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Do código ao propósito: a virada de Rosane Chene e a transformação do PAC em um motor de oportunidades

Rosane Chene começou sua carreira mergulhada no universo da programação. Aos 17 anos, iniciou os estudos em um colégio técnico, tornou-se programadora na Duratex e, em seguida, integrou a primeira leva de desenvolvedoras mulheres da Microsiga, no início dos anos 1990. Foram duas décadas dedicadas ao desenvolvimento de software, liderando projetos em sistemas como Protheus […]

Publicado: 05/03/2026 às 00:49
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Do código ao propósito: a virada de Rosane Chene e a transformação do PAC em um motor de oportunidades
Construção civil — Foto: Reprodução

Rosane Chene começou sua carreira mergulhada no universo da programação. Aos 17 anos, iniciou os estudos em um colégio técnico, tornou-se programadora na Duratex e, em seguida, integrou a primeira leva de desenvolvedoras mulheres da Microsiga, no início dos anos 1990.

Foram duas décadas dedicadas ao desenvolvimento de software, liderando projetos em sistemas como Protheus e Datasul, até alcançar o cargo de diretora de desenvolvimento e atendimento. Mas, em paralelo à vida corporativa, uma inquietação crescia: como conciliar sua paixão por tecnologia com o desejo de transformar a realidade social do País?

A resposta veio na forma de propósito. Primeiro, por meio de aulas voluntárias de informática básica, onde percebeu que os alunos não tinham domínio de português e matemática. A partir daí, reformulou os conteúdos e se aproximou de iniciativas sociais, chegando à presidência do Instituto Totvs. O voluntariado, conta ela, a ensinou a ser uma líder melhor. A escuta atenta e a compreensão das reais necessidades se tornaram competências fundamentais.

Leia também: Denise Inaba, da Vivo: dos negócios para o comando da TI

Esse caminho levou, há mais de 20 anos, à fundação do Projeto Amigos da Comunidade (PAC), em Pirituba, zona norte de São Paulo. Hoje, o que nasceu como um grupo de voluntariado é uma estrutura robusta, que se assemelha a uma empresa em sua governança e operação. O PAC tem orçamento anual de R$ 8 milhões, 110 funcionários, 8 casas de atendimento e impacto direto em 1.250 famílias em situação de vulnerabilidade.

“Nosso papel é criar oportunidades para que as famílias saiam dessa condição, principalmente pela via da educação e da empregabilidade”, afirma Rosane. Em média, a renda per capita das famílias assistidas é de R$ 400, mas, com acesso a programas de formação em tecnologia e inserção no mercado, essa renda pode crescer em até 70%.

Inovação como ferramenta de inclusão

Se antes faltava infraestrutura e professores, agora a ONG aposta em inovação para reduzir barreiras. Entre os projetos em andamento estão tutoria digital com inteligência artificial (IA) para matemática, aulas de robótica, sustentabilidade e até oficinas com impressoras 3D e construção de postes de energia solar. A cada novo investimento em tecnologia, diz Rosane, a taxa de evasão escolar dos alunos diminui.

“Eles se encantam quando têm contato com ferramentas que não fazem parte do dia a dia. Acesso à inovação é o que mais atrai, e isso mantém o jovem engajado”, explica.

Além da formação técnica, a organização investe em negócios sociais para sustentar seus projetos. Um exemplo é o Sabor Social, iniciativa que treina mulheres da comunidade em gastronomia para cozinhar tanto para o PAC quanto para clientes externos, gerando receita e promovendo autonomia financeira. Outro destaque são os jantares beneficentes para executivos de tecnologia, que têm arrecadado fundos para o programa Jovem com Futuro, voltado a adolescentes em risco de se tornarem “nem-nem” (nem estudam, nem trabalham).

Projeto social com DNA empresarial

Apesar de ser registrada como ONG, Rosane deixa claro que a estrutura do PAC é de uma empresa. O orçamento é equilibrado entre repasses da prefeitura (65%), apoio de pessoas físicas e editais de grandes corporações, além das receitas geradas internamente. “A lógica é empresarial: temos metas, gestão de recursos, prestação de contas e inovação constante. O impacto social é o nosso produto”, afirma.

O Brasil, lembra Rosane, tem uma das maiores desigualdades do mundo e não pode depender apenas de políticas públicas reativas a grandes tragédias. “Somos responsáveis pela nossa sociedade. As classes C, D e E são as que mais crescem e, se não investirmos no desenvolvimento dessas pessoas, colheremos consequências em saúde, violência e estagnação econômica”, alerta.

A transição de desenvolvedora para empreendedora social foi menos planejada do que Rosane imaginava, mas hoje ela enxerga o percurso como inevitável. “O que me movia na tecnologia também me move aqui: desenvolver pessoas, criar soluções e pensar em futuro. Só que agora, em vez de código, eu escrevo impacto”, encerra.

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