Na onda da consolidação do setor de saúde privada, Neuza Ferreira da Rocha padronizou sistema de gestão de empresas adquiridas.
O minidicionário Houaiss define a palavra líder como “quem atrai seguidores”. E a diretora de tecnologia da informação da Amil, Neuza Ferreira da Rocha, é o exemplo de que a teoria também pode ser realidade na prática.
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Durante a entrevista para esta reportagem, Neuza fez questão de convidar três dos cinco gerentes de sua área para contar e detalhar os principais projetos realizados pela diretoria de tecnologia ao longo de 2008. “Faço questão que minha equipe esteja sempre presente”, destaca.
A habilidade de gerir e motivar pessoas, com certeza, contribuiu para que a executiva fizesse carreira na empresa que atua no ramo de saúde. Neuza trabalha na Amil há 30 anos e há quase metade deste tempo (14 anos) é a diretora de TI da corporação.
Sob seu comando estão 117 pessoas e um orçamento que corresponde a 4,5% do faturamento total da empresa. Pelas contas da executiva, pelo menos 20 de seus funcionários estão na equipe desde que ela assumiu a área de TI da Amil. E isso é motivo de orgulho para Neuza. “Tenho um percentual altíssimo de pessoas que ‘fecham’ comigo 24 horas por dia, porque a gente trabalha em equipe com muita clareza e abertura”, afirma.
Graças a essa cumplicidade e a colaboradores focados, Neuza conseguiu, ao longo de 2008, realizar projetos complexos – um deles considerado pela diretora como o maior desafio de sua história profissional. Trata-se da migração do sistema de gestão corporativa da operadora Dix-Amico, que passou a adotar a solução usada pela Amil. A Dix-Amico faz parte do Grupo Amil, mas usava um sistema de gestão com regras de negócio diferentes das adotadas pela corporação.
Essa falta de padronização dificultava a gestão do ambiente e o acompanhamento da evolução dos negócios. Além disso, como a Amil é uma empresa de capital aberto listada na bolsa de valores, deve seguir regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Bovespa sobre governança e clareza na gestão de negócios.
“Sempre fomos muito informais. Com a entrada na Bolsa, começamos a implantar todas as exigências, como mais formalidade voltada para processos, o que não tínhamos”, diz Neuza.
Todos os aplicativos usados pela empresa – exceto os ligados às áreas de recursos humanos e contábil – funcionavam sobre a plataforma. O processo de migração foi realizado em três meses e terminou em agosto de 2008, com o envolvimento de 30 profissionais de TI. “O ponto crítico foi integrar a massa de dados da Dix-Amico à da Amil, porque havia muitos conceitos que eram interpretados de forma diferente”, avalia a diretora.
Os benefícios da mudança refletiram diretamente na redução de despesas administrativas, bem como em mais clareza para a tomada de decisão, uma vez que, com métricas iguais, é possível realizar comparações.
Em paralelo à substituição da plataforma corporativa, Neuza coordenou a atualização da versão do sistema de gestão empresarial (ERP, do inglês, Enterprise Resource Planning), da MXM. Neste caso, o trabalho envolveu não só esforço em relação à infraestrutura e ao desenvolvimento, mas também quanto ao treinamento dos usuários da ferramenta.
O próximo passo em relação à atualização da plataforma usada pela Amil será a troca do sistema corporativo de toda a empresa. O processo teve início em julho e levará 24 meses até ser concluído. A equipe de TI vai trabalhar no desenvolvimento de uma plataforma customizada, que vai se chamar Sis-Amil, a partir do código fonte de um sistema que foi adquirido pela empresa.
Neuza conta que o processo foi dividido em três grupos de projetos. A primeira meta é colocar em operação, já em março de 2010, toda a área comercial funcionando no novo sistema. Em novembro, será a vez das funcionalidades relacionadas à liberação de sinistros e benefícios. A terceira fase, ligada ao atendimento, ficará para 2011.
O projeto é complexo porque vai além da adoção de uma nova plataforma tecnológica. A Amil vai aproveitar para redesenhar processos e repensar a empresa como um todo. Além disso, a integração com os aplicativos da companhia será abrangente. “Nossa filosofia é que estamos com um transatlântico no mar e temos que começar a construir outro, sem parar nada”, afirma a executiva.
Um dos aplicativos que será integrado ao novo sistema, e que Neuza faz questão de destacar, é a ferramenta de inteligência de negócios (do inglês, Business Intelligence), cujo uso atualmente está passando do nível operacional para o tático. Hoje, 200 funcionários utilizam a solução de business intelligence e a meta é ampliar este número para 5 mil usuários.
Decisões como o lançamento de ações, em 2007, são pautadas a partir dos dados obtidos com o BI. A empresa também usa a ferramenta para realizar um estudo de cobertura de risco, que auxilia na formação de preço de acordo com o perfil do cliente.
Ainda em relação ao atendimento aos clientes, a Amil também investiu na venda de planos de saúde pela internet. Após cinco meses da implantação de um plano-piloto, a empresa criou uma área para coordenar as operações e dar suporte aos clientes. O setor registra um crescimento de 30% no número de contratos fechados e a expectativa é de que seja responsável por 10% do total de negociações no período de um ano. Até o momento, a Amil já investiu cerca de 1 milhão de reais na aquisição e adequação de equipamentos e contratação e treinamento de profissionais.
Pelo site da empresa, a contratação de um plano de saúde é feita em apenas quatro passos e está disponível para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná e Ceará. O cliente conhece as opções de planos e suas respectivas coberturas e rede credenciada, faz sua escolha, insere e confirma os dados e faz o cadastro, confirmando a compra.
Virtualização de servidores
Outro esforço da equipe de Neuza este ano foi dar início à virtualização de servidores. Quarenta e cinco máquinas foram substituídas por cinco lâminas blade e a executiva conta que o potencial para a adoção desta tecnologia é ainda maior. Por hora, a empresa focou em virtualizar ambientes de homologação e desenvolvimento.
Segundo a diretora de TI, a maior parte da economia trazida pela virtualização veio da aquisição e manutenção de servidores. “Estou economizando 80% com gastos, incluindo manutenção, energia, licença de software e em número de servidores”, conta Neuza.
Um dos projetos no foco da executiva para 2010 é a modernização do data center da empresa, o que inclui as iniciativas de virtualização e a reavaliação da infraestrutura do ambiente.
Surpresa por ser uma das finalistas do prêmio IT Leaders 2009, Neuza diz que chegou a um nível em que é preciso compartilhar as recompensas e oportunidades com outras pessoas. “Isso [a indicação] é fruto de uma dedicação total, abrindo mão, às vezes, do convívio com a família em prol da empresa”, afirma.![]()