Telefônica não esconde seu interesse pela outra metade da Vivo, enquanto a operadora portuguesa insiste que não a venderá
Em 2002, Portugal Telecom e Telefônica anunciaram uma joint venture para atender aos 9,3 milhões usuários da telefonia móvel brasileira. Nascia a Vivo. Com 50% de participação no negócio cada uma, as empresas conseguiram, em um período de cinco anos, transformar a Vivo em líder de mercado e triplicar sua base de clientes. Em agosto deste ano, ainda houve fôlego para desembolsar R$ 2 bilhões pela Telemig e pela Amazônia Celular, conquistando mais 4,8 milhões de clientes e a cobertura em Minas Gerais.
Mas nada disso aconteceu sem sobressaltos. Tendo como controladores empresas com perfis diferentes, a Vivo viu algumas de suas estratégias demorarem mais tempo para ser definidas, como a migração do CDMA para o GSM. A Telefônica defende o GSM e a Portugal Telecom, o CDMA.
A Telefônica não esconde seu interesse pela outra metade da Vivo, enquanto a operadora portuguesa insiste que não a venderá. “As disputas internas irão continuar, mas as decisões que afetam o crescimento da empresa serão tomadas rapidamente”, diz o analista da Frost & Sullivan André Sciarotta.
O desempenho da Vivo tem melhorado no mercado e também no resultado da Portugal Telecom. No primeiro semestre de 2007, a operadora brasileira foi responsável por 38,5% das receitas operacionais da PT, 2,4 pontos porcentuais a mais que no mesmo período do ano passado. A operadora brasileira é o negócio com maior potencial de crescimento da PT.
Desfazer-se da “galinha dos ovos de ouro” só seria interessante para a PT caso ela tivesse outro investimento em vista, uma vez que a empresa sustenta a importância do Brasil em sua estratégia. Potenciais alvos seriam a Oi e a Brasil Telecom, mas, para que isto possa acontecer, é preciso aguardar que os imbróglios societários das operadoras sejam resolvidos ou que uma operadora luso-brasileira realmente seja criada.
Outro cenário desenhado por Scariotta seria a manutenção dos investimentos na Vivo, mas como uma redução de participação por conta da fusão entre Vivo e TIM, como resultado da compra de participação na Telecom Italia, feita pela operadora espanhola em maio. Mas ele não aposta nisso. “Por conta das pendências com reguladores no Brasil e na Argentina, a Telefônica deve ficar mais calma no mercado por enquanto”, acredita o analista.
Esta é a oitava matéria de uma série de nove que o IT Web publica até 25 de outubro. O especial integra a reportagem de capa da edição 191 de InformationWeek Brasil.