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Qual a relação entre paternidade e futuro do trabalho?

Motivado pela preocupação com as filhas, Marcos Piangers, autor de “Papai é Pop”, vem desenvolvendo uma ampla pesquisa sobre como será o mercado para os profissionais daqui para a frente

Publicado: 13/05/2026 às 16:43
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futuro do trabalho
Construção civil — Foto: Reprodução

Paternidade e futuro do trabalho são dois assuntos totalmente interligados, na opinião de  Marcos Piangers, que já vendeu mais de 300 mil exemplares do livro “Papai é Pop” no Brasil, Portugal, Espanha, Inglaterra e EUA. Ele, que é mais conhecido por abordar o impacto da paternidade na vida de um homem e a nova concepção de pai moderno –  e acompanhado por mais de 1 milhão de seguidores no Instagram – passou recentemente a conduzir uma ampla pesquisa sobre como será o mercado para os profissionais daqui para a frente.

 

“Quando eu estou falando de futuro do trabalho, eu estou falando também do futuro da vida das minhas filhas, de uma parte importante da vida das pessoas”, explique Piangers na seção “3 Perguntas sobre Carreira”. Após coordenar mais de 400 entrevistas com profissionais de 30 áreas diferentes, ele compartilha com a IT Trends algumas das conclusões prévias do estudo, e avisa que o cuidado com a saúde mental será crucial para todos os profissionais daqui para a frente. O motivo? Nossa proximidade com as máquinas no trabalho pode culminar em muita autocobrança e stress. Confira a entrevista:

 

IT Trends – Você é conhecido na internet por abordar o tema paternidade. O que te motivou a pesquisar sobre o futuro do trabalho?

 

Marcos Piangers – Essa preocupação com o futuro ficou mais latente com a chegada das minhas filhas, e esse é um assunto que me envolveu desde o lançamento do livro “Papai é Pop”, em 2015.  E quando eu estou falando de futuro do trabalho, eu estou falando também do futuro da vida das minhas filhas, de uma parte importante da vida das pessoas. Esse ano estruturamos um grupo de pesquisa que até agora já fez mais de 400 entrevistas ao redor do mundo todo com profissionais de 30 áreas diferentes de atuação.

 

Nós temos percebido transformações profundas relacionadas ao que nos motiva a trabalhar. Se no passado os profissionais eram puramente focados em metas, hoje em dia a gente tem outros gatilhos de motivação e outros motivos para estar produzindo, trabalhando e até abraçando propósitos de marca.

 

IT Trends – Quais são os principais insights que já pode adiantar sobre essa pesquisa?

 

Marcos Piangers – O que a gente está sentindo é que essa é a nova geração é mais ativista e mais romântica, e já percebeu que vida pessoal e trabalho estão misturados. É uma geração para a qual o propósito, a contrapartida social e o impacto que a marca causa no mundo é muito importante. Esse é o profissional que vai se sentir profundamente incomodado com as contradições de discurso e prática de uma corporação.

 

A gente tem percebido também que a liquidez anunciada pelo Baumann nas relações afetivas também está nas relações de trabalho. Saiu uma pesquisa recente mostrando que essa Geração Z já chegou ao número de empregos que os Baby Boomers chegaram durante toda a sua vida (seis). Isso significa que essa volatilidade tem um impacto grande na vida das corporações e nas relações de trabalho. Segurar os talentos nas empresas vai ser o grande desafio das empresas no futuro.

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Também há um desafio grande para o profissional, que vai saber de muitas coisas, mas sem muita profundidade. Ele aprende e reaprende rápido, mas o fato é que esse é um profissional que não vai se aprofundar em nada, porque muda de emprego o tempo todo. Isso pode trazer para o futuro menos entrega de valor.

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As habilidades para o futuro passam por adaptabilidade, aprendizado contínuo, conhecimento tecnológico, capacidade de trabalho em equipe, comunicação, Mas também passam por desenvolvimento de inteligência emocional e saúde mental para lidar com essas transformações constantes, porque é muito desgastante.

 

É trabalhoso aprender e desaprender constantemente. Estar constantemente mudando de função exige que você esteja constantemente aprendendo. Tem outro fator que também é  desafiador que é a nossa relação com a produtividade das máquinas, que são muito mais produtivas que os humanos. E no momento em que os times híbridos são uma realidade, a nossa biologia ainda não está preparada para lidar com essa produtividade tão eficaz da máquina. E aí a gente vê muito Burnout, muito cansaço, muito autocobrança, muita crise de saúde mental e de saúde fisiológica.

 

IT Trends – Quais conselhos você dá para quem está escolhendo uma carreira agora?

 

Marcos Piangers – É preciso entender que a lógica de se formar em uma faculdade cada vez mais perde força no seu currículo, pequenas qualificações (nano degrees), diplomas pequenos, mas feitos em instituições de grande relevância, se possível na área tecnológica (a área que mais tem absorvido força de trabalho no mundo) ganham importância.

 

A gente vê diminuição na empregabilidade de funções que são físicas e manuais, ou seja, repetitivas. A área da tecnologia evidentemente é responsável por essa diminuição e precisa de profissionais. A queda é de 15% nos empregos de baixa cognição, repetitivos e físicos, mas o aumento na área de tecnologia é de 55%. Então veja que a gente perde alguns empregos em algumas áreas, mas aumenta muito a demanda por empregos nas áreas de tecnologia.

 

Entenda que a transformação acontece muito rápido e passar 5 anos em um curso pode não ser tão significativo para a construção de um currículo, acho que essa é a principal dica que eu daria para quem está escolhendo uma carreira agora.

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