Quem associa a Positivo Tecnologia apenas ao primeiro computador da família brasileira, adquirido no varejo, está olhando para uma fotografia antiga. Com 35 anos de história e mais de 60 milhões de dispositivos produzidos, a companhia encerra 2025 consolidando uma transformação radical desenhada há quase uma década. O objetivo atual é claro: deixar de ser […]
Quem associa a Positivo Tecnologia apenas ao primeiro computador da família brasileira, adquirido no varejo, está olhando para uma fotografia antiga. Com 35 anos de história e mais de 60 milhões de dispositivos produzidos, a companhia encerra 2025 consolidando uma transformação radical desenhada há quase uma década. O objetivo atual é claro: deixar de ser apenas uma fabricante de hardware de consumo para se firmar como o parceiro estratégico decisivo para o mercado corporativo.
Hélio Bruck Rotenberg, presidente e cofundador da empresa, define o momento atual como a construção de uma fortaleza de infraestrutura de TI. Segundo o executivo, a estratégia traçada entre 2017 e 2018 atingiu a maturidade, mas o próximo ciclo, que abrange 2026 e 2027, será dedicado a fazer todas as engrenagens dessa nova estrutura girarem em uníssono.
“Nós queremos que qualquer CIO brasileiro, ao pensar em infraestrutura de TI, pense na gente e considere a gente para desde o computador ao servidor, até os serviços mais simples e os serviços especializados”, afirma Rotenberg.
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Para alcançar essa onipresença no orçamento de TI das empresas, a Positivo foi às compras. A companhia integrou operações de servidores, segurança eletrônica (com a PositivoSEG) e serviços gerenciados (com a criação da Positivo S+, fruto da aquisição da unidade de serviços da Algar Tech). Agora, o desafio deixa de ser a expansão do portfólio e passa a ser a integração comercial dessas pontas.
Rotenberg é transparente sobre a complexidade dessa mudança cultural e operacional. Para ele, transformar especialistas de nicho em consultores de soluções completas é a grande missão do próximo ano.
“Quem vende serviço, vende servidor; quem vende servidor, vende computador; quem vende computador, vende serviço. Isso não é fácil”, admite o presidente. Ele complementa dizendo que “é muito difícil você transformar um comercial especialista em serviços em um especialista em servidor” , mas que a empresa passou “2025 inteiro planejando isso muito bem para que a gente pudesse lançar em 2026”.
Os projetos-piloto dessa nova abordagem comercial chegam ao mercado no próximo ano, testando a tese de que a companhia pode ser o balcão único da tecnologia nacional.
Enquanto o mercado discute o futuro da IA generativa, a Positivo adota uma postura pragmática. A empresa não pretende competir no desenvolvimento de grandes modelos de linguagem (LLMs), mas sim fornecer a infraestrutura necessária para que eles existam.
“A gente não produz linguagens de inteligência artificial, não produzimos chat de ChatGPT na vida, nem nada disso, não somos uma empresa de software. Mas todo software precisa rodar no hardware”, pontua o executivo.
A estratégia da empresa divide a oportunidade da IA em três camadas: os grandes data centers, os servidores locais (on-premise) e os computadores pessoais na borda (edge). Rotenberg vê um cenário favorável impulsionado por políticas públicas como o plano Redata e o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que priorizam a soberania de dados.
“A soberania fala com empresas nacionais. Eu diria que, das empresas nacionais, nós estamos muito bem posicionados”, analisa. Essa aposta já se converteu em negócios reais: em 2025, a Positivo vendeu o maior servidor de computação de alto desempenho (HPC) da América Latina.
Ao refletir sobre o ciclo de aquisições que redesenhou a empresa, o presidente destaca que o maior ganho não foi apenas em capacidade instalada ou carteira de clientes, mas em capital humano. A estratégia de fusões e aquisições teve como foco trazer empreendedores e técnicos especializados para dentro da corporação.
“Quando compramos uma empresa de servidores, a gente não estava olhando só para a empresa, estávamos olhando para os talentos que gerenciariam essa área”, explica.
Para Rotenberg, o maior desafio de sua gestão recente foi justamente “achar as pessoas certas para essa empreitada” e montar o time atual.
Apesar do forte discurso voltado ao B2B e à infraestrutura complexa, a Positivo não renega o varejo que a tornou gigante. A presença em mais de 12 mil pontos de venda e a liderança no segmento de governo continuam sendo pilares de sustentação.
“Continuamos lá na Casas Bahia, continuamos lá no Magazine Luiza… Mas montamos essa fortaleza dentro de infraestrutura de TI e queremos mostrar ao País que, sim, somos além de modernizador da tecnologia”, finaliza Rotenberg, reforçando que a nova Positivo quer ser reconhecida pela complexidade que entrega, sem esquecer a simplicidade de onde veio.
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