Independentemente do porte do projeto, a TI precisa entender que mudanças acontecerão
A pesquisa da Forrester, conduzida por Liz Herbert, revela que além do SaaS, os CIOs demonstram interesse também por infraestrutura como serviço (IaaS), processos de negócio como serviço (BPaaS), plataforma como serviço (PaaS) e conhecimento como serviço (KaaS). É algo como o retorno do velho bureau de serviços a que as empresas recorriam antigamente para processar folhas de pagamento, por exemplo.
Os ciclos de negócio, citados no início da reportagem, trazem embutida a questão de como as empresas preferem armazenar seus dados, dentro ou fora dela. No passado, as informações passavam por um processo externo. Depois de alguns anos, as companhias entenderam que era melhor guardar em casa, por segurança. Já atualmente e com o advento da computação em nuvem, o dilema está de volta. Talvez por isto, segurança e riscos de migração figuram entre as principais preocupações dos executivos, o que também justifica a adoção deste formato apenas em casos não críticos.
Ainda assim, independentemente do porte do projeto, a TI precisa entender que mudanças acontecerão. “SaaS tem dado aos usuários corporativos novos papéis. Isto significa que a área deve trabalhar mais próxima das demais áreas e precisa se movimentar mais rapidamente para adaptar-se às necessidades do negócio; de outra forma, a empresa continuará trabalhando sem a TI [e, talvez, criando riscos]”, aconselha Liz.
Embora TI alinhada ao negócio seja uma expressão quase anciã de tanto que foi repetida, escrita, postada e profanada, ela não sai das rodas de discussão e sempre é mencionada por analistas. Apesar da mudança que aconteceu no perfil de muitos executivos, existem aqueles que, em uma avaliação, ainda deixam o lado técnico falar mais alto, dificultando a ponte de diálogo da tecnologia com os demais departamentos. “A TI não olha para as questões contábeis”, afirma Sérgio Alexandre Simões, sócio da PwC para a divisão Advisory Services – Technology. “Os termos são complicados, mas já vi projeto perdido porque seria melhor fazer um jogo contábil na proposta. Temos componentes financeiros para terceirização ou renovação. As empresas querem renovar e saber o quanto disto será aproveitado em planejamento fiscal. Os CIOs devem se adequar.”
Assim, o líder atual de TI precisa ser 80/20, sendo a primeira parte de conhecimento administrativo e o restante técnico. No cenário atual, além do dia a dia, com os temas relacionados à segurança e à disponibilidade, o diretor tem de incluir no escopo de habilidades os pontos contábeis. Apesar de novo para alguns, este conhecimento vai começar a fazer parte da rotina. Contudo, alertam os especialistas, não se trata apenas de entender as regras. O diretor de tecnologia terá de avaliar as novas ofertas sob a ótica contábil da empresa. E, no médio ou longo prazos, conviverão com um ambiente mais flexível no que se refere à compra de TI, onde as áreas de negócios buscarão suas ferramentas e também poderão ativá-las. Claro que, para isso, as companhias precisarão trabalhar, possivelmente, em uma nova política de compra exclusiva para TI.
“Hoje temos um direcionamento para investimento em tecnologia, tudo passa pelo comitê, mesmo que seja temporário, porque envolve segurança, integração, avaliação de vantagem e os departamentos não têm ferramentas necessárias para esta avaliação. Mas a tecnologia possui um nível diferenciado de evolução que acelera a adequação da política. Atualmente é assim, mas não sei se em algum tempo a contratação poderá ser feita via departamentos”, divaga Signorini, da Rodobens.
Para o gerente de TI da Intelbrás, Flávio Schoenell, o desafio de controlar a compra de TI é diário. “Mesmo sem SaaS”, avisa, para completar: “a TI cuida de um quebra-cabeça, se adicionar algo, tem de informar. Já fazemos um trabalho próximo das áreas de negócio para estarmos juntos na hora da necessidade.”
No entanto, ainda que a política contemplando uma nova maneira de comprar TI não esteja definida, é possível estabelecer o controle por meio de outras formas. Liu, da Deloitte, acredita que integração com login pode ser um meio efetivo, já que a TI continua tendo o controle e o gerenciamento dos aplicativos que rodam no sistema da empresa. “Além disto, a corporação pode restringir algumas URLs. É complicado, mas inevitável, cada vez mais serviços vão para a nuvem, tanto infraestrutura como software.”
E como profecia quase sempre se cumpre, não resta alternativa aos departamentos de TI senão adaptar-se aos novos tempos. Mais uma vez, buscar o conhecimento é essencial, assim como entender o que as áreas de negócio desejam e qual momento sua companhia vive. A flexibilidade do líder também auxilia muito, sobretudo quando todas essas modalidades explodirem no mercado brasileiro. As facilidades para contratação e uso certamente seduzirão seus usuários e você precisará estar na linha de frente para educá-los e mostrar o real valor do departamento de tecnologia, seja para ajudar na escolha da melhor plataforma, negociar o contrato mais positivo, entender a integração, discutir a segurança e, juntos, levarem o que há de melhor para o ambiente corporativo.
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