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Saúde mental

Liberdade e propósito: as necessidades do profissional de TI atual

Em um mundo repleto de transformações lideradas pela tecnologia, aqueles que a produzem também tem pensado diferente. Seja pela diferença geracional ou as mudanças causadas pela pandemia, o profissional de TI atual já não quer mais trabalhar da mesma forma. Esta é a experiência do gestor de carreiras e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, […]

Publicado: 04/03/2026 às 20:22
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6 minutos
A imagem é composta por duas fotos lado a lado, mostrando pessoas em poses semelhantes. Na foto à esquerda, a pessoa veste uma camiseta preta e está com os braços cruzados, posicionada diante de um fundo escuro. Na foto à direita, a pessoa usa uma camisa social rosa com botões e também está com os braços cruzados, diante de uma parede clara com textura. Ambas as imagens têm um estilo retrato, com foco no tronco e nos detalhes das roupas. (profissional de TI)
Construção civil — Foto: Reprodução

Em um mundo repleto de transformações lideradas pela tecnologia, aqueles que a produzem também tem pensado diferente. Seja pela diferença geracional ou as mudanças causadas pela pandemia, o profissional de TI atual já não quer mais trabalhar da mesma forma.

Esta é a experiência do gestor de carreiras e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, Virgilio Marques dos Santos. Enquanto millenium, o executivo viveu o começo dos questionamentos dentro do mercado de trabalho. “A minha geração, quando entrou no mercado, era de perguntar ‘Por que eu estou fazendo isso?’. E a geração Z é muito mais que isso.”

O “muito mais” ao qual Santos se refere vem de uma necessidade maior por inclusão, trabalho com propósito e flexibilidade. Em maio de 2025, uma pesquisa publicada pelo Infojobs mostrou que 56,2% dos jovens buscam trabalho remoto e horários flexíveis. Além disso, 41,6% desejam bem-estar e saúde mental; e 37,1% querem um desenvolvimento acelerado.

Enquanto isso, o Google estimou um déficit de 530 mil profissionais de TI no mercado brasileiro até 2025. O número é também um reflexo da dificuldade das empresas em suprir estas necessidades.

Um perigo silencioso

Prejudicando o desejo por bem-estar, não é segredo que muitos profissionais de TI estão sofrendo com a chamada síndrome de burnout. Em maio deste ano, uma pesquisa da Telavita mostrou que 42,5% dos profissionais da área apresentam burnout completo, enquanto 38,1% relatam sintomas claros de esgotamento.

O quadro, causado por sobrecarga de demandas contínuas, prazos apertados e um ambiente de constante mudança, acontece quando o estresse crônico no trabalho não é administrado de forma adequada. No entanto, no outro extremo do espectro do estresse e ameaçando a necessidade por desenvolvimento acelerado, um novo perigo tem começado a aparecer nas organizações, o chamado “rust out”.

O termo, ainda pouco discutido no Brasil, é caracterizado como um declínio mental e emocional causado por tarefas repetitivas e monótonas e pela estagnação profissional contínua. Uma pesquisa da Gallup apontou que mais de 60% dos brasileiros se sentem emocionalmente desconectados de seus trabalhos.

No setor de TI, Santos afirma que o fenômeno acontece com mais frequência em empresas com muitas burocracias e estruturas mais rígidas. “Em lugares como esse, o profissional não consegue propor uma nova mudança de sistema, uma nova customização ou fazer parte mesmo da melhor da organização. E aí ele acaba se apagando, né?!”

Leia mais: Rafaela Rezende, da Vtex: “Não tenho talento para não ser feliz”

Em uma profissão que pede por dinamismo e na qual o especialista geralmente busca por inovação, Santos compara a sensação com a fábula no sapo, que é colocado na água quente e vai morrendo aos poucos, mas quando percebe já é tarde demais. “É uma crueldade ainda mais perigosa, porque no burnout você sente mais rápido.”

Para evitar que isso aconteça, o consultor defende que o profissional deve tomar posse da própria carreira, realizando três movimentos práticos constantemente: revisitar o propósito, buscar desafios e planejar qualquer transição com responsabilidade.

No primeiro caso, Santos convida seus consulentes a sempre se perguntarem o que os conecta aos trabalho e lembrarem do que os fez escolher a profissão. Uma vez que isso esteja definido para o profissional, o próximo passo é buscar dentro da própria empresa, brechas onde ele possa atuar e se desafiar, seja pedindo um novo desafio ou trazendo novas ideias para o seu gestor.

Por último, caso o ambiente não responda às provocações, o executivo sugere a busca constante por cursos de especialização, até que o profissional encontre uma vaga mais adequada ao seu perfil. “Vai fazer um curso fora, um curso online, conhecer um novo lugar. É sobre se colocar para o desconhecido e se perguntar: o que eu vou fazer nesse próximo ano?”

E o alerta fica não apenas para os técnicos, mas também para as empresas, já que o rust out é um sinal da subutilização dos funcionários e pode acarretar na perda velocidade e competitividade. “A organização perde, inclusive, a agilidade para contra-atacar quando um novo concorrente aparece. Porque ele não consegue mais ter uma equipe que responde com agilidade.”

Nesses casos, a dica de Santos é que a companhia invista em uma cultura que abrace o erro para que a inovação possa chegar.

E a flexibilidade?

Mesmo que a busca por mais desafios tenha crescido, o local aonde estes novos profissionais de TI desejam cumpri-los é dentro de casa. De acordo com a pesquisa Talent Trends Tech 2025, realizada pela consultoria Michael Page, 47% dos profissionais de TI brasileiros afirmam que procurariam outro emprego se fossem obrigados a ampliar a presença no escritório.

E, ainda que algumas empresas americanas estejam na contramão da tendência home office, diante da concorrência com companhias internacionais e a escassez constante de talentos, algumas organizações como a Invent Software, ainda tem aderido ao modelo. De acordo com o CEO, Marcos Tadeu Jr., os novos tempos pedem por uma mudança de mentalidade daqueles que desejam se manter competitivos e com os melhores profissionais.

“Nós começamos a enfrentar uma concorrência não só de empresas brasileiras, mas de empresas globais, que além de tudo estão pagando os colaboradores em dólar ou em euro. E temos que perceber que agora a contratação é global, você pode estar em qualquer lugar do mundo trabalhando.”

Neste caso, a realidade extrapola gerações. Para Tadeu, após a pandemia ficou ainda mais difícil encontrar pessoas que quisessem voltar ao presencial, ainda mais nos escritórios localizados fora do eixo Rio-São Paulo, como os de Goiânia e Brasília. A mudança exigiu que a empresa criasse também novos rituais para manter a cultura, ainda que à distância.

Atualmente, além de lives e reuniões de demonstração, a Invent diminuiu o tamanho das equipes para sete pessoas, garantindo uma gestão mais próxima dos colaboradores, e passou a implementar reuniões one-on-one, nas quais os líderes se reúnem semanalmente com os liderados para entender a situação de cada um.

Além disso, em 2026, a empresa pretende retomar o programa Coldest Growth, que tem como propósito formar pessoas alinhadas à cultura. “Você precisa ter outros atrativos hoje em dia. Essas pessoas não são mais só o ‘cara da TI’, são partes estratégicas da empresa. E precisamos investir não só para ele ser um profissional melhor, mas uma pessoa melhor no futuro.”

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