Kun-hee sai da companhia após incidente na semana passada envolvendo evasão de impostos e violação
O executivo mais poderoso da Coréia do Sul afirmou nesta última terça-feira (22/04) que está deixando o cargo após 20 anos à frente do gigante Samsung Group, após incidente na semana passada envolvendo evasão de impostos e violação.
O anúncio de Lee Kun-hee, de 66 anos, que durante a carreira foi ganhando status de herói por seu papel no crescimento da Samsung, veio como um choque mesmo em uma sociedade habituada a ver seus executivos envolvidos com os tribunais. Analistas apontam, entretanto, que Lee e sua família ainda controlam o maior conglomerado do país, algumas vezes apelidado de “República da Samsung” e cujas dúzias de afiliadas correspondem por cerca de 20% das exportações da Coréia do Sul.
“Eu deixo o cargo de presidente do conselho da Samsung neste momento. Estou triste já que há muito a ser feito e um longo caminho a ser percorrido”, falou um inexpressivo Lee em breve comunicado transmitido ao vivo pela TV.
O grupo irá desmantelar seu poderoso escritório de planejamento, que críticos afirmam ser uma organização nebulosa capaz de espalhar sua influência por suas 59 subsidiárias, incluindo a Samsung Electronics, líder mundial em chips de memória e fabricação de telas planas, e com grande presença no mercado de televisores e aparelhos móveis.
“Não vejo nada além de uma mudança das pessoas no cargo. Não há nenhuma mudança real. A família Lee continua no comando”, afirmou o economista do Citibank Oh Suk-tae.
Quatro outros executivos do alto escalão também deixaram seus cargos, incluindo os presidentes-executivos da Samsung Fire, Marine Insurance e Samsung Securities. O grupo possui mais de 250 mil funcionários pelo mundo e receita anual de US$ 160 bilhões, cerca do total do PIB de Cingapura.
Um promotor especial lançou em janeiro uma investigação sobre alegações de corrupção depois de um grande executivo jurídico da Samsung dizer que algumas das operações escondiam dinheiro e ocultavam fundos para subornar políticos, promotores e autoridades. O promotor indiciou outros nove executivos. Mas não encontrou evidências para corroborar a alegação de suborno. Na semana passada, Lee foi indiciado por evasão de 112,8 bilhões de won, cerca de US$ 113 milhões em impostos e em obrigações fiduciárias, para ajudar seu filho ganhar controle de unidades do grupo.
Caso seja considerado culpado por evasão de impostos, Lee pode receber pena de reclusão por 5 anos ou até prisão perpétua.
O presidente do conselho foi condenado em 1996 por subornar os ex-presidentes Chun Doo Hwan e Roh Tae Woo, tendo decretada sua prisão por dois anos, que foi suspensa por três anos. Ele foi perdoado pelo presidente Kim Young Sam um ano depois.
Lee assumiu o cargo em 1987 depois da morte de seu pai, Lee Byung Chull, que fundou a Samsung como um armazém de madeira de quatro andares em Daegu em 1938, durante a ocupação japonesa na Coréia do Sul.