Ao perguntar à diretora de RH do SAP Labs Latin America, Adriana Kersting, o que mantêm a instituição no topo do ranking GPTW para grandes empresas há cinco anos, a primeira resposta é a vontade constante de melhorar. “É muito importante o fato da gente não se deixar acomodar por estar numa boa posição”. Mesmo […]
Ao perguntar à diretora de RH do SAP Labs Latin America, Adriana Kersting, o que mantêm a instituição no topo do ranking GPTW para grandes empresas há cinco anos, a primeira resposta é a vontade constante de melhorar. “É muito importante o fato da gente não se deixar acomodar por estar numa boa posição”. Mesmo em primeiro lugar, a executiva conta que todo ano sua equipe realiza duas pesquisas internas de clima e se debruça sobre os resultados obtidos com o GPTW para se aprimorar ainda mais.
Ainda assim, o resultado não vem de ações isoladas ou pontuais, e sim de uma cultura construída ao longo dos anos e que combina pilares bem estabelecidos com uma capacidade de adaptação à mudanças. Foi esta que permitiu, inclusive, a ida ao home office durante a pandemia e agora, a volta ao sistema híbrido dentro da empresa.
“Eu tenho uma máxima que é a teoria evolucionista do Darwin: não é o mais forte que sobrevive, mas o que se adapta às mudanças. É um conceito antigo, mas que nunca esteve tão atual”, afirma.
Para tornar isso possível, ouvir é a primeira etapa. Em seguida, junto com sua equipe, Adriana olha para o que já é oferecido dentro da organização que poderia auxiliar este funcionário ou o que pode ser criado e, por meio de metodologias design thinking, busca criar novas ações para manter o ambiente saudável. São treinamentos, workshops, benefícios de saúde física, mental, financeira, jurídica, entre muitas outras soluções.
Para Fernanda Saraiva, diretora de RH da SAP para o Brasil e América Latina, a forma de agir faz parte da inovação constante e presente no DNA da organização. “Se perguntar sempre o que a gente pode fazer diferente e estar em constante evolução e transformação, é o motor da nossa sobrevivência.”
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A aceleração, no entanto, não exclui o olhar integral para o funcionário, uma demanda cada vez mais presente para os profissionais do mercado. Realizada anualmente junto com a premiação, a pesquisa anual da GPTW, em 2025 apontou que os motivos que levam colaboradores a permanecer nas organizações mudou.
Quando questionados sobre o principal motivo pelo qual continuam em seus trabalhos atuais, colaboradores do setor de TI colocaram, pela primeira vez, “Qualidade de Vida” acima de “Oportunidade de Crescimento”.
A diferença é pequena, de apenas 1%, mas acompanha outras respostas que indicam uma busca maior pelo equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “Remuneração e Benefícios” e “Estabilidade” foram os fatores que apresentaram maior avanço no período.
Enquanto o primeiro registrou 12% em 2024 e apenas 10% dois anos antes, hoje é apontado como motivo de permanência por 14% dos respondentes. Estabilidade, por sua vez, mais que dobrou: 7% dos entrevistados mencionam o tema, contra apenas 2% em 2024.
Para o SAP Labs, no entanto, a mudança de comportamento não foi uma surpresa. Por meio de pesquisas internas de satisfação, tanto Adriana quanto Fernanda já haviam notado a nova realidade e têm preparado a companhia para acompanhar a transformação geracional. Nesse sentido, a adaptabilidade se torna aliada, permitindo que o RH realize ações como promover encontros e atividades fora da empresa para ampliar o senso de comunidade.
“Quando percebemos nos perguntamos logo de cara: como é que a gente consegue trazer mais esse equilíbrio para as pessoas? E aí vai desde atividades que passam uma mensagem, como sair do escritório e fazer uma corrida juntos, como investir em programas de saúde mental, que é uma das nossas maiores preocupações”, conta Fernanda.
Em meio à tantas incertezas proporcionadas pela inteligência artificial (IA), para as executivas, proporcionar saúde mental aos colaboradores inclui, não apenas facilitar o acesso ao apoio psicológico, como também oferecer capacitação e ferramentas para que eles se sintam seguros em relação aos seus trabalhos e possam se adaptar aos novos tempos. Por meio destes incentivos, a adaptabilidade se torna parte da cultura da organização.
“Estamos vivendo muitas mudanças. E, numa empresa de tecnologia, tudo muda o tempo todo. E quando a gente fala em saúde mental, estamos falando das pessoas se sentirem prontas para seguir com o seu trabalho, com a sua profissão”, declara Adriana.
Sem saber ainda o que o futuro reserva, tanto Adriana como Fernanda têm apenas uma certeza: para manter o clima dentro do SAP Labs e, quem sabe chegar ao primeiro lugar do GPTW pelo sexto ano consecutivo, será preciso muita escuta e investir cada vez mais em saúde mental.
As próximas ações da companhia só poderão ser previstas diante daquilo que o mundo apresentar, mas até lá, o plano é seguir construindo uma cultura interna de respeito e adaptabilidade. “A gente tem uma cultura já de muitos anos e acredito que todos esses resultados são fruto de uma evolução dessa cultura mesmo, que vem quando a gente escuta o feedback e faz alguma coisa com isso”, finaliza Adriana.
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