Mas telefonias fixa e alguns perfis da móvel surgem como os mais frágeis diante da crise internacional
O setor de telecomunicações vai continuar crescendo ao longo deste ano, a despeito da queda do Produto Interno Bruto (PIB) ter sido maior do que se esperava, atingindo 3,6% no último trimestre de 2008 em relação ao trimestre anterior. Mas a expansão será ligeiramente menor do que a estimada, acredita o analista senior do Yankee Group, Júlio Puschel, baseado no acompanhamento do setor de telecomunicações pelo instituto de pesquisas de origem americana.
Por ter evoluído de serviço de valor agregado para serviço básico, a telefonia fixa e celular, bem como o tráfego de dados, têm espaço reservado na planilha de gastos da maioria das camadas sociais. “Até mesmo os desempregados não podem deixar de navegar na internet em busca, inclusive, de novas oportunidades”, comentou Puschel.
Segmento mais atingido
No conjunto de serviços de telecomunicações, dois segmentos surgem como os mais frágeis diante da crise internacional. A telefonia fixa, que pode ver parte de sua clientela migrar para a telefonia móvel em busca de serviços pré-pagos, e a própria telefonia celular, no que se refere às camadas sociais denominadas B2 e C1 (a ala menos abastada da classe B e a mais alta da C), conforme os critérios de pesquisa do Yankee Group, em função da redução de uso que deve ocorrer em busca de diminuição dos gastos.
As demais classes de usuários não sofrerão nenhum impacto da turbulência financeira mundial porque, por um lado, o uso é essencial tanto da telefonia fixa e celular como da banda larga. Por outro, as camadas mais pobres não sofrerão porque são objeto dos benefícios governamentais, em ano que antecede eleições.
Conclusão, o tráfego de voz e dados crescerá sim, mas em porcentuais inferiores ao que estava sendo estimado.
“O PIB é um dos indicadores considerados para medir o desempenho da telefonia, portanto, sua redução interfere e será sentida, mas não revertendo o crescimento, apenas reduzindo”, comentou Puschel. Os 35% que a banda larga poderia crescer, por exemplo, deve cair um pouco, disse o analista.
Incerteza atrapalha
O câmbio, por sua vez, representa desafio maior que o PIB, afirmou o diretor de consultoria da Promon Logicalis, Luis Minoru. “As empresas que compram e as que vendem equipamentos de redes e telefones celulares enfrentam forte conteúdo importado e suscetível a oscilações de preços”, disse. “Com a instabilidade gerada pela crise, fica muito complicado planejar. Elas não querem assumir riscos de fazer compras de mais longo prazo com medo do dólar subir”, diz o consultor. Daí o planejamento ficar prejudicado no curto prazo. “No longo prazo há a expectativa de o câmbio baixar e se estabilizar, mas até que isso aconteça, as empresas procuram o menor comprometimento possível”, afirmou Minoru.