Prescott no ForumPCs! Fomos o primeiro veículo de mídia brasileiro a testar e publicar um artigo sobre o Prescott, o novo processador da Intel. Dessa vez só tivemos a oportunidade de testar por dois dias (anteontem e ontem) por isso ao invés de apresentar um review completo vou trazer pra vocês uma análise comentada, muito […]
Prescott no ForumPCs!
Fomos o primeiro veículo de mídia brasileiro a testar e publicar um artigo sobre o Prescott, o novo processador da Intel. Dessa vez só tivemos a oportunidade de testar por dois dias (anteontem e ontem) por isso ao invés de apresentar um review completo vou trazer pra vocês uma análise comentada, muito mais útil do que uma série de números que já estão disponíveis na Internet, em diversos sites. Em breve, quando recebermos outro processador para testes mais profundos, um review mais completo será publicado.
Os novos modelos “E” e Northwood 3.4 GHz
Serão tantos modelos disponíveis para o consumidor nesse momento e com tantas variações que achamos melhor fazer um quadro explicativo, especialmente por causa da revisão necessária do FMB (especificação de suporte elétrico) que vai determinar a compatibilidade com as placas mãe atuais:

Para quem ainda tem placas mãe antigas, sem suporte ao FSB de 800 MHz, haverá um modelo Prescott (FSB 533 MHz) compatível com essas placas, porém sem o HyperThreading, mas com o beneficio do aumento de cache e das SSE3.
Para quem comprou placas mãe antes de setembro/2003, quando o primeiro Extreme Edition (FMB 1.5) foi lançado, provavelmente terá uma placa com suporte apenas ao FMB 1.0 limitando as opções de upgrade até no máximo o Prescott de 3.0 GHz ou Northwood de 3.2 GHz.
Para quem vai comprar uma máquina nova, independente de qual processador for usar, é importante escolher uma com suporte ao FMB 1.5 para ter mais opções de upgrade no futuro.
As especificações elétricas para os modelos FMB 1.5 são muito mais exigentes, tanto para a placa mãe quanto para a . Para vocês terem uma idéia só o regulador de voltagem (VR) da placa mãe e o processador podem consumir até 16 Ampéres do conector ATX12V (4 pinos), sendo que na maioria das placas mãe o AGP também é alimentado por esse circuito. Esse é um dos motivos que limita a compatibilidade dos modelos FMB 1.5 em algumas placas mãe. Será imperativo o uso de uma fonte de excelente qualidade e alta amperagem no circuito de 12v.
As placas ABIT IC7-MAX3 (i875) e AI7 (i865) suportam o Prescott adequadamente (notamos que será necessário uma bios atualizada para reconhecer o processador corretamente), mas outras bem populares como a ASUS P4C800-E não o fazem. É importante verificar na documentação da placa mãe o suporte ao FMB 1.5 ou verificar a revisão do PCB na placa e no site do fabricante para saber se é possível mesmo sem estar documentado.
Sobre o Prescott, o cache L1 também dobrou em relação ao modelo anterior, passando para 16 KB. Houve também otimizações nas técnicas de “Prefetch”, que antecipam necessidade de dados para um determinado processamento. Essas melhorias permitiram uma otimização no funcionamento do HyperThreading que passa a ser bem mais eficiente do que antes. Também foram incluídas as instruções SSE3, com algumas instruções dedicadas ao processamento de vídeo. Essas instruções permitem ao programador do software criar rotinas mais rápidas e mais eficientes para a execução no processador. A Intel sempre tomou a iniciativa nesse sentido e as instruções anteriores (SSE2) presentes no Northwood e mais recentemente no Athlon64 são plenamente utilizadas pelos novos softwares do mercado. Nesse primeiro instante não há programas que usam essas instruções SSE3 exclusivas do Prescott, mas com o tempo as versões otimizadas serão oferecidas ao público naturalmente, às vezes sob simples atualizações (uptades ou patches) baixados gratuitamente pela Internet.
O processo produtivo é novo, de 0.09 microns ou 90 nanômetros, a versão anterior usava um processo de 130 nanômetros. Ou seja, os transistores são ainda menores agora e ficam mais pertos um dos outros, permitindo aumento na quantidade de transistores sem o aumento da área do processador. Vejam: o núcleo Northwood tinha 131 mm² de área e 55 milhões de transistores, já o Prescott é menor, com apenas 112 mm² de área, mas tem mais do que o dobro de transistores, um total de 125 milhões, boa parte deles são relacionados ao cache.
Outra novidade não oficialmente divulgada pela Intel é uma significativa mudança no número de estágios do pipeline. O antigo Pentium III tinha 10 estágios em seu pipeline, mas ficava limitado em torno de 1.5 GHz de freqüência máxima porque eram estágios complexos. Aumentando o número de estágios de processamento torna cada um desses estágios mais simples, mas como são mais estágios a quantidade de instruções realizadas por ciclo de clock diminui. A contrapartida disso é que com estágios simplificados é possível atingir freqüências mais altas compensando essa deficiência, como acontece com o Pentium 4 e seu pipeline de 20 estágios, que já chegaram a 3.4 GHz na versão Northwood. O Prescott ao que tudo indica tem aproximadamente 31 estágios (a Intel não confirma esse número), tornando “em tese” mais lento do que um Northwood de mesma freqüência. A questão é que o Prescott é tão otimizado nas suas instruções que as diferenças de desempenho entre ele e o Northwood de mesma freqüência praticamente se anulam.
Para quem faz overclock, os modelos Northwood costumavam atingir entre 3.6 a 3.8 GHz, enquanto que o Prescott mesmo recém lançado já dá indícios de superar essa marca com folgas. Nós conseguimos 3.7 GHz sem aumentar a voltagem (tivemos que usar watercooler, por causa do calor) e há relatos de valores até mais altos. Isso prova o quanto esse núcleo pode crescer em freqüência. A Intel planeja lançar modelos de 4.0 GHz ainda esse ano, e a previsão é atingir mais de 4.5 GHz com esse núcleo no ano que vem.
O problema da temperatura:
Esse é no meu ponto de vista o principal problema do Prescott. Todos os testes que fizemos foram baseados em uma versão desbloqueada do Prescott 3.2 GHz (variando entre 2.8 a 3.2 GHz) com uma placa Intel D875PBZ (i875) e usando o cooler original do processador, conforme a imagem abaixo:
Porém, e isso pode ser visto em quase todos os testes internacionais publicados hoje, a maioria dos testes feitos lá fora apontam para temperaturas na faixa de 60 a 65°C para o modelo 3.2 GHz (103 Watts de dissipação máxima) levando-se em consideração as temperaturas do hemisfério norte, que por sinal está no inverno. Aqui no Brasil, em pleno verão do Rio de Janeiro, mesmo sob forte ar condicionado em diversos momentos atingimos o pico de 70°C, ponto onde o Intel Active Monitor aciona um alarme. Mesmo em tarefas simples como a geração de um SVCD pelo Nero, a temperatura atingia 69°C durante todo o processo.

Quanto a performance bruta do novo processador, é muito relativo afirmar que o Prescott é mais lento ou mais rápido do que o Northwood. Há aplicações, como a compilação de vídeo pelo Vegas Vídeo, onde o Prescott foi 25% mais rápido do que o Northwood de mesmo clock, enquanto em outras há uma vantagem para o Northwood de até 5%, dependendo do clock.

O importante é vocês saberem que o Prescott melhora seu desempenho consideravelmente a partir do momento que as novas instruções são usadas, e há fortes indícios que o ganho de performance com o aumento de clock é maior do que o obtido com o Northwood. É cedo para afirmar com certeza, mas se o 2.8 GHz Prescott ficou um pouco abaixo do Northwood, a versão 3.2 GHz já era bastante próxima ao Northwood 3.2 GHz e tudo indica que uma versão 3.4 ou 3.6 GHz seja bem mais rápida do que uma equivalente com o Northwood. Esse é resultado da mudança da arquitetura interna do Prescott.
Essa é a pergunta que a maioria deve estar fazendo nesse instante, mas trata-se de uma pergunta “errada” porque não se trata de uma migração. Durante um curto período de tempo será possível encontrar Northwood e Prescott no mercado simultaneamente, e será possível escolher por um dos dois dependendo da freqüência, mas dentro de poucos meses só existirão Prescott. Além disso, ambos custam o mesmo preço, a opção por um ou outro é mais uma questão de compatibilidade de placa mãe (por causa dos requerimentos do FMB e fontes) do que preferência pessoal. Pessoalmente a questão do calor me preocupa, se não fosse por isso eu certamente recomendaria o Prescott no lugar do Northwood, especialmente para quem vai fazer overclock.
Outra coisa que fica muito clara com esse lançamento é a questão do consumo elétrico e consequentemente da temperatura. Cada vez mais é imprescindível ter boas fontes ATX, bons nobreaks ou estabilizadores, e uma boa instalação elétrica em casa ou na empresa, com o devido aterramento. Gabinetes de muito boa ventilação, se possível homologados pela Intel, também serão necessários para esses novos processadores.