Para Mike Elgan, colunista do Computerworld (EUA), os netbooks serão subsidiados pelas operadoras como os telefones celulares.
Os subnotebooks (ou netbooks) como o Eee PC, da Asus, o Dell
Mini 9 ou o 2133 Mini-Note da HP vão custar cerca de 300 reais em pouco tempo. Como?
O usuário interessado vai precisar assinar um contrato de fidelidade por dois
anos com a operadora de telecom.
O baixo custo do mini-laptop será resultado da política das
operadoras de telefonia de subsidiar aparelhos como já faz com telefones
celulares ou PDAs.
No modelo de vendas de celular subsidiado, a operadora assume
o valor do hardware para conseguir um contrato com maior duração e com o uso de serviços com maior
margem, como banda larga. E isso vai chegar para outros dispositivos além dos
telefones celulares.
O iPhone prova que o
modelo funciona
A história do iPhone nos Estados Unidos, de acordo com a comScore,
mostra como esse mercado pode ser lucrativo. Pessoas de baixa renda estão
comprando iPhone e usando o telefone como um substituto aos netbook, notebook e
até desktops. O relatório afirma que este tipo de uso do iPhone representou “a
maior parte do crescimento nas vendas de iPhone desde julho”.
Isso diz que existe uma grande quantidade de pessoas que
buscam, cada vez mais, comprar um único dispositivo (ou assinar apenas uma
conta de provedor de acesso à internet) para todas as suas necessidades
computacionais e com
o menor preço possível.
Caso seja adicionado aos netbooks alguma funcionalidade de
VoIP ou que eles sejam vendidos com o celular, é possível oferecer apenas um
único contrato que cubra os dois aparelhos.
Fora dos Estados Unidos, esse modelo é tradicional. Em Taiwan,
é possível comprar um Eee PC da Asus por 29 dólares e um contrato de dois anos
com a Far EasTone. Já no Reino Unido, laptops grátis estão sendo usados como
incentivo para convencer usuários a assinar contratos de banda larga móvel.
Existem algumas tendências que apontam que esse modelo de
netbook subsidiado vai dominar outros países:
1. A
economia vai pressionar as carriers. Os orçamentos estão menores. O crédito
secou. Naturalmente, os consumidores querem reduzir os custos. E uma das
primeiras áreas para isso está nas contas de telefone celular. Milhões de
pessoas vão reduzir os seus planos no próximo ano, o que vai gerar pânico entre
as operadoras, desesperadas para encontrar alternativas de faturamento.
2. As vendas de telefones celulares estão caindo. O IDC relatou
que as vendas de celulares sofrem por conta da economia. Para as carriers, isso
significa menos adoção de planos com maior margem de lucro e menos clientes novos.
3. As vendas de notebook crescem. Pela primeira vez na
história, as vendas de notebooks superaram as de desktop. O IDC relata que as
vendas de laptop representaram 55,2% de todas as vendas de PC no trimestre que
acabou em setembro. E o aparelho com crescimento
mais rápido no setor são os netbooks. Segundo a Intel, o mercado para chips
de baixo custo é de 40 bilhões de dólares.
4. O mercado de netbooks tem muitos fabricantes. Depois do
pioneiro Eee PC, vários outros fornecedores juntaram-se ao mercado como a Lenovo,
Dell, HP, Fujitsu, LG, Toshiba,
Samsung, entre outros. Com margens estreitas e fabricantes procurando maneiras
para se diferenciar, o que faz os acordos com carriers interessantes.
5. O “subnotebook” foi renomeado de “netbook.”
Já percebeu como a palavra “subnotebook” foi abandonada por “netbook”?
Não é apenas semântica. A indústria quer que a mente dos usuários associe imediatamente
pequenos laptops com acesso à internet.
6. Banda larga móvel está desapontando. Os clientes da Apple
que migraram para o iPhone 3G estão desapontados com a experiência do 3G. E
isso acontece para outros tipos de banda larga móvel. Com os netbooks, o 3G pode
ser mais interessante.
7. A
lei de Moore. O preço dos mini-eletrônicos, como telas, processadores e, mais
importante, drivers em estado sólido (SSD) seguem caindo. Conforme esses preços
caem, o custo para as carriers subsidiarem os aparelhos é cada vez menor.
A era do netbook subsidiado está próxima. A grande revolução
vai acontecer quando estes aparelhos custarem em torno de 300 reais – e isso
traria milhões de clientes. Tudo indica para esse caminho.
Os fabricantes de netbook e operadoras de telefonia precisam
agira para aproveitar o inevitável.