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Francis Fukuyama

Precisamos evoluir do blockchain para as redes de confiança digitais

O filósofo e economista político Francis Fukuyama certa vez descreveu a confiança como “a commodity mais importante que determinará o destino de uma sociedade”. Desde sempre ela é crítica para a continuidade dos negócios. Mas, à medida que o mundo se digitaliza e novas tecnologias aparecem, aliada à crescente complexidade dos dilemas contemporâneos, sua importância […]

Publicado: 10/03/2026 às 07:32
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4 minutos
Construção civil — Foto: Reprodução

O filósofo e economista político Francis Fukuyama certa vez descreveu a confiança como “a commodity mais importante que determinará o destino de uma sociedade”. Desde sempre ela é crítica para a continuidade dos negócios. Mas, à medida que o mundo se digitaliza e novas tecnologias aparecem, aliada à crescente complexidade dos dilemas contemporâneos, sua importância aumenta.

Com a tendência de empresas operando cada vez mais em ecossistemas e integradas digitalmente a outros players, clientes e demais stakeholders, fica uma pergunta: como projetar uma arquitetura digital que construa essa confiança sistematicamente, em cada processo e para cada participante envolvido?

A tecnologia de blockchain já foi apresentada como a milagrosa solução para esse problema. Realmente, ela assegura que um banco de dados descentralizado intermediário seja confiável. Isso é importante, porém, se trata de apenas uma parte do processo. O desafio real é construir e estimular a confiança de ponta a ponta em um negócio ou ecossistema. Uma rede que constrói isso em todas as camadas de confiança digital é chamada de DTN – Digital Trust Network, ou rede de confiança digital; e se configura como a “nova arquitetura da confiança”

As empresas estruturam uma DTN para melhorar seus ecossistemas, tornando-os mais eficientes e com processos que geram confiança entre todos os participantes ou que desempenham o papel da confiança, muitas vezes inexistentes entre os participantes, incorporando-a no sisitema . Consequentemente, melhoram seu serviço, entregam mais resultados e geram valor no seu entorno.

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Da teoria para a prática, já vemos grandes empresas fazendo isso. Uber, Airbnb, o marketplace da Amazon e o IOS, da Apple, são todos exemplos de DTNs eficientes; com elevada confiança sistêmica, sem necessariamente utilizarem Blockchains em suas arquiteturas. Não é coincidência que são empresas que cresceram rápido e estão consolidadas em seus setores.

Mas como nutrir essa confiança em cada processo de um ecossistema? E como reparar a falta dela? Em um contexto de intensa digitalização, o primeiro passo é redesenhar as redes digitais para que incorporem confiança e se tornem uma DTN. Um estudo recente do BCG, o Beyond Blockchain: The Promise of Digital Trust Networks, do qual sou um dos autores, indica que o ponto de partida é revisar, de forma abrangente, a rede de confiança da organização. São quatro etapas recomendadas:

  1. Ponto de partida: Mapear como a confiança (ou a falta dela) facilita ou impede o desempenho fim-a-fim do ecossistema, com enfoque em cada uma de suas interfaces principais. Aqui, o principal desafio é avaliar a confiança do ponto de vista de cada participante do ecossistema, e não um só, alcançando uma compreensão neutra, isenta e independente de como ela afeta o desempenho do negócio.
  2. Lacunas: Conduzir uma análise das lacunas do ecossistema para identificar quais benefícios poderiam ser alcançados com uma (teórica) colaboração perfeita entre todos os participantes. Aqui, é importante mensurar o custo monetário dos mecanismos atuais de gerenciamento de confiança e, possivelmente, a capacidade de escalar esses mecanismos para todo o sistema.
  3. Opções: Após identificar as lacunas, é preciso focar em cada uma delas e identificar quais seriam as bases de confiança para cada uma. Essa visão permite pensar em diferentes maneiras de melhorar a confiança ou administrar a falta dela de alguma forma.
  4. Estratégia: Desenvolver uma estratégia para que as tecnologias sejam aplicadas para aumentar a confiança de cada mecanismo encontrado. Quando o controle da DTN está nas mãos de um só orquestrador, ele pode continuar a desenvolver e implementar um design próprio, mas isto nem sempre é viável.

Porém, é comum que os ecossistemas sejam colaborativos, sem a figura de um orquestrador central. Nesses casos, nenhuma das partes define as regras unilateralmente e, portanto, os diagnósticos precisam ser compartilhados e com alguma medida de consenso. Uma falta de colaboração nesse ponto poderá afetar drasticamente o desempenho do ecossistema e abrir flancos para movimentos competitivos.

Na era da informação e da digitalização, se torna mais complexo construir confiança – é fato. Também é óbvio, no entanto, que organizações que não tem confiança percebida ficam para trás no mercado. Daí a importância de uma estratégia que incorpore sistemicamente a confiança em uma estratégia ampla de digitalização e de ecossistemas, como as DTNs. Se isso não for planejado hoje, amanhã pode ser tarde demais.

* Marcos Aguiar é sócio do BCG Brasil e fellow do BCG Henderson Institute

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