Opinião é de analista do banco BPI consultado pelo Jornal de Negócios; operadora luso-brasileira é interessante para o governo português
Com a emissão de obrigações permutáveis em ações (espécie de empréstimo que pode ter seu pagamento convertido em ações da empresa) no valor de 750 milhões de euros anunciada hoje, a Portugal Telecom (PT) pode estar ganhando corpo para fusões e aquisições no Brasil.
A opinião é do analista Ricardo Seara, do banco português BPI, consultado pelo Jornal de Negócios.
Para Seara, “numa perspectiva especuladora, a movimentação pode ser percebida como um rearranjo do balanço da empresa, para preparar movimentos de fusões e aquisições no Brasil”.
Segundo a Portugal Telecom, o capital levantado com a operação será utilizado no financiamento da atividade da empresa, sendo que outras fontes de financiamento também podem ser acionadas.
Sobre a emissão de obrigações, o BPI comentou que “o sucesso desta oferta vai ser uma boa indicação da percepção do mercado do perfil de risco operacional e financeiro da PT, bem como do potencial de crescimento das ações da PT”.
Ainda segundo o periódico português, o ministro das Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações do País, Mário Lino, disse que o governo português está interessado na criação de um grande grupo de telecomunicações luso-brasileiro, e que considera a idéia um “bom projeto”. “[A criação de um grupo de telecomunicações luso-brasileiro] é um projeto empresarial que junta duas economias, a portuguesa e a brasileira, que têm laços culturais muito fortes”, declarou. De acordo com ele, o Governo português está interessado em tudo o que promova o desenvolvimento das empresas portuguesas, e dará todo o apoio para que avancem bons projetos.
A possibilidade de criação de uma operadora luso-brasileiro tem sido muito comentada ultimamente como resultado de investimentos da Portugal Telecom caso ela encerre a joint venture com a Telefônica na Vivo.