O SoberanIA, iniciativa brasileira dedicada ao desenvolvimento de inteligência artificial (IA) nacional, anunciou a implantação da primeira Fábrica de IA Distribuída da região. Com a promessa de ser a infraestrutura física mais segura e moderna da América Latina, o projeto reúne o Governo do Piauí, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a estatal […]
O SoberanIA, iniciativa brasileira dedicada ao desenvolvimento de inteligência artificial (IA) nacional, anunciou a implantação da primeira Fábrica de IA Distribuída da região. Com a promessa de ser a infraestrutura física mais segura e moderna da América Latina, o projeto reúne o Governo do Piauí, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a estatal Telebras e as empresas Modular e Scala Data Centers.
A ideia a partir da aliança é permitir que governos, instituições de pesquisa e empresas acessem modelos e datasets nacionais por meio de uma nuvem soberana, sustentada por infraestrutura digital sustentável e totalmente brasileira. A iniciativa visa ainda garantir que o Brasil tenha domínio completo da cadeia de valor da IA – desde a energia renovável que alimenta os processadores, passando pela produção local dos componentes modulares para os data centers, até o software que atende o cidadão.
O anúncio aconteceu durante o Encontro Nacional de IA Soberana, em Brasília. “A primeira fase do SoberanIA provou que o Brasil tem a competência para organizar dados e criar o software. Agora, estamos construindo a infraestrutura”, declarou o governador do Piauí, Rafael Fonteles. “Não estamos apenas contratando um serviço; estamos nacionalizando a capacidade de processamento. Esta infraestrutura é um ativo de segurança nacional que servirá a todos os estados, garantindo que nossos dados e nossa inteligência permaneçam sob comando brasileiro.”
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A infraestrutura foi concebida seguindo práticas globais de sustentabilidade e de estímulo à indústria nacional, alinhada ao programa Nova Indústria Brasil (NIB). A iniciativa prevê transferência integral de tecnologia e conhecimento, com operação orientada à formação de profissionais locais, da engenharia à gestão de dados.
A concepção técnica e a implantação da infraestrutura hyperscale com 100% de energia renovável será liderada pela Scala Data Centers, com uma reserva de capacidade de 500 MW para o SoberanIA na Scala AI City, em Eldorado do Sul (RS). Já a Modular Data Centers será responsável pela fabricação de componentes customizados para o projeto. A empresa prevê lançar em 2026, com apoio do BNDES, um centro de apoio dedicado à nacionalização de componentes críticos e ao desenvolvimento local de sistemas elétricos e de resfriamento líquido.
“O ecossistema SoberanIA e a aliança para a construção desta Fábrica de IA são totalmente aderentes ao fortalecimento da indústria nacional, materializando os objetivos da NIB e do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA)”, afirma Uallace Moreira Lima, secretário do MDIC. “Ao reduzir nossa dependência tecnológica e fomentar conteúdo local de alta complexidade, garantimos capacidade produtiva em setores estratégicos e soberania real para o futuro do País.”
Esta é a segunda fase do SoberanIA. Anteriormente, o projeto construiu a maior base de dados em língua portuguesa do mundo com governança assegurada para uso comercial, ampliada de 130 bilhões para 350 bilhões de tokens. Atualmente, a tecnologia impulsiona aplicações como o “Piauí Oportunidades”, com trilhas de ensino personalizadas, e o “BO Fácil”, que permite registros de ocorrências por voz via WhatsApp.
Agora, a iniciativa entra na fase de independência física, visando garantir guarda soberana, desenvolvimento e processamento de modelos em território nacional em um modelo que prevê a implantação de uma plataforma composta por núcleos distribuídos de processamento de alta capacidade e armazenamento seguro, sendo eles:
A fábrica de IA do Piauí: Com uma equipe inicial de pesquisadores dedicada ao treinamento, refinamento e otimização dos modelos brasileiros. O plano é que, neste ambiente, ocorram o desenvolvimento dos modelos fundacionais, o fine-tuning setorial, a preparação de dados e o treinamento dos modelos.
O cofre de dados: Situado em Brasília e operado pela Telebras, funcionará como repositório das bases estratégicas do Estado. Instalado em um data center Tier IV dentro de área militar, abrigará as funções de guarda, governança e proteção das informações sob protocolos de segurança física e cibernética.
O distrito soberano: Localizado no Sul do País, onde há disponibilidade energética e condições climáticas favoráveis à implantação em larga escala de GPUs. Nesse local, além de operar parte do treinamento contínuo e dos ciclos de atualização, serão executadas cargas de inferência dos modelos já treinados para atender serviços públicos e setores estratégicos.
À medida que o projeto avança, novos nós estaduais serão integrados para ampliar a capacidade de inferência e o refinamento local dos modelos, aproveitando e modernizando as estruturas das empresas estaduais de processamento de dados. Esses nós complementarão a arquitetura da Fábrica Distribuída de IA para fortalecer sua capilaridade, resiliência e capacidade de inovação em todo o território nacional.
Nas próximas semanas, o SoberanIA concluirá a terceira fase do projeto, com a seleção do parceiro tecnológico responsável pela implantação da infraestrutura computacional e a divulgação do cronograma de implementação.
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