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Podem os Macs conquistar as corporações?

Custos de suporte, falta de aplicativos de gestão, preocupações com o legado e a falta de uma estratégia definida ainda impedem as companhias de adotar o Mac em larga escala.

Publicado: 13/04/2026 às 02:53
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21 minutos
Podem os Macs conquistar as corporações?
Construção civil — Foto: Reprodução

Se a Apple fosse um time de futebol americano, o New England Patriots teria forte concorrência este ano. O fabricante é o invicto “king of cool” nos mercados de produtos eletrônicos de consumo e computadores domésticos. Está avançando rapidamente no mercado mais amplo da computação pessoal e usufruindo um ressurgimento de popularidade em nichos tradicionais do Macintosh, como os departamentos educacional, de marketing e de criação.

Com todo este pique, você pensaria que o Mac está pronto para vir por trás e conquistar a corporação. Neste campo de jogo, porém, a Apple ainda está na primeira jogada em sua própria linha de 10 jardas.

É uma ironia, já que o interesse corporativo por um papel mais abrangente para os Macs está crescendo drasticamente entre os executivos de TI, impulsionado por mudanças no que o Mac tem a oferecer, pelo sucesso da Apple no mercado de consumo e em seus outros nichos e pela tendência corporativa de que, graças à virtualização e à migração para aplicações baseadas na web, o controle do Windows sobre o desktop talvez esteja começando a perder um pouco de força.

“Ouço cada vez mais perguntas sobre a possibilidade de trazer Macs para a corporação e o que isso exigiria”, diz Tim Bajarin, presidente da empresa de consultoria estratégica Creative Strategies. Charles Smulders, analista da Gartner, também viu um aumento substancial de perguntas de clientes corporativos sobre o Mac.

Só há um problema: “A Apple lhe dirá que está focada no mercado corporativo comercial, mas, no fim das contas, não é uma grande prioridade para eles”, observa David Daoud, analista da IDC. Um porta-voz da Apple disse que a empresa suporta clientes corporativos, mas recusou-se a informar uma estratégia corporativa, afirmando apenas que a Apple “tende a enfocar o produto, não a estratégia por trás dele”.

Esta ambivalência é uma preocupação para gerentes de TI como Dale Frantz, CIO da Auto Warehousing Co. (AWC), que no ano passado deu início a um projeto corporativo de migração para Macs em 23 locais. “Eu diria que o maior ponto fraco no momento é a falta de uma estratégia corporativa coesa da parte da Apple.”

Excetuando-se algumas grandes empresas de mídia e publicidade, as corporações não são um dos mercados principais da Apple. Segundo Bajarin, a Apple “não tem a pretensão de que a próxima montanha a conquistar é a corporação”.

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A atitude da Apple é simples, diz Charles Edge, diretor de tecnologia da 318 Inc., empresa de consultoria em TI. “A estratégia deles é criar um computador fantástico compatível com padrões. Se as empresas quiserem utilizá-lo, ótimo, se não quiserem, tudo bem também.”

Mas para que um produto tenha sucesso como principal plataforma de computação pessoal em grandes empresas não basta que ele seja excelente. “Para ir atrás das grandes contas corporativas, você precisa de uma força de vendas direta experiente e de uma organização de serviço dedicada para tomar conta das contas corporativas. Este não é o legado da Apple”, argumenta Bajarin. E, ao que tudo indica, também não parece ser o futuro.

Repensando o Mac
 É fácil entender o atrativo do Mac. No lado cliente, o OS X do Mac é relativamente fácil de usar. O acréscimo de recursos ao novo release Leopard – como o ótimo utilitário de backup Time Machine e o Spaces, que permite que os usuários criem múltiplos desktops virtuais centrados em tarefas — só faz melhorar esta reputação.

E os Macs são considerados mais estáveis do que o Windows, com menos problemas de spyware e vírus, o que se traduz em menos chamadas de help desk. Mas não é isso que atrai a atenção de TI.

O aumento repentino de interesse pelo Mac é resultado direto de dois desenvolvimentos em 2006: primeiro, a evolução de Macs baseados no Intel x86 mais amigáveis com o Windows e, segundo, o lançamento do Boot Camp, que permite que um ambiente Windows inteiro e seu complemento de aplicações rodem nativamente em uma partição da unidade de disco rígido separada, em qualquer Mac.

O Boot Camp, em especial, despertou muita atenção. De acordo com a Apple, 1,5 milhão de cópias da versão beta do Boot Camp foram baixadas antes da liberação do programa como parte da versão Leopard do OS X. A integração total do Boot Camp ao Leopard fez com que alguns gerentes de TI analisassem ativamente o potencial do OS X como alternativa para a computação corporativa.

Embora a maioria dos clientes da 318 Inc. que utilizam Macs intensivamente atuem nas áreas de vídeo, som e publicidade, Edge está vendo mais clientes não-tradicionais dispostos a mudar. “Temos duas companhias de energia e uma empresa de design de fontes que migraram de Windows para Macs no ano passado” diz. “Mas nenhum delas era uma grande empresa, com mais de 500 funcionários.”

Na Geiger Bros., 25 funcionários do grupo de marketing já usam Macs, número que poderá aumentar, prevê Joe Marshall, analista de negócio da Lewiston, Maine, empresa de produtos promocionais. A maioria dos 300 computadores pessoais da empresa continua rodando Windows, mas alguns Macs usam o software de virtualização Parallels Desktop for Mac da Parallels para possibilitar o acesso a aplicações de negócio Windows, conta Marshall.

Ganhos no lado servidor?
 A situação é um pouco menos clara no lado servidor. A constelação de produtos da Apple — Xserve, Leopard Server e Xsan – é destinada principalmente às ilhas de Macs em departamentos e pequenas empresas em seus mercados core.

Os aprimoramentos ao sistema operacional nos produtos desktop e servidor foram voltados, sobretudo, ao consumidor e à pequena empresa. O Leopard Server, por exemplo, é extremamente focado em facilidade de configuração para pequenas empresas e oferece um pacote de ferramentas orientadas a workgroup.

A Apple reforçou alguns recursos que são importantes para usuários corporativos. Problemas de integração com o Active Directory da Microsoft, que exigiam paliativos e ferramentas de terceiros, foram resolvidos no release Leopard. Os usuários agora podem atualizar seus próprios perfis de diretório e contar com assinatura digital, o que tranqüiliza o pessoal de TI preocupado com segurança.

Aumentando seu apelo entre os administradores, o OS X, ao contrário do Windows, se baseia no sistema operacional Unix e em padrões abertos como os serviços de arquivo e impressão Samba, o protocolo de compartilhamento de arquivos NFS, acesso remoto seguro RADIUS e serviços de diretório LDAP.

“O atrativo maior do Mac é a estabilidade da base Unix para o OS X como sistema operacional”, diz Frantz, da AWC. O uso de Macs em uma rede OS X Server oferece muitos outros benefícios, especificamente nas áreas de administração e serviço clientes remotos, imaging de disco remoto e configuração de sistema. Por fim, ferramentas de comunicação aprimoradas como chat com vídeo iChat também facilitam o suporte.

Na prática de consultoria, Edge se depara com alguns problemas persistentes. “Ainda não há como reunir os serviços de compartilhamento de arquivos em clusters, o que é muito importante”, exemplifica Edge. Ele também teve alguns problemas com fail-overs em configurações de cluster ativo/passivo. No geral, porém, hoje é muito mais fácil plugar Macs em uma configuração corporativa do que há 12 meses.

E também pode ser mais barato. No lado servidor, a Apple detém uma vantagem sobre o Windows em termos de custo de licença. O modelo de licença de software da Apple foi a “razão primordial” para Frantz padronizar em torno de servidores Mac.

A Apple licencia o Leopard Server em uma base por servidor – não são necessárias client access licenses (CALs) para acessar compartilhamento de arquivos, e-mail, chat, calendários compartilhados e outros recursos básicos. (Entretanto, sua ferramenta de gerenciamento, Apple Remote Desktop, é vendida como uma licença para 10 usuários simultâneos ou para usuários ilimitados). Os custos “soft” de administração e rastreio de CALs também são outro fator, explica Frantz, acrescentando que pode ser uma dor de cabeça gerenciar estas licenças.

Ainda assim, os servidores Apple fizeram poucas incursões em organizações maiores além de servir Macs em nichos departamentais tradicionais. O MIT tem cerca de 3 mil Macs no campus, mas só alguns servidores Apple isolados. O MIT usa principalmente hardware Dell rodando Windows ou Linux. “Não vejo a Apple assumindo o data center tão cedo. Há uma predisposição lá. Você usa aquilo que funciona”, isto é, as tecnologias de servidor que são comprovadas e estão funcionando no data center, segundo Don Montabana, diretor de serviços de suporte ao cliente do MIT.

Vendendo bem
 Com seus servidores e desktops, a Apple agora está em boa posição para seduzir as corporações. E tem mais um ponto a seu favor: muito boa vontade por parte dos usuários de computador comuns.

A grande vendagem de hardware da Apple é uma prova disso. Não muito tempo atrás, sua fatia do fornecimento de PCs nos Estados Unidos ficava em torno de 3%. Os tempos mudaram. No terceiro trimestre de 2007, a participação do Mac no fornecimento de PCs subiu para 6,9%, com um crescimento de 29% ano sobre ano, de acordo com a IDC.

No espaço dos laptops, que estão corroendo o mercado de desktops, a Apple está disparando. Chegou ao quarto lugar em fornecimento de laptops, com 9,7% de participação no terceiro trimestre e 43,6%.de crescimento ano sobre ano.

Sem dúvida, a maioria destas máquinas não foi parar nas grandes empresas. “Nos Estados Unidos há um mercado educacional muito forte, seguido por um mercado de consumo muito bom. O restante é bem pequeno”, observa David Daoud, analista da IDC.

Dito isso, o sucesso nos mercados doméstico e educacional está gerando um lobby ‘das bases’ que começa a bombardear as organizações de TI por todos os lados. Mais graduados de universidades se juntam à força de trabalho corporativa trazendo a reboque experiência (e expectativas) em Mac.

No Georgetown University Law Center, perto de 50% dos 30 mil alunos estão usando Macs, em comparação a menos de 1% há poucos anos, compara o CIO Pablo Molina. O mesmo fenômeno ocorre em escolas técnicas como o MIT, onde os Macs agora correspondem a 30% de todos os computadores pessoais no campus, contra 20% no ano passado.

“Este crescimento extraordinário da utilização de Macs por estudantes universitários pressionará os departamentos de TI a suportar PCs Macintosh no local de trabalho”, prevê Molina.

Tanto Bajarin quanto Edge dizem que seus clientes corporativos foram abordados por novos contratados fazendo lobby por Macs. “Os jovens que cresceram com Macs andam decepcionados com as ferramentas que estão recebendo”, revela Bajarin

E não são só os Macs que estão transformando os funcionários em fãs da Apple: cerca de 5% do corpo docente do Law Center comprou iPhones. “É um número espantoso. Tive que mudar nosso sistema de e-mail para que eles pudessem conectar”, conta Molina.

As organizações de TI também enfrentam pressão de cima para suportar Macs e até iPhones. “Executivos que usam Macs desde criancinhas estão ingressando em níveis relativamente altos”, aponta Bajarin.

O selo de aprovação do Mac se estende a profissionais de TI influentes, de hackers a consultores corporativos de TI. A visibilidade dos Macs na convenção anual de hacking DefCon, por exemplo, aumentou perceptivelmente nos últimos anos.

Dos 1.400 consultores de TI da Deloitte Consulting que participaram de uma pesquisa por e-mail em dezembro de 2007, 45% possuem Mac. “Temos uma nova geração de superusuários com muita experiência em tecnologia dizendo ‘Não usarei isso. Não farei um retrocesso tecnológico gigantesco para vir trabalhar para você’”, comenta Doug Standley, diretor e líder do grupo de estratégias de inovação em tecnologia da Deloitte.

Algumas questões não resolvidas 
Embora esta “consumerização de TI” esteja levando a Apple para o cenário corporativo, ainda que pela porta dos fundos, não é suficiente para convencer a maioria da empresas a adotar Macs mais amplamente, na opinião de Smulders, da Gartner. No fim das contas, a escolha de um computador pessoal não é uma competição de popularidade, mas uma decisão de negócio baseada em uma lógica fria e dura. “Não acredito que chegamos ao ponto de os usuários decidirem”, afirma Smulders.

Preocupações com o legado
Além do custo, a principal razão para os executivos de TI manterem os Macs fora do cenário corporativo é não quererem causar uma ruptura no ambiente legado, segundo Standley. Os consultores da Deloitte entrevistados estimam que 10% dos seus clientes de negócio estão usando Macs como principal ferramenta corporativa. Se problemas com legado não fossem um fator importante, talvez 50% a 60% deste grupo pelo menos cogitassem o Mac como principal plataforma de computação pessoal para uso corporativo geral.

É possível que estas preocupações com o legado estejam começando a abrandar. Tradicionalmente, desktops e sistemas operacionais eram estreitamente alinhados com aplicações corporativas criadas em torno do Microsoft Windows. Agora, com o crescimento da virtualização do desktop e de tecnologias baseadas na web, as corporações podem operar com mais neutralidade em relação a plataforma e sistema operacional.

Isso proporcionou uma pequena abertura para plataformas alternativas como o Mac.
Alguns programas legados estão sendo reescritos sob a forma de aplicações baseadas na web. Em outros casos, o “fat client” que normalmente roda em um computador Windows está migrando para um ambiente de PC virtual, como o Citrix Presentation Server. Este último executa as aplicações desktop do usuário em servidores de PC virtuais back-end e só requer um plug-in de browser no cliente para acesso total a partir de qualquer máquina, seja um cliente Windows, Mac ou Linux.

Recentemente, a equipe de TI da Geiger Bros. reescreveu uma aplicação nova para suportar um front end web – o novo padrão da empresa. “A maioria das nossas aplicações internas, qualquer coisa nova, está sendo codificada para um browser em vez de para Windows visando a compatibilidade multiplataforma”, diz Marshall.

Na AWC, Frantz está supervisionando o trabalho de reescrever seu Vehicle Inventory Processing System em Java, o que garantirá o acesso de qualquer cliente à aplicação.

No futuro, algumas aplicações corporativas talvez sejam encapsuladas em máquinas virtuais independentes de plataforma, assim como os atuais appliances virtuais que podem ser distribuídos para rodar em qualquer computador pessoal que tenha uma pilha de virtualização, quer rode Windows, OS X ou Linux, diz William Shelton, diretor de produtos e soluções da VMware, fabricante de software de virtualização.

Quando a maior parte do ambiente de PC corporativo se tornar virtualizado, os empregadores não se preocuparão com o hardware e o sistema operacional subjacentes e talvez comecem a pedir aos funcionários para escolher e comprar os computadores pessoais de sua preferência, prevê Smulders. Mas “ainda vai levar alguns anos para isso acontecer”.

Custos de suporte e propriedade
Os gerentes também estão preocupados com o suporte e o custo total de propriedade do Mac. Estas questões serão “deal killer”, sentencia Guido Sacchi, chief information officer e vice-presidente sênior de estratégias corporativas da CompuCredit. “Será que a Apple é capaz de provar sua própria tese, entender todos os problemas de um CIO e me ajudar a resolvê-los?” Por enquanto, para Sacchi, a resposta é não.

Em geral, os Macs são mais caros quando o preço de compra e o custo de suporte são levados em conta, sustenta Sacchi. Ele mudou sua filosofia em relação a permitir alguns Macs aqui e ali (atualmente, 15 dos 3.500 funcionários têm um Mac), mas não mudou seus planos de compra no nível corporativo. “Diante dos custos mais altos de uma implementação corporativa, você precisa ter uma justificativa de produtividade. No momento, só vejo isso em nichos específicos.”

Em relação ao custo inicial de hardware, a diferença de preço entre Macs e PCs pode estar se fechando em alguns segmentos. O Mac é muito mais eficaz em termos de custos para trabalho gráfico, o baluarte clássico do Macintosh, admite Marshall, da Geiger Bros.

Porém, de acordo com duas comparações feitas por Computerworld, uma sobre hardware e outra sobre software e confiabilidade, o Mac pode representar um valor melhor em outras áreas também, particularmente os laptops Mac com performance mais alta.

Mesmo que isso aconteça, Smulders orienta as corporações a pensarem cuidadosamente sobre implementações de Mac em larga escala. Para se sentirem confortáveis em implementar um sistema operacional, as empresas necessitam que três aspectos sejam abordados, e nenhum deles foi: demora no suporte de fornecedores de software corporativo e middleware; complexidade de acrescentar ao mix outra plataforma cliente de hardware e software; e falta de uma segunda fonte de peças e hardware de sistema.

Os fornecedores de aplicativos aderiram?
Montabana, do MIT, confirma o primeiro ponto. “Para Oracle, SAP e demais softwares corporativos, os clientes Mac estão sempre em atraso”, diz. “Ainda faltar tornar todos os pacotes ERP compatíveis com o Mac.”

Em meados da década de 90, diante da disponibilidade limitada de versões Mac do software de que precisava, a FedEx acabou desistindo de adotar o Mac em sua organização de vendas. David Zanca, vice-presidente sênior de tecnologia de e-commerce da FedEx Services, não acredita que muita coisa tenha mudado desde então.

Edge acha que a situação do software third-party melhorou, mas só um pouco. “Apesar de haver mais software disponível hoje, ainda é um problema”, particularmente no caso de algumas aplicações usadas em grandes empresas.

Fator complexidade
 “A complexidade aumenta quando se tem mais de um sistema operacional no ambiente”, observa Smulders. Varia de problemas de gerenciamento e integração a treinamento e suporte.

Como muitas outras instalações, a Geiger Bros. utiliza o Systems Management Server da Microsoft para gerenciar seus PCs Windows, mas ele não suporta Macs. Existem programas como o Altiris que suportam o Windows e o Mac OS X, mas a Geiger Bros. não pretende abrir mão do SMS.

Assim, ao invés de ter uma ferramenta para gerenciar todas as atualizações das máquinas, Marshall precisar usar uma segunda ferramenta, o Apple Remote Desktop, para ajudar nos updates de Mac.  Talvez não seja problema para um número pequeno de Macs, mas a complexidade de gerenciar ambientes maiores pode aumentar rapidamente, diz Smulders.

Configurar Macs para suportar o Windows também acrescenta complexidade, com dois sistemas operacionais e, possivelmente, software de emulação para suportar. Embora o Boot Camp e software de virtualização sejam uma boa solução interina para pequenos grupos de usuários de Mac que precisam acessar algumas aplicações Windows, Molina, do Law Center, não vê isso como uma estratégia de longo prazo para populações maiores de máquinas.

A preocupação “não é o custo da licença de software, mas a complexidade de manter todos estes ambientes”, explica . “Não vejo como uma principal opção viável. Ou você fica com o Windows ou você fica com Macs.”

Sem segunda fonte
Uma segunda fonte proporciona ao comprador vantagem competitiva e uma alternativa para equipamento e peças se o fornecedor principal tiver dificuldade de satisfazer a demanda — algo pelo qual a Apple se tornou conhecida no passado. E as iniciativas da empresa de licenciar seu hardware para terceiros – primeiro com o Mac e mais recentemente com o iPod – não foram muito bem.

Uma segunda fonte não é tão importante se um departamento tem apenas alguns Macs, diz Sacchi. “Entretanto, será uma preocupação para quem cogitar uma substituição corporativa completa.” Ao implementar Macs em escala, TI não pode se permitir ficar refém de problemas de  supply chain de um único fornecedor.

“Em comparação ao estágio onde estavam cinco anos atrás, o supply chain e a manufatura da Apple estão muito mais azeitados”, atesta Bajarin. Mas estas melhorias talvez não sejam suficientes para acabar com os temores das organizações no nível corporativo.

O MIT enfrenta problemas atualmente. “Obter peças da Apple pode ser um processo muito difícil. Pode demorar semanas”, aponta Montabana. Hoje o MIT tem dificuldade para obter algumas unidades de disco rígido e placas-mãe da Apple. Estes problemas só pioraram nos últimos anos. Os fornecedores de PC de Montabana, em comparação, fornecem peças no dia útil seguinte.

Serviço e suporte
Serviço e suporte também são um obstáculo. “Você está mudando para uma plataforma de um fornecedor que não tem compromisso de suportar grandes necessidades corporativas. Pelo que vimos, as ferramentas disponíveis e o suporte para viabilizar esta mudança não são de classe empresarial”, diz Smulders.

No lado do suporte, pequenas e grandes empresas com apenas alguns Macs podem ficar presas a ofertas de suporte mais restritas. A Apple, de fato, oferece suporte aprimorado para clientes maiores. “Existe um acordo corporativo pelo qual você paga 50 mil dólares e recebe suporte excepcional, incluindo um profissional dedicado”, conta Edge.

Mas esta cifra talvez não se encaixe nem no orçamento de empresas que só têm algumas dúzias de Macs no departamento de marketing, nem no budget de empresas menores como a Jax, varejista de artigos esportivos que usa hardware e software Mac para gerir seu negócio. Com apenas 80 Macs para suportar, ela é obrigada a adotar o plano AppleCare, mais acessível, ao invés de pagar pelo plano de suporte mais completo.

“Na minha concepção, o nível de serviço caiu em comparação ao que costumava ser”, comenta o presidente da Jax, Jim Quinlan. Sem uma revenda Apple local, a empresa tem que entregar o equipamento de volta à Apple ou, se precisar dele com urgência, percorrer mais de 100 quilômetros até a loja Apple mais próxima e esperar para falar com algum gênio. Quinlan acha extremamente irritante ter que agendar um encontro se quiser conversar com um especialista.

Frantz também teve problemas. Às vezes, a mão esquerda da Apple não sabe o que a mão direita está fazendo. “Recebemos ótimo suporte do grupo corporativo da Apple. Mas, em geral, precisamos ir atrás deste suporte, e em alguns casos depende de nós descobrir quem é o indivíduo ou o departamento mais apropriado para responder às nossas perguntas.”

Apesar disso, Frantz sempre obteve o suporte de que necessitava e continua comprometido com a plataforma Mac. “A AWC tem conseguido realizar muitas coisas ótimas com nosso projeto Apple”, enfatiza. A inexistência de problemas com malware, a facilidade de uso e a maior confiabilidade do Mac se traduzem em aumento da produtividade. “Estamos definitivamente centrados na nossa estratégia em torno do Mac e acreditamos piamente que é a decisão tecnológica mais acertada para a AWC”.

Entretanto, a maioria das grandes empresas provavelmente continuará fora deste campo em um futuro próximo. “Não creio que você verá uma incursão significativa na corporação tradicional até a Apple tomar a decisão estratégica de seguir esta direção”, diz Bajarin. A Apple gosta de jogar as cartas sem mostrá-las.

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