O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis publicou na última sexta-feira (10) novos avanços do Projeto Andar de Novo, o qual lidera, na revista Scientific Reports. O trabalho levou dois paraplégicos a caminharem. Na publicação, os cientistas explicam que os dois pacientes com paraplegia crônica foram capazes de caminhar com segurança apoiados em 70% do peso do […]
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis publicou na última sexta-feira (10) novos avanços do Projeto Andar de Novo, o qual lidera, na revista Scientific Reports. O trabalho levou dois paraplégicos a caminharem.
Na publicação, os cientistas explicam que os dois pacientes com paraplegia crônica foram capazes de caminhar com segurança apoiados em 70% do peso do próprio corpo, acumulando um total de 4.850 passos.
Nicolelis publicou o vídeo com os pacientes caminhando em sua conta no Twitter. “Projeto Andar de Novo demonstra que é possível reestabelecer a marcha em pacientes paraplégicos crônicos”, escreveu. No vídeo publicado pelo neurocientista, é possível acompanhar a lenta caminhada dos pacientes. Um deles tem 40 anos e o outro, 32 anos. Eles sofreram a lesão há quatro anos e meio e dez anos, respectivamente.
Trata-se de um feito histórico da ciência brasileira e resultado de empenho de mais de 15 anos de um consórcio internacional de cientistas liderado por Nicolelis. O Projeto Andar de Novo teve a sua “estreia pública” na Copa do Mundo de 2014, quando o voluntário paraplégico Juliano Pinto, então com 29 anos, utilizou um exoesqueleto para dar o chute simbólico e inaugural do mundial. Desde então, a pesquisa evoluiu e passou por uma série de atualizações.
No caso dos resultados publicados recentemente na Scientific Reports, os cientistas detalham várias abordagens combinadas, em especial o desenvolvimento de um novo dispositivo de estimulação muscular e de uma interface cérebro-máquina não invasiva. O paciente imagina a perna esquerda se movendo, o que aciona a contração de músculos naquele membro.
Segundo o estudo, os pacientes também experimentaram aumento no volume muscular e melhora funcional da marcha (medida como a capacidade de andar 10 metros em carga total, usando apenas dispositivos auxiliares passivos, como andadores e muletas). Houve também melhora neurológica clínica em ambos os pacientes.
Ainda em 2016, o consórcio publicou um artigo clínico, também, na revista Scientific Reports, relatando a descoberta de que o grupo de pacientes que continuou a treinar com sistemas controlados pela atividade cerebral, incluindo o exoesqueleto, foi capaz de readquirir a habilidade de mover voluntariamente alguns músculos das pernas e sentir sensações de tato, dor e vibração emanados dos membros paralisados.