o NAS da Intel usa discos magnéticos comuns… Será que a Intel, que gasta verdadeiras fortunas em publicidade para alavancar a venda de componentes para seus parceiros, vai se transformar em uma empresa voltada ao consumidor? Com a DELL e outros importantes OEM enfrentando dificuldades e com a brutal retração de mercado e de margens que comentarei a seguir, isso pode fazer algum sentido.

Microsoft e Windows perdem mercado!

O Windows e o IE estão perdendo market share a cada contagem. O destaque está com a Apple, que vem emplacando grandes volumes com seus produtos, conseqüentemente alavancando o uso do Mac OSX e do browser Safári. A Microsoft está sendo pressionada, embora indiretamente, tanto no segmento high end quanto no low end. Quase todos os netbooks populares vendidos na Wal-Mart, Best Buy e outros varejistas utilizam alguma variação de Linux, junto com alguns PCs e notebooks de baixíssimo custo, atacando a base da Microsoft e seus potenciais futuros compradores. No segmento High End a Apple com seus elegantes produtos está crescendo a passos largos, já é o maior vendedor de notebooks acima de 1000 dólares do mercado americano. O Windows Vista realmente não agrada a maioria dos usuários e nem todos os PCs e Notebooks com ele pré-instalados permanecem com o Vista por muito tempo, vide o enorme volume de “downgrades” para Windows XP registrado pela HP recentemente.

O fato é que pela primeira vez em muitos anos o Windows está com menos de 90% de participação de mercado (89.6% pra ser exato) enquanto a Apple atingiu incríveis 8.9% restando para as mais variadas distribuições Linux apenas 1.5% (dados da Net Applications). No mercado de browsers a tendência se confirma, com o Internet Explorer caindo para menos de 70% do mercado (69.8%) perdendo espaço para o Safári e para o Firefox. A Net Applications afirma que se a tendência continuar, o IE terá menos de 60% do mercado já em 2009. Poucos acreditam que o IE8 disponível no Windows 7 (também conhecido como Windows ME II SP1a pelos mais maldosos) mudará alguma coisa.

Falando em Windows 7, e esse tal de WARP?

Pra quem não conhece o WARP (Windows Advanced Rasterization Platform) é uma camada (layer) de software que permite a CPU principal do sistema executar operações antes dedicadas a placa gráfica (GPU), podendo assumir totalmente o controle em certos casos.O Tom’s Hardware mostrou algumas análises onde o Core i7 de 8 núcleos e 3GHz conseguiu, pasmem, superar o medíocre vídeo onboard da própria Intel, que convenhamos, está muito atrás de qualquer GPU da ATI ou NVIDIA.

Se o WARP inicialmente não impressiona, por trás dele há uma malévola estratégia de implementação do Intel Larrabee, aquela GPU x86 muito alardeada pela Intel como a sua “solução” para a rasterização de imagens 3D e games em geral. O Larrabee ainda não existe, talvez nem venha a existir (opinião minha), mas já se sabe que a Microsoft o apóia e dizem as más línguas que ele pode ser adotado em uma futura versão do XBOX. Aliás, dizem essas mesmas línguas venenosas que a Intel estaria disposta a pagar verdadeiras fortunas para ver seu produto dentro de um XBOX, aliás, dizem essas mesmaslínguas… que isso está no planejamento estratégico da Intel como a “única” alternativa para o Larrabee sobreviver e amadurecer em um mercado hoje dominado pela ATI e NVIDIA. Ainda veremos várias “iniciativas” no sentido que usar CPU pra fazer o trabalho de GPU patrocinadas pela Intel, enquanto ATI e NVIDIA apostarão exatamente no contrário, a GPU fazendo o trabalho da CPU.

Eu aposto na GPU como principal fonte de processamento em um futuro próximo, mas a grande questão é a situação da NVIDIA: Se a Intel for bem sucedida com seu Larrabee, a NVIDIA perde a razão de existir e a AMD/ATI continuará pressionada. Se o Larrabee for um fracasso, a saída mais óbvia é a Intel comprar a NVIDIA, algo que, dizem algumas línguas fofoqueiras, já quase aconteceu por duas vezes, a última delas no início desse ano, quando curiosamente as hostilidades entre as duas se intensificou. Em qualquer um dos casos, ver a NVIDIA como empresa independente nos próximos anos me parece algo improvável.

Vamos aguardar pacientemente, pois se algo de realmente novo e evolucionário surgir nos próximos anos na indústria do PC, isso virá de alguma forma relacionado ao poder computacional gráfico, seja através de novas interfaces ou através de novos usos como GP-GPU. Intel, NVIDIA e AMD+ATI são as peças desse tabuleiro. Por outro lado, a Microsoft não joga pra perder, e crescem os boatos de um novo dispositivo de hardware da Microsoft baseado no NVIDIA Tegra . Dizem que será um celular poderosíssimo, além de uma plataforma de jogos superior ao PSP e similares, capaz de transformar a indústria. Pra quem não conhece o poder do Tegra, vale a pena assistir alguns vídeos na página da NVIDIA no Youtube .

AMD revisa pra baixo seus números.

Já foi noticiado amplamente, inclusive aqui no Fórum PCs, que a AMD revisou seus resultados planejando uma queda de 25% no faturamento para esse último trimestre de 2008, e isso foi feito menos de um mês depois do AMD Analyst Day, onde se afirmou que a recessão não atingiria a AMD e que por isso manteria suas projeções (depois perguntam porque os informes da AMD tem pouca credibilidade). Para quem acompanha os péssimos resultados da AMD nos últimos 3 anos, sabe que essa retração é bem pior do que parece devido a pouca (ou negativa) lucratividade da empresa. De forma bastante resumida, posso afirmar que se o acordo com a Abu Dhabi para a divisão da companhia não for aprovado pelo governo americano, a AMD morrerá durante a recessão. Por outro lado, é muito difícil que no cenário atual tal acordo não seja aprovado. Ninguém é louco de condenar uma empresa ao fracasso nesse momento de crise. Com essa projeção de resultados temos mais demissões à vista, mas isso não é nenhuma novidade.Demissão é uma das poucas coisas que crescem em ambientes de crise.

Há uma outra questão mais séria que ainda precisa ser resolvida. A famosa “rádio corredor” afirma que os credores da AMD (leia-se bancos, fundos de investimentos, etc…) não concordam com a divisão da empresa e a venda de ativos para o grupo árabe sem a respectiva transferência da dívida. O atual acordo prevê a que a Foundry fique com todas as fábricas e principais ativos, mas a maior parte das dividas com os credores permanecem com a AMD “Designer”, que deixa de ter lastro em ativos reais para honrá-las. Os boatos mais insistentes dão que os credores vão assumir a parcela da AMD na Foundry, garantindo seus recebíveis. Nenhum banco ou fundo de investimento está disposto a aceitar mais “defaults” (não pagamento de recebíveis) com o atual cenário, e deixar as dívidas com uma empresa sem ativos e que opera no prejuízo não é algo que agrada àqueles que viram seus investimentos desaparecer em uma proporção nunca vista nos últimos 80 anos.

Netbooks destroem a renda dos fabricantes

No meio do ano eu escrevi uma coluna intitulada O efeito perverso da plataforma Atom! onde eu antecipava o mal que o Atom e os netbooks causariam na indústria. Naquela época, a “Crise Mundial” era algo improvável e todos acreditavam que seria possível atingir o segmento low end com um produto de baixa margem e ainda ganhar dinheiro nos demais segmentos. Mas o cenário atual é bem diferente. Desde o ano passado que os notebooks se tornaram o carro chefe da maioria das empresas, mostrando que o consumidor não tem rejeição ao formato. Com a crise, os Netbooks explodiram em vendas porque na mente dos consumidores eles são “notebooks baratos”. Os fabricantes da Ásia já reportaram imensos cortes (reduções de volume) nas ordens de fabricação de notebooks tradicionais além de vários cancelamentos de produção. Estima-se que o corte é da ordem de 20% a 25%.

Alguns analistas associam o baixo custo e baixa margem de um netbook a um Frankenstein: “Nós os criamos, nós os odiamos, mas não podemos matá-los porque são eles que vendem”. O problema maior é que o netbook não é visto como um notebook adicional para um indivíduo ou família, e sim como uma alternativa barata ao notebook tradicional. Ele efetivamente rouba mercado do notebook e do desktop low end sem aumentar a quantidade total de PCs/notebooks vendidos.

O IDC chegou a afirmar este ano que o Netbook seria o maior estimulo no mercado de notebooks, mas hoje se vê que é o principal responsável pela retração na lucratividade do setor, corroendo as margens dos fabricantes de componentes (leia-se Intel e AMD) além dos integradores OEM (DELL, HP, e outros tantos outros). O fato é que o netbook chegou pra ficar, e por causa disso haverá um re-escalonamento de preços na linha de produtos de notebooks e conseqüentemente as margens de todos se reduzirá, desde fabricantes e integradores até dos lojistas que atendem o consumidor na ponta final.

Os netbooks já são os campeões de vendas na Amazon, Best Buy, Wal-Mart e todos são equipados com Linux ou Windows XP (nada de Vista, para o desgosto da Microsoft) e quase a totalidade utiliza processadores e chipsets Intel (para o desgosto da AMD). Há poucos dias me chegou uma mensagem “do além” afirmando que a Apple estará lançando um netbook em breve, muito breve, e provavelmente utilizará um processador ARM similar ao que é utilizado no iPhone, ou baseado no NVIDIA Tegra. Se tal produto se confirmar e for mais um sucesso da Apple, a participação global do Mac OSX e do browser Safári irá aumentar consideravelmente, e a imagem do netbook como substituto de baixo custo dos notebooks tradicionais irá se fortalecer. Perdem Intel, AMD, Microsoft e mais um monte de gente que vive de fabricar e vender notebooks.

Para reflexão

A crise pegou o setor de consumo em cheio, e no caso do segmento de informática um produto de baixo custo criado pela própria indústria está canibalizando o setor. A Intel investe em marcas próprias quando o integrador OEM se mostra ineficiente, e a Microsoft paga o preço de um Vista equivocado e antecipa seu “sucessor” como forma de minimizar os estragos. Mas no fundo podemos estar assistindo o nascimento de uma nova era da informática, com dispositivos portáteis não necessariamente baseados em processadores x86, não necessariamente baseados em sistemas Windows, e uma mudança nas margens de lucro que tende a permanecer nas estruturas das empresas daqui pra frente. Da última vez que vi isso acontecer eu ainda estava na IBM e a grande discussão era se os PCs iriam tomar o lugar dos Mainframes, fenômeno que foi chamado de “Downsizing” nos anos seguintes. Talvez estejamos perto de um novo downsizing, na direção dos portáteis.

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