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Software e Hardware em freqüências diferentes

Sei que o titulo pode parecer meio estranho, mas essa semana li um artigo que continha essa frase, e me pareceu bem apropriada para o tema que quero discutir com vocês. Os recursos de hardware disponíveis hoje em dia são fantásticos, mas infelizmente os softwares não acompanharam essa evolução e estamos literalmente jogando dinheiro fora […]

Publicado: 14/05/2026 às 05:00
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8 minutos
Software e Hardware em freqüências diferentes
Construção civil — Foto: Reprodução

Sei que o titulo pode parecer meio estranho, mas essa semana li um artigo que continha essa frase, e me pareceu bem apropriada para o tema que quero discutir com vocês. Os recursos de hardware disponíveis hoje em dia são fantásticos, mas infelizmente os softwares não acompanharam essa evolução e estamos literalmente jogando dinheiro fora ao adquirir certas tecnologias antes do tempo “certo”.

Vamos começar com o x86-64 bits, que já está disponível a mais de 2 anos e até agora seu uso em desktops e notebooks é próximo de zero. Dessa vez não há a desculpa de que não existem sistemas operacionais adequados ou que só um fornecedor de processadores adotou o padrão. De fato os 64bits estão disponíveis tanto com a AMD quanto com a Intel, essa última também há bastante tempo, e o Microsoft Windows 64 bits já está no mercado desde meados do ano passado. E nada de novo aconteceu, continuamos usando nossos sistemas operacionais de 32bits.

Tudo bem, nós de fato não “pagamos” por esse recurso porque ele está intrínseco dentro do processador e isso não afeta seu custo, mas todos nós sabemos como fomos bombardeados de informações sobre a “necessidade” dos 64bits. Aqui mesmo no Fórum PCs há inúmeros relatos de consumidores que tomaram a decisão de optar por essa plataforma porque gostariam de estar preparados para o futuro. Pois bem, o futuro não chegou e ainda vai demorar pra chegar…

Outra tecnologia que já temos disponível é a virtualização no hardware, ou VT. A nova geração de processadores Intel já possui esse recurso. E daí? Nada de software adequado, nada de firmwares inteligentes (que irão substituir as arcaicas BIOS) e nada de nós estarmos usando múltiplos sistemas operacionais em nosso desktop. Nada por hoje e nada em vista no curto prazo.

Dual Core é uma boa, todo mundo concorda com isso, mas só agora é que começam a surgir os reais benefícios através de patches em jogos ou aplicativos, ou através de drivers mais otimizados. Talvez o Windows Vista mude esse cenário, mas de fato o aproveitamento de um Dual Core hoje é bem pequeno por culpa dos softwares inadequados. Não se pode culpar os programadores, afinal eles seguiram por quase 3 décadas a cartilha que dizia “processos simples e freqüências de operações cada vez maiores” seriam o futuro, até que alguém mostrou que processos paralelos em computação distribuída mesmo em freqüências menores seria (e é) mais interessante. Isso deu um nó na cabeça dos profissionais da indústria de software, e não foi agora, já tem bastante tempo.

Falando do Windows, que beleza o bug no driver USB 2.0 que faz os notebooks baseados no processador Core Duo perderem a carga da bateria em pouquíssimo tempo! Bug esse já conhecido desde o meio do ano, e até agora sem correção. O Core Duo é um processador muito inteligente, capaz de dormir se não estiver em uso por até 6 estágios de profundidade diferentes (sono profundo) economizando muita energia, mas eis que o driver USB 2.0 do Windows não se entendeu muito bem com ele e fica perturbando seu sono. No Mac OS X e no Linux isso não ocorre, ambos o deixam dormir quietinho…

Falando em Linux, continua sendo um desafio a adoção em massa desse ótimo sistema operacional em ambientes desktops e principalmente em notebooks. O software é gratuito, maduro, com uma equipe de desenvolvedores dispersa no mundo inteiro, mas seu avanço é lento entre os consumidores finais.

Em placas de vídeo, especialmente as novas gerações, os Pixels Shaders da versão 3.0 já estão disponíveis em maior ou menor escala desde o início do ano passado, e só agora alguns jogos, e infelizmente somente os jogos, estão aproveitando bem tais recursos. Aplicações de vídeo 2D ou modelagem 3D ainda estão anos luz atrasadas, pouco se aproveitam os recursos computacionais de uma placa de vídeo em aplicações típicas de um desktop. Mais uma vez o, Windows Vista promete uma interface visual que irá se beneficiar de tais recursos, mas ainda não é uma realidade na mesa dos consumidores e tudo indica que só deve aparecer no segundo semestre.

Eu monto e desmonto várias máquinas por semana, instalo o sistema operacional inúmeras vezes para a realização de testes e por isso já me acostumei com a seqüência de drivers, o uso do F6 antes do setup do Windows no caso de controladoras RAID não suportadas, a necessidade de fazer um Windows Updade que dura mais de uma hora após a instalação do XP, entre outras coisinhas. A freqüência dessas tarefas é tanta que até fiz um CD unattended, aqueles CDs com o SP2 integrado, com setup automático sem a necessidade de intervenção manual do usuário, e com a instalação do ótimo Auto Patcher, um pacote não oficial que consolida o Windows Update até os dias atuais, diminuindo muito o tempo total para deixar a máquina pronta. Enfim, a idade do Windows XP frente aos inúmeros consertos que ele precisa para funcionar direito nos dias de hoje tornam uma instalação que inicialmente durava de 30 a 40 minutos em um processo chato e demorado, muitas vezes ultrapassando 2 ou 3 horas sem considerar a instalação dos aplicativos. Só o sistema operacional puro mesmo, e atualizado até os dias de hoje. Imagine um usuário semi-leigo que compra um PC novo sem sistema operacional e compra na loja um Windows XP legalizado pagando o preço de tabela, qual a sensação que ele terá ao saber que aquilo que ele leu na embalagem (“fácil instalação”) é no fundo um processo lento, complicado e dependente de uma conexão de banda larga.

O Windows Vista vai chegar no segundo semestre e provavelmente tornará esse processo momentaneamente mais rápido incorporando todos os últimos drivers e correções de segurança, mas a história mostra que em poucos meses começam os patches, correções, drivers novos e mais uma vez um processo que era simples e rápido passa a se tornar chato e demorado, cheio de detalhes que certamente vão afastar os usuários menos experientes. E o ciclo vicioso recomeça…

Os novos computadores Apple com processador Intel já estão chegando ao mercado. É um raro caso de uma arquitetura proprietária otimizada que se abriu para o mundo. O Mac OS X precisou ser adaptado aos recursos disponíveis no processador da Intel e isso custou cerca de 15MB a mais no uso da memória do sistema, aparentemente um preço baixo para a adequação da compatibilidade em um tempo tão curto. É essa compatibilidade que está matando os softwares, pois tanto os processadores quanto os sistemas operacionais passando pelos aplicativos guardam resquícios jurássicos desde os anos 80 que por alguma razão precisam ser mantidos funcionais em prol da “compatibilidade retroativa”.

Ora bolas, será que realmente precisamos disso?

Será que não está na hora de exigirmos um selo “New Era” para softwares otimizados para os recursos atuais? Softwares mais leves, mais eficientes, que fazem o uso correto das tecnologias mais novas e apenas delas?

Eu gostaria de comprar um notebook último tipo, com processador Dual Core, memórias Dual Channel, interfaces PCI Express, discos Serial ATA 2 com NCQ e tudo mais que já está no mercado, e gostaria de instalar o Windows New Era otimizado para esse padrão, sem suporte à unidades de disquetes, barramento ISA ou PCI, esquecendo de vez todos os recursos do x86 que eventualmente já foram substituídos por instruções otimizadas SSE3 ou outras mais, e sem aquela parte do Kernel que foi feita exclusivamente para processadores de núcleo simples, com cache limitado e registradores de 32 bits ou inferiores (a compatibilidade retroativa obriga os softwares e os processadores a ter suporte a registradores de 16 e 8 bits, se não menores…).

A transição do modelo antigo para o New Era não seria mais dolorosa do que o fim do AGP que estamos vivenciando hoje. Durante algum tempo os fabricantes teriam que lançar softwares em duplicidade, em versões retro compatíveis e nas versões New Era com o devido selo, mas em alguns anos o New Era se tornaria um padrão de fato e todos os retro compatíveis morreriam, tal como nessa semana foi anunciada pela Microsoft a morte do suporte ao Windows 98, ME entre outros.

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