Rede de varejo adotou solução do Google e planeja, aos poucos, migrar mais soluções para o conceito de cloud computing
Em fevereiro de 2009, a rede Lojas Renner começou a migrar aplicações para cloud computing. “Temos algumas soluções já funcionando e outras em piloto”, revela Leandro Fachin Balbinot, diretor de TI da rede de varejo, listando como exemplo do que roda em nuvem a ferramenta de controle de projetos corporativos e alguns portais com para compartilhamento interno de informações.
A estratégia de computação em nuvem da companhia nasceu em novembro do ano anterior com a identificação da necessidade de criar um portal de colaboração. Os três meses seguintes foram dedicados à aprovação das iniciativas e definição da arquitetura a ser utilizada.
A avaliação do conceito considerou parâmetros que passaram por escalabilidade e flexibilidade da solução, custo por licença, velocidade de implantação e independência – uma vez que os usuários ganham certa autonomia para lidar com a tecnologia, liberando a equipe de TI para atividades mais necessárias. “A alternativa mais adaptável seria do Google”, revela Balbinot, dizendo que o projeto entrou em produção em junho, promovendo colaboração entre áreas da empresa através de canais formais e redes sociais.
Os sistemas do fornecedor rodam sobre uma camada de soluções de transações internas da corporação. “Isso permite criar fluxos de trabalho com pessoas de outras áreas da empresa, flexibilizando a automatização de processo”, conta. Aos poucos mais coisas vão para nuvem. De acordo com o executivo, e-mail, agenda e mensageria estão sendo migrados para o conceito.
O CIO revela que todo o trabalho foi conduzido de forma a garantir segurança ao acesso das informações. “Fizemos vários testes para ter certeza de que não teríamos problema”, conta, citando cuidados tomados para não colocar aplicações de missão crítica no modelo. “Todas as informações voláteis, que não precisam de armazenagem histórica ou analítica complexa, ficam na nuvem”, revela o executivo, mencionando a existência de uma conexão segura entre Google e rede interna para mover as ações de negócio. Essa conversa entre os sistemas tem como suporte um software de BPM da Oracle.
Balbinot aponta para um fato que precisa ser dimensionado e considerado na migração para cloud: a velocidade das aplicações são, geralmente, mais lentas do que os softwares que rodam dentro da empresa. Mesmo assim, o diretor menciona que o impacto do projeto na infraestrutura tecnológica das Lojas Renner foi “muito pequeno”, uma vez que o poder de processamento encontra-se nos data centers do Google.
“O que tivemos que colocar, nesse início de projeto, foi o planejamento de provisão de usuários para controle de acesso e a parte de conexão segura. Feito isso, é um trabalho muito mais de arquitetura de computacional normal para conectar o sistema de acordo com o que ele precisa”, reflete o executivo, sem mencionar quantas licenças foram adquiridas ou funcionários inseridos na aplicação.
Um dos pontos que facilitou a incursão pela nuvem da rede de varejo reside numa TI baseada em arquitetura orientada a serviços (SOA) o que, na visão do diretor, permite uma conexão capaz de viabilizar modelos tecnológicos híbridos.
O sucesso obtido na experiência até o momento faz com que as Lojas Renner planeje novas tecnologias rodando em cloud. “Tudo que não for estratégico ou crítico, olharemos para migrar num futuro próximo”, arrisca, salientando que aplicações de rotina tendem a ir mais rapidamente para a nuvem. “Pegar uma aplicação interna específica é mais delicado”, avalia o CIO, vislumbrando que as empresas que já possuem uma TI robusta montada partirão aos poucos para o modelo, enquanto empresas nascentes tendem a – em alguns casos – até descartar a hipótese de adquirirem parques próprios.
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