A equipe de cinco pessoas do CIO Jonathan Snyder na Dreambuilder Investments não está na organização de TI tradicional. A empresa nova-iorquina, que compra e vende hipotecas residenciais, utiliza Salesforce.com como plataforma de serviços financeiros. O serviço hospedado MozyPro, da EMC, faz backup dos dados. O servidor da companhia é hospedado pela RackForce Networks, no […]
A equipe de cinco pessoas do CIO Jonathan Snyder na Dreambuilder Investments não está na organização de TI tradicional.
A empresa nova-iorquina, que compra e vende hipotecas residenciais, utiliza Salesforce.com como plataforma de serviços financeiros. O serviço hospedado MozyPro, da EMC, faz backup dos dados. O servidor da companhia é hospedado pela RackForce Networks, no Canadá, e o e-mail é entregue pela Apptix, também canadense.
Tudo bem, a Dreambuilder Investments foi fundada há cinco anos e não possui infra-estrutura de TI gigantesca. Mas, na visão de Snyder, o core business da companhia é hipoteca e não manutenção de servidores e backup de discos. “Se o core business de outros é lidar com um servidor Exchange, eles que façam isso”, diz Snyder.
Não são apenas as pequenas e médias empresas que estão seguindo Snyder. Em 2013, pelo menos um quinto da carga de trabalho de TI corporativa será gerenciado em ambientes de cloud computing, segundo Mike West, analista da consultoria Saugatuck Technology.
Cada vez mais, as grandes empresas estão entregando suas atividades de infra-estrutura de TI a empresas de serviços como a IBM e Hewlett-Packard e até a recém-chegadas no mercado como a Amazon.com e a Boomi. A meta é reduzir os custos, acessar funcionalidade aprimorada, solucionar o problema de escassez de mão-de-obra qualificada e reduzir o espaço ocupado pelo data center.
Além do mais, as empresas estão reconhecendo que criar ou instalar aplicativos “commoditizados” ou serviços de infra-estrutura de TI que não proporcionam vantagem competitiva “é cada vez menos interessante”, diz John Dutra, CTO da Sun IT, uma divisão Sun Microsystems que está se preparando para lançar a network.com, plataforma de computação hospedada para desenvolvedores.
As empresas não comprarão mais artefatos de tecnologia, como os sistemas ERP, prevê Thornton May, colunista do Computerworld e futurologista. “Elas recorrerão a um serviço.”
Os benefícios de cloud computing – a capacidade de armazenar arquivos e dados em uma rede remota utilizando a internet – incluem infra-estrutura menos onerosa e mais velocidade. Isso é muito tentador para os líderes de TI. Estudos mostraram que algumas empresas precisariam gastar milhões de dólares para instalar e configurar seus próprios ambientes de servidor e storage virtualizados, explica West.
Com serviços de TI hospedados, observa West, “você não tem que comprar o hardware e o software, basta fazer uma assinatura. Não há grande desembolso de capital. O atrativo é enorme”.
Além disso, fornecedores de serviços hospedados como Google e Amazon estão tornando os preços extremamente transparentes. Por exemplo, o Google Apps (que inclui e-mail, processador de texto, planilha, apresentação e agenda) custa US$50 anuais por usuário, compara Matthew Glotzbach, diretor de produto do Google.
O Simple Storage Service da Amazon é explicado com clareza no site e sai a 15 centavos de dólar mensais por gigabyte. “Eliminamos grande parte do atrito porque somos transparentes em relação ao preço e não necessitamos de longos contratos e negociações”, explica Adam Selipsky, vice-presidente de gestão de produto e relações com o desenvolvedor na Amazon Web Services.
“Embora a imensa maioria dos clientes seja constituída de pequenas empresas, a Amazon Web Services também tem grandes clientes como a Bolsa de Valores Nasdaq e o New York Times, conta Selipsky. Na realidade, a adoção por parte de clientes corporativos “aconteceu um pouco mais rápido do que imaginamos”.
“As opções de atividades de TI que realizamos internamente ou podemos terceirizar continuam melhorando”, diz Beach Clark, CIO do Georgia Aquarium. O web farm do aquário, incluindo dois web sites, é hospedado em outro lugar por uma empresa que também hospeda os servidores web. Como outros CIOs, porém, Clark acredita que as atividades de TI essenciais para a missão de uma empresa continuarão sendo exercidas internamente.
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A equipe de cinco pessoas de Clark, por exemplo, lida com a maior parte do suporte à compra de entradas online para o aquário e com uma grande parcela do trabalho de business intelligence (funções que ele considera vitais para a organização), mas um pouco da programação em si é terceirizado. E Clark não vislumbra mudanças neste cenário tão cedo.
A migração das organizações de TI corporativas para serviços de infra-estrutura de TI hospedados é real, enfatiza Paul Major, diretor de TI da Aspen Skiing. Mas, apesar de achar sedutora a perspectiva de terceirizar o suporte à infra-estrutura de TI, Major tem dúvidas.
“Minha preocupação é o que acontece se o modelo de negócio do fornecedor de serviços fracassa por algum motivo e alguém o compra”, revela. “Como poderei obter meus dados e formatá-los? Prefiro mantê-los localmente e sob controle.”
Por estas e outras razões, Vincent Franceschini, chairman da Storage Networking Industry Association, acredita que existirão “muitos tons de cinza” em se tratando de cloud computing em grandes organizações.
As indústrias química e de aviação, por exemplo, têm processos de negócio e workflows de dados extremamente diferentes. Mas o “coração” destes dois setores é a propriedade intelectual “que eles querem muito controlar”, diz Franceschini. Por isso, apesar de vislumbrar empresas terceirizando algum nível de atividades rotineiras de infra-estrutura de TI, levará algum tempo para que aplicativos do core business – particularmente os que contêm propriedade intelectual – saiam das instalações.
“Se tem uma coisa que pode retardar a adoção de serviços gerenciados por clientes corporativos é a preocupação com a proteção dos dados”, ressalta Nick Sharma, vice-presidente sênior de serviços de infra-estrutura gerenciados da Satyam Computer Services.
Há outras razões para muitos CIOs ainda resistirem ao modelo de serviços de TI hospedados. “Acho que veremos uma volta a um modelo mais tradicional de suporte de TI on-premise porque os departamentos de TI estão percebendo que os usuários querem interfacear com um ser humano real em inglês”, diz Carmen Malangone, diretora de TI da Coty, fabricante de perfumes e produtos de beleza.
“É uma área em que estes serviços gerenciados são escassos”, observa, aludindo ao uso de representantes de serviços offshore com habilidades não muito uniformes no idioma Inglês.
E estes não são os únicos fatores que inibem a expansão. “Uma das maiores barreiras é a própria organização de TI”, acredita Dutra, da Sun. “Existe um histórico cultural de criar coisas.” Existe também um preconceito entre alguns clientes corporativos que se acostumaram a ter organizações de TI que “possuem e operam” sistemas, acrescenta Dutra.
“Há diferentes graus de avanço no caminho dos serviços hospedados”, explica Bryan Doerr, CTO da Savvis, fornecedora de serviços de infra-estrutura de TI. “Um percentual das empresas não acredita que uma solução virtualizada lhes servirá.”